Ação judicial tentou barrar rodeio de Gravataí, que foi concluído no último fim de semana

Ação judicial tentou barrar rodeio de Gravataí, que foi concluído no último fim de semana
Rodeio do Mercosul — Foto: Divulgação

Uma ONG de defesa animal questionou, em ação judicial, a realização de provas com animais no Rodeio Internacional do Mercosul, evento anual que ocorre em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A edição do rodeio foi concluída no domingo (7).

Na ação, a ONG apontou ter imagens de bovinos machucados, e pede a suspensão das provas campeiras pelo Centro de Tradições Gaúchas Aldeia dos Anjos.

As fotos foram produzidas em março do ano passado. O trabalho de um fotógrafo nos arredores da mangueira e brete do recém inaugurado Parque de Eventos Valecy Cabeleira Bitelo, onde acontecia o Rodeio Internacional do Mercosul naquele ano, chamava a atenção. Estava lá a serviço da ONG, o que causou um certo desconforto entre os organizadores, nada mais que isso.

A edição de 2024 acabou sendo realizada sem que a ação tivesse sido julgada. O processo segue tramitando e, segundo o Ministério Público, ainda não tem parecer da promotoria.

Os ferimentos constatados nos animais ocorreram durante o transporte e foram comunicados em relatório à Inspetoria Veterinária no dia 23 de março de 2023 pelo veterinário responsável pelo evento.

Segundo o relatório, as reses que ficaram feridas foram medicadas e retornaram à propriedade de origem. O documento também comunica que os próximos lotes seriam transportados em menor quantidade dentro do caminhão, para evitar novas lesões.

A pedido do blog Repórter Farroupilha, o veterinário Henrique Noronha, que foi diretor de Bem Estar Animal do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) em 2020, teve acesso a todo o processo e apontou exageros nas acusações.

“Tem um caso que afirma que um peão a cavalo usaria o relho pra surrar e também para cutucar o ânus do animal. Eu assisti a três vezes esse vídeo e percebe que ele encosta o relho na garupa do animal, mas em nenhum momento mostra ele se aproximando do ânus do animal. Essa acusação falsa me assusta”, afirma Noronha.

Ele também observa que os laudos preparados pela ONG foram elaborados por veterinários que não lidam com cavalos em seu dia-a-dia, atuando majoritariamente com pequenos animais.

Procurado sobre as ponderações do veterinário, a advogada da ONG Princípio Animal, Cícera de Fátima Silva, disse que “trabalha com bases técnicas e junto a legalidade na construção de direitos aos animais não humanos”. E que “nenhum argumento tradicionalista se sustenta e há muito tempo a sociedade não coaduna com atividades que submetam animais a sofrimento físico e psicológico”.

Não há dúvidas de que o bem estar animal precisa ser uma prioridade nos rodeios, como aconteceu, por exemplo, em Vacaria, aprovado por uma ONG local.

Mas também a Justiça precisa examinar esse tipo de ação com muita cautela, afinal, como demonstrou estudo da Universidade Feevale, os rodeios movimentam por ano 2 R$ bilhões por ano, e muita gente depende disso para sobreviver.

Por Giovani Grizotti

Fonte: g1

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