Adeptos da filosofia que rejeita produtos e alimentos de origem animal fazem piquenique em BH

Adeptos da filosofia que rejeita produtos e alimentos de origem animal fazem piquenique em BH

Vegans se reuniram no Parque das Mangabeiras para trocar experiências e receitas

Por Celina Aquino

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“Não vejo como comida. Para mim, é um pedaço de outro ser.” Assim, o músico Emílio Sant’Anna Gomes, de 30 anos, explica por que não come carne. Ele também excluiu do cardápio leite e ovos, sob argumento de não querer ser conivente com a exploração dos animais. Emílio é um dos veganos que participaram ontem, no Parque das Mangabeiras, do Vegnik BH. Cerca de 50 pessoas que seguem a mesma filosofia se reuniram em um piquenique, pela segunda vez, para trocar experiências e saborear receitas que não levam carne, ovos, leite ou derivados.

A ideia do encontro partiu da estudante Ingrid Magalhães Ribeiro, de 22 anos, que decidiu não consumir mais nada de origem animal em julho do ano passado. Até então, ela não conhecia nenhum vegano “de carne e osso”, apenas em conversas pela internet. “No meu dia a dia, não tenho ninguém para dividir experiências, então me sentia sozinha”, justifica. “É um alívio conhecer outros veganos, porque todo dia alguém te julga, solta uma piada ou faz comentários desnecessários.” Ingrid explica que se sentia culpada ao comer carne, leite e ovos, pensando no sofrimento dos animais. Faz falta a facilidade de comprar o que houver na rua, mas ela se acostumou a sair de casa com marmita para o dia inteiro.

“Ser vegano é como ser um alienígena”, comenta a estudante Vanessa de Sousa Soares, de 22, que há três meses mudou a alimentação em respeito aos animais. Pela primeira vez no Vegnik BH, ela gostou de se encontrar com outras pessoas que seguem a mesma filosofia de vida, para não se sentir tão diferente, e aproveitou para aprender novas receitas, já que evita comprar produtos industrializados. O estrogonofe de legumes, feito com leite de coco, é um dos seus pratos preferidos. Vanessa até levou um amigo “carnívoro” para provar que veganos não comem só alface. O estudante Tiago Cândido, de 21, achou a proposta muito interessante, mas vai concluir a dieta da proteína antes de seguir um novo cardápio.

Cercado de amigos veganos, o estudante João Pedro Castro, de 18, quis participar do piquenique para descobrir maneiras de substituir carne, leite e ovos. “Vi que não preciso comer só fruta e verdura. Provei um pão de batata baroa com cenoura que parece pão de queijo”, destaca.

Assim como a maioria dos participantes do Vegnik BH, o técnico em enfermagem Jair Cortines, de 52, era vegetariano antes de se tornar vegano. Além dos alimentos, ele não consome nenhum outro produto de origem animal. Mudar o estilo de vida fez diferença, ele conta. “A gordura animal não me fazia bem. Ficou constatada em exames a melhora da minha saúde: os níveis de gordura no sangue diminuíram.” A nutricionista Nakita Agostini Davis, de 25, lamenta saber que ainda existe desconhecimento de muitos profissionais de saúde, que condenam a retirada da carne do cardápio. Ela garante que um vegano leva vida normal. “Temos que ajudá-los a manter uma alimentação saudável dentro da filosofia de vida que escolheram”, opina.

Veganismo

Pode-se dizer que é um tipo mais extremo de vegetarianismo, que exclui não apenas da dieta, mas de outros aspectos da vida, produtos de origem animal. Um vegano evita inclusive o uso de substâncias testadas em animais, assim como não usa roupas ou calçados de couro, seda, lã, penas ou plumas. Quem segue essa filosofia de vida tampouco frequenta circos ou rodeios, por não concordar com a exploração animal.

Fonte: EM

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