Adeptos da culinária vegana usam criatividade para recriar receitas tradicionais em Piracicaba, SP

Adeptos da culinária vegana usam criatividade para recriar receitas tradicionais em Piracicaba, SP

A mudança na alimentação é uma das consequências da escolha em respeito aos direitos dos animais: o veganismo.

Sem poder comer ou utilizar produtos que tenham ingredientes de origem animal na composição, incluindo laticínios e ovos, os veganos usam a imaginação para explorar a gama de vegetais e adaptar as receitas tradicionais.

Se engana quem pensa que os pratos dos adeptos a esse estilo de vida são restritos a legumes, verduras e frutas.

Não há limites para a criatividade na culinária, exemplo disso é a coxinha de jaca, servida em Piracicaba em A Casa Vegana e no Santa Clara Café.

De início, o nome pode causar estranheza e não, a coxinha não é doce, mesmo a jaca sendo utilizada para substituir o frango da receita tradicional.

De acordo com Melina Valério, proprietária da Casa Vegana, o recheio não é feito com a fruta madura, que é doce e tem a consistência gosmenta.

“Usamos a jaca colhida ainda verde e quando madura, ela tem o gosto neutro e uma consistência diferente”, explicou.

A fruta passa por cozimento e é desfiada igual o frango. Depois disso, o recheio é refogado com tomate, cebola, alho e cheiro verde.

“A fruta absorve o sabor dos temperos adicionados, por isso tem que caprichar”, disse Melina.

No estabelecimento, a coxinha é servida assada.

Em meses fora da época da fruta, outra opção é a coxinha de shimeji e de brócolis do Santa Clara Café.

Além de café, A Casa Vegana funciona também como empório e vende desde ração para cachorros até produtos de higiene, beleza, limpeza e alimentos congelados. Tudo sem componentes de origem animal, claro.

“Também não utilizamos nada de marcas que realizam testes em bichos”, contou.

Veganos não utilizam o leite da vaca, porém isso não é nenhum problema para eles. Capuccino?

Com leite sim, mas de coco ou castanha do pará!

A proprietária relatou que prepara o próprio leite para as receitas do local.

“Tem a mesma textura da bebida comum, mas dá para sentir o gosto da castanha ou do coco no fundinho”, afirmou.

E a variedade não para por aí, pois também é possível fazer leite de aveia, arroz, castanha de caju, semente de girassol e amendoim.

E o melhor: o produto também é um alivio para os alérgicos a lactose.

Nos chantillys usados nas receitas, Milena prepara com aquafaba, que é a água do cozimento do grão de bico.

“Adicionamos emulsificante, açúcar, alguma essência e o sabor fica o mesmo”, disse.

O grão de bico é um queridinho da culinária vegana, com ele é possível fazer pastas, omelete, base de torta salgada e doce, saladas, hambúrguer e almôndega.

Além disso, ele é rico em nutrientes.

Outra curiosidade que integra o cardápio, que conta com bolos, pizzas,tortas, quiches, quibes, é o vegarela, um creme de soja usado para substituir o queijo.

No Santa Clara Café, os dias de Hamburgada são realizados com as “carnes” feitas de batata com cogumelo, beringela e soja com beterraba.

Com a intenção de ter opções para todos os públicos, a cheff Julia Sattolo varia o cardápio com sanduíches,tortas integrais, quibe de aipim, trufas, brigadeiros, milkshakes, cupckaes, além dos almoços com opção vegana.

Já conhecida entre os adeptos, a sócia do local promove também as tardes de doces veganos.

Segundo Julia, o que os veganos mais pedem é o sanduíche feito com baguete, queijo vegetal, barbecue, cebola caramelizada, rúcula e proteína de soja com sabor de bacon.”Geralmente os veganos não gostam do gosto da carne, mas algumas marcas usam aromatizantes”, explicou.

O veganismo saiu do anonimato e vem alcançando cada vez um grupo maior na cidade e, para atender a essa demanda, os estabelecimento estão de adaptando, mesmo os mais antigos.

Exemplo disso é a a Pastelaria do Gil, que atende no Mercado Municipal desde 1982. Recentemente, Luciane Magro integrou o pastel vegano nas opções.

A massa, continua a mesma com água, trigo, sal e óleo de soja.

A diferença é o queijo, que pode ser vegano.

“Antes tínhamos o pastel de palmito, mas agora, o queijo abre o leque de opções de receitas, como queijo com palmito e pizza, incluindo tomate e orégano”, disse Luciane. Magro relatou que pensa na possibilidade de receitas com carnes feitas com soja.

“A mudança é na vida das pessoas, mas nós temos que nos adaptar para atender esse grupo”, afirmou.

SERVIÇO — A Casa Vegana (rua Campos Salles, 1313, Bairro Alto). Informações: (19) 3927-5556. Santa Clara Café (rua Santa Cruz, 976). Informações: (19) 99632-2137. Pastelaria do Gil (rua Governador Pedro de Toledo, 1336, Centro). Informações: (19) 3422-4838.

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Fonte: Jornal de Piracicaba

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