Acupuntura é utilizada no tratamento de macaca com alterações neurológicas; ela foi encontrada desidratada em lixão

Acupuntura é utilizada no tratamento de macaca com alterações neurológicas; ela foi encontrada desidratada em lixão
Macaca durante a sessão — Foto: Clínica Pet Stop Unaí / Divulgação

Uma fêmea de macaco-prego está contando com a ajuda da acupuntura – técnica milenar chinesa, em seu processo de reabilitação. Ela foi encontrada em um lixão e a suspeita é de que sofreu um choque elétrico e caiu.

A primata apresentava problemas neurológicos, como letargia e falta de coordenação motora, além de alterações pulmonares e desidratação. Após ser resgatada pela Polícia Militar, foi levada para um clínica veterinária em Unaí (MG).

No primeiro atendimento, a macaquinha foi medicada, recebeu soro intravenoso e conseguiu comer frutas amassadas que foram dadas com a ajuda de uma seringa.

Com o objetivo de reforçar os cuidados que estava recebendo, a macaca passou a contar com a acupuntura, feita pela veterinária Janne Paula Neres. A especialista falou um pouco para o É o Bicho sobre como a técnica é aplicada e quais os benefícios para o animal. 

“A acupuntura é um braço da medicina chinesa. Inicialmente, foi realizada em animais e depois foi aplicada em humanos”, diz a veterinária que fez um curso de especialização após fazer sessões e ter resultados muito satisfatórios.

Macaquinha comeu frutas com o uso de uma seringa. — Foto: Clínica Pet Stop / Divulgação

Como funciona
 
As agulhas são aplicadas em pontos estratégicos do corpo para restaurar o equilíbrio. A técnica pode ser utilizada em diversos quadros clínicos e deve ter a indicação de um especialista. Ao contrário do que as pessoas podem pensar, a especialista diz que as agulhas não causam dor.

“Utilizamos mapas, estudados há mais de cinco mil anos, cada órgão ou grupos de órgãos tem ligação com um sentimento ou uma emoção, por exemplo. A escolha do ponto é de acordo com o quadro clínico do paciente. No Brasil, a acupuntura é utilizada como complemento, mas há clínicas que se dedicam unicamente à medicina tradicional chinesa”, fala.

Janne já cuidou de cachorros e equinos com a acupuntura. Essa é a primeira vez que ela usa a técnica em um macaco. Em uma das ocasiões em que atuou, a veterinária se recorda de ter ajudado uma cadela a parir. Gestante pela primeira vez, ela já estava em trabalho de parto por um dia. Após uma hora com as agulhas, deu à luz. Em outra situação, um cão com alterações nas vértebras, teve a dor que sentia reduzida e ganhou mais qualidade de vida, embora a técnica em si não pudesse corrigir o problema dele.

“Assim como outras terapias chinesas, não focamos em tratar a doença, mas o paciente. Por exemplo, se um paciente tem diabetes, não tratamos somente a diabetes, mas procuramos entender o que levou o animal a desenvolver a doença. Tratamos as causas e não as consequências”, explica.
 

No caso da macaquinha, o medo foi um dos sentimentos tratados.

Em relação ao número de sessões indicadas para cada bichinho, a veterinária explica que vai depender de como o animal reage. Essa reação, está ligada também ao ambiente onde ele vive. A duração de cada uma é de uma hora. Já o intervalo entre sessões, é de no mínimo 72 horas.

“Toda vez que atendo um caso, não levo apenas o animal em consideração. Pergunto muito sobre o tutor, sobre o ambiente no qual eles vivem. Os animais tendem a drenar nossas energias, no caso dos cachorros, por exemplo, eles costumam drenar e acumular essas emoções. Por isso, é comum vermos cães e tutores que apresentam as mesmas doenças, por exemplo.”

Janne defende o uso de terapias complementares para o tratamento dos pets.

“Se você vai a um médico e tem depressão, vai ser medicado e esse profissional também vai te aconselhar a buscar por terapia, a fazer atividades físicas e os animais também são assim. Junto com a parte clínica e laboratorial, se tivermos um tratamento que complemente, a resposta tende a ser muito melhor. Muitas pessoas ainda não se atentaram ao fato dos animais terem emoções e sentimentos, a diferença é que eles não se expressam como nós”, conclui.

Após ser estabilizada, a macaquinha ficou sob os cuidados do Instituto Estadual de Florestas.

Após ficar estável, maca ficou sob os cuidados do IEF — Foto: Clínica Pet Stop Unaí / Divulgação

Por Michelly Oda

Fonte: G1

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.