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Agente de conservação do Canadá mata filhote de urso com injeção letal

Por Elizabeth McSheffrey / Tradução de Alice Wehrle Gomide

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No dia 6 de maio, um agente de conservação da vida selvagem da Columbia Britânica matou um filhote de urso negro que Tiana tinha resgatado e cuidado em sua casa, a aproximadamente 50 km ao nordeste da cidade de Dawson Creek.

“Ele simplesmente tirou ele de lá como se o filhote fosse um excremento infectado enquanto ele ainda estava rugindo e arfando, tentando respirar”, disse Jackson, segurando as lágrimas. “Eu gritei, implorei e pedi, mas ele disse que esse era o modo mais humano, que ele tinha que ser morto”.

O agente de conservação administrou uma injeção no urso e o matou em menos de duas horas após Jackson tê-lo encontrado deitado na beira da estrada perto de Dawson Creek, provavelmente esperando por sua mãe. Ela o levou para o pasto cercado em sua casa rural para prevenir que ele morresse de fome, se afogasse ou se perdesse antes da chegada do agente.

Ele foi mantido em um canil grande, recebeu água e comida, e estava rolando na grama quando ele foi considerado impróprio para reabilitação.

“Foi horrível”, ela disse. “Eu tenho fotos do urso bem responsivo, acordado e alerta. Ele parecia feliz e aliviado por não estar sozinho”.

Um centro da vida selvagem se ofereceu para cuidar do filhote

O noivo de Jackson, Tyler Olson, já tinha confirmado na tarde daquele dia que o centro Northern Lights Wildlife Society, em Smithers, C.B. iria reabilitar o filhote e depois soltá-lo na natureza. O centro já estava cuidando de outros dois filhotes órfãos e estava feliz por receber mais um. Na realidade, a organização de conservação diz que já reabilitou com sucesso mais de 350 ursos negros em 26 anos.

Na Columbia Britânica, entretanto, um agente de conservação deve aprovar a reabilitação, e neste caso, o agente não retornou as incontáveis ligações da sociedade de vida selvagem antes de aplicar a injeção no filhote dentro da propriedade do casal. O Ministério do Meio-Ambiente da C.B. confirmou mais tarde que o urso foi morto de uma “maneira humana” aproximadamente 20 minutos após o agente ter ido embora do local.

“Depois que o urso foi morto, eu recebi uma ligação do supervisor do agente de conservação”, disse Angeliza Langen, cofundadora da sociedade da vida selvaagem. “Ele me disse que o agente de conservação decidiu que o filhote não era adequado para reabilitação porque ele estava completamente indiferente”.

O Ministério do Meio-Ambiente rejeitou um pedido de entrevista sobre o assunto. Ao invés disso, ele enviou uma declaração ao site National Observer que defendia seu agente de conservação e disse que o urso estava em péssimas condições de saúde.

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O governo da C.B. mantém sua decisão

“Nem um único agente de conservação aprecia ter que aniquilar um animal”, disse a declaração do Ministério do Meio-Ambiente. “A determinação da adequabilidade para a reabilitação do filhote de urso é feita usando vários fatores, incluindo: saúde ou lesões, grau de habituação, grau de condicionamento alimentar e histórico de conflito”.

Apesar do ministério dizer que Jackson sem dúvida foi “bem-intencionada” ao resgatar o filhote, tais interações podem fazer com que os ursos não tenham medo dos humanos mais tarde. Ursos adultos que não temem pessoas podem causar ferimentos graves ou até matá-las, ele explicou, e a eutanásia frequentemente pode ser prevenida ao manter os animais selvagens na natureza.

“Ursos e filhotes que estão condicionados à presença de pessoas ou fontes de alimentos humanos não são candidatos para realocação ou reabilitação”, disse a declaração. “Mas se ursos não são permitidos a ficarem confortáveis ao redor de pessoas, e não possuem acesso rápido a fontes de alimentos humanos, existem mais opções disponíveis para lidar com eles”.

A declaração na realidade representou uma mudança na antiga política do governo da C.B. que dizia que filhotes de ursos “devem ser mortos em todas as situações”.

Uma política de matar filhotes de urso?

