Acusado de arrancar a pele de cadela em Petrópolis (RJ) é preso

Acusado de arrancar a pele de cadela em Petrópolis (RJ) é preso

RJ Retiro maldade

Atualização: infelizmente a cadela não resistiu e morreu na noite desta quinta-feira.

O dono do imóvel onde a cadelinha foi encontrada esfolada, nesta quarta-feira, é apontado pela ex-companheira como principal suspeito de ser o autor crime de maus-tratos. Ainda durante a manhã desta quinta-feira ele foi preso por agentes da 105ª Delegacia de Polícia, porque contra ele havia uma medida restritiva em função de uma ameaça de morte feita contra a ex-esposa no mês passado. A agressão à cadelinha foi considerada pelo Juizado Espacial da Vara da Violência Doméstica, que expediu contra o homem um mandado de prisão preventiva, uma forma de ameaçar a ex-companheira e um descumprimento da medida restritiva.

A cadelinha vivia com outros 15 cães no imóvel, onde o crime de maus-tratos aconteceu. Todos os dias, a tutora dos cães, que não vive no imóvel há um mês e meio – desde que ela e o marido iniciaram o processo de divórcio, vai à casa alimentar os cães e limpar o espaço. Na noite de quarta-feira, ao entrar em um dos banheiros da casa, encontraram a cadelinha, dentro de uma banheira. O animal havia sido esfolado vivo. Partes do couro haviam sido arrancadas. A orelha foi cortada e, por todo corpo, havia sinais de cortes. Ao lado do cão, uma faca cega, ensanguentada.

A princípio, a tutora dos cães e os outros dois protetores chegaram a pensar que a cadelinha estivesse morta. Enquanto falavam por telefone com a veterinária Rosana Portugal, coordenadora de bem-estar animal, a cadela deu sinal de que havia sobrevivido. “Elas iam tirar uma foto para me enviar, quando a cachorrinha abanou a cauda. Ela foi levada para a clínica, em estado muito grave. Mesmo com muita dor, ela permitiu que fizéssemos o tratamento de emergência, mostrando que é um animal dócil. Ela foi suturada, sedada e conseguimos estabilizá-la. Agora, as próximas 48h serão cruciais para a sobrevivência dela”, conta a Rosana, que acredita que a cadelinha irá sobreviver.

A conversa com a veterinária aconteceu na porta da delegacia do Retiro, onde ela foi prestar depoimento, no inquérito aberto pela 105ª Delegacia de Polícia, pelo crime de maus-tratos. Em choque e com a voz embargada, Rosana diz que nunca viu algo semelhante em vinte anos de carreira. “Foi uma atrocidade. Algo feito por um psicopata”, destaca a veterinária que, no depoimento prestado na unidade policial apresentou o laudo médico que comprava que as lesões na cadelinha foram resultado de golpes de faca.

Essa informação, somada ao depoimento de vizinhos e de pessoas ligadas à família do casal, relatando outros episódios de maus-tratos, contribuíram para somar indícios, que apontavam na direção do dono da casa como o autor do crime. “No início da semana, na segunda-feira, dia 11, a ex-companheira dele veio até a delegacia, onde fez um registro de ocorrência por maus-tratos”, destaca o delegado Maurício Rodrigues, que coordena a investigação do caso.

Enquanto essas denúncias eram apuradas na delegacia do Retiro, um pedido de mandado de prisão foi encaminhado à Vara da Violência Doméstica, que estabeleceu, no mês passado, uma medida restritiva que impedia que o ex-marido se aproximasse da esposa e da casa onde eles viveram por 17 anos. “Ir ao imóvel e supostamente esfolar o animal, em tom de ameaça, constituem o descumprimento da medida restritiva. Por isso, a justiça entendeu que ele descumpriu essa medida e foi preso preventivamente (por um prazo que deverá se determinado e por ser estendido pelo juiz titular da Vara, Afonso Botelho)”, explica Cláudio, que diz que um inquérito será aberto para comprovar, ou não, se o homem foi o autor do crime de maus-tratos.

Casal é indiciado por maus-tratos às filhas

Enquanto a denúncia de maus-tratos contra a cadelinha era apurada na delegacia do Retiro, um vídeo foi apresentado ao delegado titular de unidade, Alexandre Ziehe, mostrando uma condição de maus-tratos que as filhas do casal – três meninas de quatro, sete e nove anos – sofriam, quando viviam na casa onde hoje estão apenas os animais. “Isso foi há dois meses. Era uma situação deplorável. Eram diversos animais dentro de casa, fezes e urina dos animais por todo o canto e as crianças expostas a esse ambiente de risco. Em outros vídeos é possível as crianças dormindo em meio aos animais”, afirma o delegado titular da 105ª DP que, imediatamente após receber a denúncia abriu um inquérito contra o casal, que responderá pelo crime.

Ainda de acordo com o delegado, o casal que briga na justiça, na Vara da Família, pela guarda das filhas, pode perder a guarda das crianças. “Além disso, diferente dos maus-tratos contra animais, que tem pena de três meses a um ano e por isso é julgado no Juizado Especial Criminal – Jecrim, nesse caso também é maus-tratos, mas com o agravante em um terço na pena por se tratar de crianças. Nesse caso eles podem vir a ser presos”, destaca Ziehe, que destaca que no caso correm três processos. “É a denúncia de ameaça feita pela esposa no mês passado, as denúncias de maus-tratos feitas por ela contra o ex-marido e agora essa denúncia contra os dois por maus-tratos contra as filhas”, ressalta.

Mobilização em redes sociais ajuda cadelinha

O caso de maus-tratos envolvendo a cadelinha causou mobilização de protetores e pessoas que gostam de animais por toda a cidade. O drama da cadelinha, que passou a ser chamada de “Belinha”, ajudou a acelerar o processo de doação dos cães, que ainda restavam na casa onde crime aconteceu. No dia 22 de abril, a equipe da Tribuna de Petrópolis esteve na casa onde na época havia 36 cães e a presença deles no local era alvo de denúncias de maus-tratos. Por telefone, a tutora dos cães disse que antes havia 47 e que estava correndo atrás de novos tutores ou lares temporários para os cães.

Na quarta-feira, quando o crime contra “Belinha” aconteceu, restavam – contando com ela – apenas 16 cães na casa. “Hoje, pelo menos cinco pessoas demonstraram interesse em adotá-la, quando ela se recuperar. Outros quatro cães já conseguiram lar temporário”, informou a veterinária Rosana Portugal, que pede para que as pessoas interessadas em ajudar a retirar os cães restantes da casa, podem entrar em contato com o telefone 2246-9140. “Seja para adotar ou para oferecer um lar temporário. Os protetores envolvidos no caso tem feito feiras de adoção”, destaca.

Fonte: Tribuna de Petrópolis

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