Abrigos de animais na Coreia do Sul lutam para atender a enorme demanda

Abrigos de animais na Coreia do Sul lutam para atender a enorme demanda

Havia cerca de cinco ou seis cães juntos atrás de uma cerca branca perto da entrada do centro de adoção do Tinkerbell Project em Hwagok-dong, no oeste de Seul, Coreia do Norte, no final do mês passado. O centro é um local sem fins lucrativos que conecta animais abandonados a novos tutores. Aberto em março de 2014, havia originalmente 15 cães e sete gatos no centro. Incapazes de se reunirem aos seus donos e enfrentando a eutanásia, esses animais são levados para esse local, prolongando suas vidas por pelo menos mais um dia.

“O número máximo de animais que o centro pode cuidar apropriadamente já foi atingido”, disse Park Hyeon-ju, um funcionário do centro de adoção. “Nós colocamos cerca de 60 animais para adoção no ano passado, mas comparado com a quantidade de animais abandonados em um ano em Seul, isso é um número extremamente pequeno. Conforme o tempo passa, cães de grande porte e sem raça definida deixam de ser adotados”.

De acordo com o governo metropolitano de Seul, havia 8.684 animais abandonados no ano passado. Isso é bem mais do que o número de animais abandonados em 2011, mas esses animais que não são resgatados acabam tendo filhotes e a situação só piora. Cães e gatos selvagens em áreas residenciais ao redor de Mount Bukhan, no centro de Seul, estão se tornando um problema.

As descobertas do Instituto Seoul, originalmente estabelecido pelo governo metropolitano de Seul como Instituto de Desenvolvimento de Seul, definem a taxa de animais abandonados da cidade como 0,8 por cento. Isso é quatro vezes mais do que a taxa de animais abandonados em Tóquio. E também, dentre as casas em Seul que possuem animais, 42,6 por cento disseram que eles “sentem vontade de doar ou abandonar” seus animais.

Apesar do problema com animais abandonados permanecer não resolvido, as instalações de apoio ao bem-estar animal que abrigam animais e intermediam as adoções são mínimas. Na área metropolitana há o Centro de Adoção Animal operando dentro do Parque Gwacheon Seoul, em Gyeonggi. Além deste, do centro de adoção do Tinkerbell Project e do centro dos Defensores dos Direitos dos Animais da Coreia, há somente três localidades operadas por organizações privadas. De 2011 a 2015, a maioria dos animais ao redor do país teve que ser eutanasiada, já que não havia espaço suficiente nesses locais para atender a demanda.

Um centro de SOS para animais de estimação está planejado para ser aberto em julho em Mapo District, oeste de Seul, para cuidar dos animais e intermediar as adoções. Baek Jin-seon, funcionário ativo da equipe de política animal, disse: “O objetivo atual de operação do centro SOS é o tratamento médico de animais abandonados e a educação na prevenção do abandono animal. Impedir que tutores de primeira viagem abandonem seus animais também está na agenda”.

Os especialistas dizem que o número de instalações que apoiam o bem-estar animal deve ser expandido. “Considerando o número de animais abandonados em um ano, Seul deve gerar instalações nos 25 distritos administrativos”, disse Hwang Dong-yeol, líder do Tinkerbell Project. “Nas periferias da cidade, há muitas pessoas que nem sabem que essas instalações de adoção existem. Elas devem ser acessíveis para que o número de adoções aumente”.

“As instalações de suporte ao bem-estar animal não estão lá somente para prevenir o abandono de animais”, disse Yoo kee-young, pesquisador sênior do Departamento de Segurança e Pesquisa Ambiental do Instituto Seoul, “mas também desempenham um papel no controle de doenças contagiosas. Após preparar instalações como hospitais de animais, abrigos e centros de adoção, deve haver por fim ao menos quatro localidades centradas em distritos residenciais dentro de Seul”.

“É verdade que, em longo prazo, o Centro SOS não é suficiente”, disse Kim Mun-seon, diretora de política animal do governo de Seul. “Com base nos resultados operacionais desse centro, nós iremos avaliar o estabelecimento de instalações e planos operacionais em Seul”.

Por Cho Han-Dae / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: Korea Joongang Daily

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