Adoção de filhotes resgatados fica suspensa até que ‘dono’ seja identificado

Adoção de filhotes resgatados fica suspensa até que ‘dono’ seja identificado

Por Allison Bray / Tradução de Vânia Mardegan

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O destino de 116 cãezinhos apreendidos por oficiais de proteção animal no porto de Dublin, Irlanda, permanece em limbo jurídico apesar dos milhares de interessados em adoção que fazem fila para oferecer-lhes um lar.

Os cachorrinhos, com idade entre quatro e oito semanas e de 11 raças diferentes, foram encontrados na parte de trás de duas vans no porto de Dublin, Irlanda, no último dia 4 de fevereiro. Eles estavam sem acesso à comida, água ou qualquer documentação veterinária. As vans estavam prestes a embarcar na balsa que ia para Holyhead, no país de Gales.

A apreensão fez parte de uma investigação conjunta entre alfândega, Guarda da Paz Irlandesa e Sociedade de Prevenção à Crueldade Animal de Dublin (DSPCA) sobre um suposto tráfico de filhotes.

Segundo a DSPCA, a remessa de cãezinhos é parte de um esquema altamente organizado e lucrativo no qual a reprodução dos cães ocorre na Irlanda e o tráfico é feito para fora do país, onde acontece a venda ilegal para traficantes inescrupulosos no Reino Unido. Estes, por sua vez, colocam os filhotes à venda pela Internet para compradores desavisados ou através de cartazes em clínicas veterinárias locais ou ainda por meio de anúncios classificados.

Pela ordem de grandeza da apreensão e o potencial de lucro envolvido, acredita-se que remessas de tamanho similar tenham ocorrido a cada viagem da balsa de Dublin para Holyhead, segundo a DSPCA.
84 dos filhotes estão atualmente abrigados na sede da DSPCA em Rathfarnham no sul de Dublin, enquanto o restante encontra-se em lares de adoção da instituição.

A situação se tornou manchete dos jornais em todo o país e fez com que a DSPCA tivesse no último domingo o dia de visitas mais movimentado de toda a sua história. Embora ninguém pudesse adotar nenhum dos cãezinhos apreendidos, vários amantes dos animais acabaram levando cães adultos resgatados pela instituição.

A história comovente dos filhotes sensibilizou pessoas em todo o país. A DSPCA recebeu mais de 4000 consultas de interessados querendo adotar os cachorrinhos.

No entanto, como os filhotes serão usados como evidência no que as autoridades acreditam que será a primeira ação judicial nos termos da estrita nova Lei de Saúde e Bem-Estar Animal de 2013, eles não podem ser legalmente adotados até que os donos sejam identificados e os filhotes devolvidos a eles ou então até que sejam entregues à DSPCA pelos tribunais, de acordo com a porta-voz da DSPCA Gillian Bird.

“Como não pertencem à DSPCA, não estamos autorizados a fazer nada com eles por enquanto. Os filhotes ainda são propriedade dos ‘donos’ e ainda que estes sejam condenados, eles continuam sendo sua propriedade, a menos que o juiz estabeleça que fiquem sob nossa tutela.”

Apesar disso, a possibilidade de que os cãezinhos sejam devolvidos aos ‘donos’ é muito baixa, considerando a conta astronômica que ele ou ela terá que pagar, sem contar as multas e prováveis acusações criminais.

Somente a microchipagem teria um custo de quase 3000 euros (algo próximo de 10 mil reais) além de uma taxa mínima de 25 euros por dia de manutenção para cada animal. Até agora não houve nenhuma acusação relacionada aos filhotes apreendidos.

Enquanto isso, os cachorrinhos continuam se recuperando e não faltam amantes dos animais interessados em adotá-los.

A vulnerabilidade dos cãezinhos provocava cenas de cortar o coração na semana passada. Os filhotes de uma cria de West Highland terriers com apenas 4 semanas de idade e que normalmente estariam mamando, eram apenas um pouco maiores que um pequeno bicho de pelúcia no qual eles vagarosamente se amontoavam para ficarem aquecidos.

Outro canil na “sala dos doentes” continha uma cria de minúsculos Cocker Spaniels que mais pareciam hamsters crescidos, todos também amontoados para se manterem aquecidos, enquanto o outro lado do recinto alojava filhotes maiores e menos frágeis.

Fonte: Independent 

Nota do Olhar Animal: Enquanto houver comércio de animais, situações como esta continuarão a ocorrer. Além de submetidos a condições de maus-tratos como a noticiada acima, a seleção genética para a criação de animais ‘de raça’ causa grandes danos aos animais, doenças congênitas terríveis. As preferências estéticas são diretamente responsáveis por isso.

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