“Devido à quantidade limitada de recursos disponíveis, a falta de preocupação pela conservação dos Ursos Negros, a preocupação com a segurança pública e a falta de dados científicos sólidos que apoiem o sucesso de filhotes resgatados e retornados à natureza, filhotes órfãos de ursos frequentemente tem sido eutanasiados”, disse um relatório de uma avaliação do governo que foi finalizada em 2000.

A avaliação concluiu que filhotes órfãos de ursos provavelmente não iriam sobreviver por conta própria se deixados na natureza. Por outro lado, de acordo com a Agência de Vida Selvagem do governo de Manitoba, estudos mostraram que mais de 40 por cento dos filhotes que ficaram órfãos no final de maio ou depois sobrevivem por conta própria.

A legislação da província de C.B. agora foi atualizada a partir da política de “matar em todas as situações”, e as decisões são feitas “baseadas em cada caso”, de acordo com o Ministério do Meio-Ambiente.

“Quando necessário, as decisões são feitas em consultas entre o veterinário de vida selvagem da província, os biologistas do departamento regional de vida selvagem e o supervisor do agente de conservação, levando em consideração todos os fatos disponíveis no momento”, de acordo com a declaração enviada ao site National Observer. “Procedimentos atuais permitem que os filhotes de ursos daquele ano sejam reabilitados em uma instalação aprovada, se eles são considerados bons candidatos”.

A declaração não confirmou se um veterinário, o supervisor, ou um biologista foram consultados na morte do filhote dentro da propriedade de Jackson e Olsen.

Em um caso bem documentado de misericórdia animal no verão passado, o governo puniu o agente de conservação Bryce Casavant por ter se recusado a matar dois filhotes de urso. O agente foi suspenso de seu trabalho por pedir para reabilitar os animais quando sua mãe foi morta por invadir repetidamente o freezer de um trailer em Port Hardy, C.B.

Sua suspensão gerou revolta pelo país, com quase 310.000 assinaturas em uma petição online pedindo que ele seja reintegrado, mas Casavant se recusou a voltar para seu antigo trabalho.

Uma legislação mais rigorosa é necessária

Inspirados em parte pelo exemplo, Jackson e Olso agora se tornaram ativistas de regulações provinciais mais rigorosas relativas ao uso de força letal quando se trata de encontros com animais selvagens. Eles estão contatando grupos ativistas dos direitos dos animais ao redor da província, e se comprometeram a continuar resgatando qualquer animal que eles vejam que esteja correndo risco na natureza.

“Para um caso como este, eu acredito firmemente que toda vida merece uma chance”, Olson disse ao National Observer. “O filhote estava perfeitamente saudável. Essa norma é um lixo. Um filhote como aquele deveria ter sido avaliado por um especialista em reabilitação antes de terem tomado uma decisão como aquela”.

Sua posição é apoiada pela Association for Protection of Fur-Bearing Animals (APFA – Associação pela Proteção dos Animais com Pelos), que vem pressionando o governo de C.B. há anos para tornar mais rigorosas as leis de vida selvagem:

“O público merece transparência”, disse a diretora executiva Lesley Fox. “Que garantia é dada ao público de que cada opção não letal foi avaliada até a exaustão antes? O público claramente já declarou que não apoia isto, particularmente quando outras opções como centros de reabilitação de animais selvagens estão disponíveis”.

De acordo com uma estimativa do governo da Columbia Britânica, cerca de 700 ursos negros são mortos anualmente por agentes de conservação por toda a província.

Atualização de 12 de maio de 2016

O Ministério do Meio-Ambiente da Columbia Britância se recusou a confirmar que o urso foi morto por uso de injeção letal, o qual foi a declaração inicial de Tiana Jackson. Ele não revelou o método utilizado para eutanasiar o urso ou onde o corpo do animal foi descartado.

Fonte: National Observer 

Nota do Olhar Animal: Lembrando mais uma vez que assassinos de animais comumente chamam de “eutanásia” a morte provocada por razões nada misericordiosas e sim em bichos que não estão em condições graves e irreverssíveis de saúde. Buscam enconder sua ação hedionda sob a palavra “eutanásia”, usada de forma eufismística. 

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