Alunos de veterinária vão prestar atendimento gratuito a cavalos de carroceiros em Belo Horizonte, MG

Alunos de veterinária vão prestar atendimento gratuito a cavalos de carroceiros em Belo Horizonte, MG
Alunos e professores do curso de Medicina Veterinária vão avaliar clinicamente cavalos de carroceiros. (Foto: UNA/Divulgação)

Uma ação social vai prestar atendimento gratuito, neste sábado (7), a cavalos de tração da Região Norte de Belo Horizonte. A iniciativa faz parte de um projeto do curso de medicina veterinária da Una Linha Verde, localizada na Vila Suzana. O objetivo é contribuir para a causa animal, informando os tutores e avaliando a saúde dos animais.   

“Esse projeto visa ao atendimento social de animais, tanto pets como grandes animais. E ele conta com pequenas ações, entre elas o atendimento de cavalos resgatados ou de carroceiros. Muitas vezes, os donos não têm condições de arcar com o atendimento médico veterinário, e os animais de tração não recebem os cuidados necessários”, explica o médico veterinário e diretor da unidade Bruno Antunes Soares. 

Os organizadores esperam atender a até 30 animais no dia do evento, principalmente vindos da região do Vetor Norte. “A gente já sabe que existe uma população bem densa de carroceiros nesta região de Venda Nova, Vila Clóris, Vila Suzana, Primeiro de maio”.  

O atendimento é gratuito, já que se trata de um projeto social. Os tutores interessados podem entrar em contato com a instituição e fazer o agendamento por whatsapp, no número (31) 99522-8169.

O atendimento começa a partir das 13h, com horários marcados até as 16h. Todas as normas de prevenção à COVID-19 serão adotadas, como uso obrigatório de máscaras e distanciamento entre os atendidos. 

Atendimento

Soares explica que os alunos passam por vários treinamentos com professores especialistas para saber como fazer a abordagem clínica. No sábado, os estudantes, supervisionados pelos professores, vão fazer o atendimento clínico e a avaliação nutricional do animal, além de algumas recomendações básicas de nutrição e prevenção de doenças. 

“Caso o animal precise de um atendimento específico ou internação, a gente faz a recomendação de possíveis hospitais ou clínicas para onde esse animal pode ser direcionado”, conta.

Segundo ele, isso não é muito comum porque os carroceiros utilizam o animal no dia-a-dia, então não deixam o cavalo chegar a uma situação muito crítica. “Mas, às vezes, são necessárias algumas recomendações básicas, como cuidados odontológicos, nutricionais, vermifugação e cuidados antiparasitários”, descreve. 

O atendimento é feito em etapas. Um grupo faz a avaliação física do animal, outro faz a vermifugação e as recomendações de prevenção contra parasitas e um último realiza a avaliação clínica do animal.

“Havendo necessidade fazemos uma análise odontológica porque os cavalos têm vários problemas odontológicos que necessitam de tratamento mesmo, podendo afetar sua condição nutricional e corporal. Dependendo do caso, a gente faz um reagendamento para um retorno apenas odontológico, que envolve a retirada de cáries e placas”, finaliza. 

Carroceiros

Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), existem pelo menos cinco mil carroceiros na capital.

Desde dezembro de 2018, existe um acordo entre o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Coordenadoria Estadual de Defesa da Fauna (Cedef); a PBH, a BHTrans e o Instituto Abolicionista Animal quanto às condições de regularização dos veículos de tração animal que circulam na capital mineira.

Por Mariana Costa, estagiária sob supervisão da subeditora Kelen Cristina

Fonte: Estado de Minas Gerais


Nota do Olhar Animal: Os cavalos usados em carroças precisam de ajuda de terceiros para os cuidados com os animais porque a exploração dos equinos não gera recursos suficientes para que os carroceiros sustentem suas famílias e cuidem devidamente do animal (alimentação, veterinário, etc.). O custo para manter um cavalo é alto e por conta disso os cuidados são negligenciados. E esses animais são permanentemente submetidos a situações de maus-tratos, várias delas inerentes à atividade, o que aumenta a necessidade de cuidados e as despesas decorrentes disto.  Triste ver que uma ONG que se denomina “abolicionista” aparece como participante de ações de regulamentação da exploração animal e não como personagem da luta pelo fim da exploração, que está avançando por conta dos ativistas que se mantêm firmes na defesa dos interesses dos animais. Paquetá, Petrópolis e outras frentes de ação atestam isso.

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