Advogados tentam salvar galinhas de serem massacradas em ritual, nos EUA

Advogados tentam salvar galinhas de serem massacradas em ritual, nos EUA
Um judeu ortodoxo faz o ritual de Kapparot na vizinhança ortodoxa Mea Shearim em Jerusalém em 2012. (Foto: Arquivo/Ariel Jerozolimski/Zumapress.com)

Advogados estão pedindo a um juiz federal uma ordem de restrição temporária para suspender o sacrifício kosher de galinhas no condado de Orange, nos EUA, durante o ritual de um festival judeu anual – um ano depois de um juiz estadual ter negado uma solicitação similar.

Em uma ação judicial federal em nome do grupo ativista United Pultry Concerns (Interesses Pelas Aves Unidos), baseado em Virgínia, o advogado de Irvine, David Simon, e o advogado de San Diego, Bryan Pease, acusam o movimento Chabad e um rabino de violarem a lei estadual durante a tradição anual do Kapparot.

A tradição de 2000 anos do kapparot – que significa expiação em hebreu – é praticada em algumas comunidades judias ortodoxas tradicionais entre o Rosh Hashana (Ano Novo judaico) e o Yom Kippur (Dia do Perdão).

Durante a cerimônia, uma galinha é balançada acima da cabeça de uma pessoa para simbolizar a transferência dos pecados dessa pessoa para a ave. A galinha então é sacrificada da maneira kosher (apropriada) e sua carne é doada para os pobres.

Os líderes judeus afirmam que o abate das galinhas é feito de forma humana. Eles descreveram as oposições ao Kapparot como vindas de grupos extremos de direitos dos animais tentando passar por cima da expressão e dos direitos religiosos.

Na ação judicial federal recente, os advogados do United Poultry Concerns alegam que as testemunhas que concordaram em dar declarações em 2014 viram galinhas envolvidas no evento Kapparot de Irvine apertadas em gaiolas, maltratadas e deixadas para morrer cercadas de aves vivas.

“Este espetáculo nauseante está programado para ser repetido a partir do fim de semana do dia 8 de outubro de 2016”, Pease escreveu em um documento do dia 26 de setembro entregue ao Tribunal Distrital em Santa Ana, EUA. “Entretanto, matar galinhas não é exigido para que o Kapparot ocorra, mas é simplesmente uma preferência. Muitas outras entidades pararam de matar galinhas e, ao invés disso, fazem a cerimônia balançando pequenos sacos de moedas acima da cabeça”.

Líderes do Chabad em Irvine não estavam acessíveis para comentários sobre a ação federal ou sobre o pedido para uma ordem de restrição temporária.

O juiz distrital dos EUA Andre Birrote Jr., foi designado para discutir sobre o pedido pela ordem de restrição durante uma audiência no dia 6 em Los Angeles.

Em 1993, uma decisão do Tribunal Superior dos EUA derrubou uma lei municipal na Flórida que bania o sacrifício religioso de animais.

Nesta ação judicial recém-submetida, os advogados do United Poultry Concerns argumentam que a lei na Califórnia é diferente, alegando que ela proíbe a crueldade animal por qualquer pessoa.

Ao entrarem em cortes federais ao invés de cortes estaduais, Simon disse que ele espera que um juiz federal terá mais tempo e recursos para tomar uma decisão considerando assuntos legais mais amplos.

Uma ação similar, também submetida por Simon em nome da Animal Protection and Rescue League (Liga de Proteção e Resgate Animal) baseada em San Diego, está percorrendo seu caminho pela corte estadual. O juiz do Tribunal Superior do condado de Orange, William D. Claster, negou no ano passado um pedido para uma ordem de restrição de emergência contra a matança das galinhas no kapparot daquele ano. O juiz argumentou que não havia provas suficientes de que as galinhas estavam sendo mantidas ou manejadas de forma cruel.

Por Sean Emery / Tradução de Alice Wehrle Gomide

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