Adestrador nega maus-tratos contra cão que morreu após treinamento

Adestrador nega maus-tratos contra cão que morreu após treinamento

Há 15 anos na área, ele disse à polícia que apenas passeou com animal. Segundo a tutora, rottweiler vomitava e defecava sangue depois de sessão.

Por Paula Resende

GO goiania a 3O adestrador, de 46 anos, suspeito de provocar a morte de um cachorro da raça rottweiler, negou, em depoimento à Polícia Civil na segunda-feira (8), ter maltratado o animal durante o treinamento, em Goiânia. De acordo com o delegado Alexandre Otaviano Nogueira, adjunto da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), ele é vigilante e tem 15 anos de experiência com adestramento.

O cachorro, chamado Thor, tinha dois anos e morreu na última quinta-feira (4), menos de um dia após passar por treinamento. O adestrador explicou à polícia que não chegou a fazer exercícios com o animal, pois ainda estava no início do processo. “Ele disse que o levou para passear para conquistar a confiança dele, que era um animal muito bravo e forte”, afirmou o delegado.

A tutora do animal, uma policial militar de 43 anos, relatou em seu depoimento que o cachorro voltou do último treinamento “mole, vomitando e defecando sangue, com sangramento nos olhos, na boca e nas patas”.

O adestrador confirmou à polícia que, quando deixou o animal na casa da proprietária, ele estava cansado e com a boca sangrando, pois “estava mordendo a guia de aço” durante a sessão e “isso é normal”. No entanto, o suspeito negou os demais sintomas relatados pela tutora do bicho.

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Segundo o delegado, o adestrador disse que a policial militar ligou para ele para questionar o que havia ocorrido com o bicho. Para ele, até então, a situação do animal “era normal”. “Ele disse que ela ligou novamente, foi ríspida com ele e, por isso, ele não a atendeu mais. Ela queria que ele fosse à casa dela, mas ela estava nervosa e, como ela é policial, ele ficou receoso”, informou o delegado.

A polícia aguarda a conclusão de laudo do Instituto Médico Legal (IML) para apontar a causa da morte de Thor. Conforme Alexandre, o documento deve ficar pronto na quarta-feira (10).

A partir do que constatar o laudo, o adestrador pode ser indiciado por maus-tratos que resultaram na morte do cachorro. O crime prevê pena de até 1 ano e quatro meses de prisão.

Adestramento

De acordo com a polícia, a tutora de Thor resolveu adestrá-lo recentemente porque ele era muito bravo. A proprietária do animal afirmou aos policiais que contratou os serviços do adestrador após ele deixar um cartão na casa dela, sem pegar referências sobre o trabalho dele. O suspeito mora próximo à residência da mulher.

A coordenadora técnica do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Goiás, Raquel de Sousa, explicou que a legislação não obriga adestradores a terem algum curso específico ou registro para trabalhar.

O animal passou por duas sessões de adestramento. Segundo o delegado, na primeira sessão, a tutora do animal notou que o bicho voltou muito cansado. No entanto, ela não proibiu que Thor passasse pelo segundo dia de treinamento. Ele morreu menos de 24 horas depois.

Fonte: G1

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