Aficionados por touradas fazem provocações e insultos machistas a manifestantes em Bilbao

Aficionados por touradas fazem provocações e insultos machistas a manifestantes em Bilbao

No último dia 24, a organização Colectivo Antitaurino y Animalista de Vizcaya se manifestou diante da Praça de Touros de Vista Alegre, em Bilbao, na Espanha, pedindo o fim das touradas. “Isto não é cultura, é maus-tratos”, reivindicaram.

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A penúltima corrida de touros da Semana Grande de Bilbao foi marcada por frases contra os maus-tratos a animais. Antes de entrar na Praça de Touros de Vista Alegre, os aficionados por touradas encontraram uma manifestação com cerca de 300 pessoas que pediam o fim da tauromaquia. “Seus ingressos estão manchados de sangue”, diziam aos espectadores que se dirigiam para a arena. Alguns deles responderam zombando e com ofensas machistas.

“Nós sabemos que eles estão nervosos”, disse Kontxi Reyero, porta-voz do CAAB – Colectivo Bizkaia Antitaurina y Animalista antes da manifestação, uma organização que hoje tenta recursos administrativos para conter a licitação da praça de touros por mais 15 anos. De fato, a cidade teve que estender este ano o contrato com seus atuais gerentes, da empresa Chopera, para garantir que esta semana também tivesse corridas.

“Há 25 anos realizamos este tipo de concentração. Houve uma época em que a polícia antidistúrbios Ertzaintza nos atacava. Em uma ocasião me multaram em 600 euros sob a acusação de que eu havia gritado “assassinos” aos taurinos, e eu aparecia como responsável pela convocação”, recorda Reyero.

A mobilização deste ano foi convocada às 17h00 em frente à Praça de Touros de Vista Alegre, onde a cada Semana Grande morrem 54 touros. A tourada, anunciada como as restantes da semana no programa oficial das festas da cidade de Bilbao, teria início às 18h00. À medida que se aproximava a hora e os taurinos começavam a chegar ao local, o ambiente foi ficando cada vez mais tenso. “Eles costumam nos xingar com insultos machistas, e isso é algo que os define com perfeição”, dizia Sandra Santibañez ao jornal Público, uma ativista de Bilbao que luta pelos direitos dos animais e que cada ano participa deste protesto. “Eles ficam muito violentos”, acrescenta Reyero.

“Filhos da mãe”

Quando ainda faltava uma hora para o início da concentração, vários policiais municipais já estavam presentes fora da Arena. Enquanto isso, os organizadores distribuíam cartazes com a frase “isto não é cultura, é maus-tratos”. “Filhos da mãe”, gritaram quatro jovens que nesse momento passavam dentro de um carro. 

Dentro da arena, os primeiros espectadores faziam fotos dos manifestantes com seus celulares. “Eu lhes peço, por favor, que ninguém caia em provocações”, dizia Reyero com seu megafone. “Temos que usar a razão, porque nós a temos”, afirmou. Neste momento já havia duas viaturas da polícia em frente ao edifício.

Então começaram as palavras de ordem contra as mortes dos touros. “Essa “praça” nós vamos fechar”, diziam. “Lindas putas no paredão”, respondeu um taurino que passava em frente à concentração. Outros se aproximaram atrás do cordão de isolamento onde estavam os manifestantes, zombando deles. 

Quando faltava meia hora para o início da tourada, a Ertzaintza retirou alguns espectadores que faziam gestos provocativos do lado de fora da arena. À medida que a tarde avançava e mais taurinos chegavam, a zombaria e gritos aos manifestantes foram aumentando.

Um bispo toquista

Um dos momentos mais marcantes aconteceu por volta das 17h45, quando apareceu um indivíduo vestido de bispo. Muitos pensaram que se tratava de uma despedida de solteiro, mas na realidade se tratava de Pablo de Rojas, autodenominado bispo da ultraconservadora Igreja Tuquista. 

“Como vocês viram, a entrada foi totalmente ridícula. Já podemos ir contentes desta praça”, afirmou Reyero pouco depois. A concentração se converteu em passeata e percorreu várias ruas de Bilbao. A praça de Vista Alegre, onde já estava tudo preparado para que vários fossem selvagemente mortos novamente, ficava para trás.  

Pablo de Rojas, autodenominado bispo da ultra conservadora Igreja Thuqista. D. A. (Danilo Albin)

Por Danilo Albin / Tradução de Flavia Luchetti

Fonte: Público

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