Ambientalistas se manifestam contra degradante situação de animais na Feira de Abril de Sevilha

Ambientalistas se manifestam contra degradante situação de animais na Feira de Abril de Sevilha

Tradução de Flavia Luchetti

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A associação Ecologistas en Acción prestou denúncia no Laboratório Municipal de Sevilha e na Delegação Territorial de Agricultura, Pesca e Meio Ambiente da Junta da Andaluzia sobre a situação “degradante” em que se encontram os animais apresentados nas atrações da Feira de Abril e no espetáculo do Gran Circo Mundial, e pediu informações tanto “administrativas como legais” da situação dos mesmos.

Em comunicado divulgado na quinta-feira (24), a associação lamenta o “lado miserável” apresentado na Feira com “a situação degradante dos pôneis nos carrosséis e dos animais no circo, que demonstra uma total falta de empatia e responsabilidade pelo bem estar destes animais”.

Citando informações do site da prefeitura de Sevilha, Ecologistas en Acción observa que há “cinco atrações com pôneis e a licença concedida para a apresentação do espetáculo do Gran Circo Mundial”, que chocam frontalmente com a normativa do Estatuto Municipal de Sevilha e com a Lei 11/2003 de 24 de novembro da Proteção de animais da Junta de Andaluzia, que proíbe “a diversão à custa da exploração e privação da liberdade dos animais”.

Proibições como a de “submetê-los a práticas que lhes ocasione sofrimento” ou de “mantê-los em lugares ou instalações indevidas”, são negligenciadas pelos funcionários da prefeitura responsáveis pela fiscalização. Ecologistas em Acción considera que “qualquer prática que utilize animais em exibições, circos, publicidade, festas populares e outras atividades supõem para o animal sofrimento e dor”, e que “espetáculos deste tipo, onde é permitido se divertir a custa do sofrimento de outros seres vivos não contribuem em nada para a educação e respeito aos animais que deveria ser transmitido às crianças”.

Na Feira, os pôneis são “submetidos a tratamento humilhante”, ao serem forçados a dar no mínimo de duas a três mil voltas a cada dia, suportando agressões acústicas de 130 decibéis que resultam em surdez e estresse, dores na coluna vertebral, pois as selas de montaria não estão adaptadas ao seu tamanho, e danos na visão até cegueira parcial devido à intensidade dos holofotes.

Este tipo de atração põe em risco a saúde e a segurança da população, porque as selas de montaria não são adequadas e não dispõem de nenhum sistema de segurança para as crianças. Os pôneis fazem suas necessidades fisiológicas enquanto dão voltas com as crianças montadas, a urina e fezes ficam impregnadas no chão de madeira da atração, e durante as horas que a atração está ativa, não há limpeza ou desinfecção. Não existem medidas de segurança sanitárias na gestão dos resíduos, não há estrumeiras impermeabilizadas e os excrementos são recolhidos e depositados em tambores de plástico, bem ao centro do carrossel, ao alcance dos menores.

A associação acrescenta que “qualquer criança que tropece e caia no chão, pode se contaminar com bactérias como a ‘Escherichia coli‘, ocasionando graves problemas intestinais”.

Os pôneis da Feira “não tem nenhum tipo de controle higiênico-sanitário por parte das autoridades veterinárias competentes durante o período de funcionamento da atração”, Ecologistas acrescentam que os circos são “espetáculos culturais de entretenimento e lazer, e que deveriam ser compatíveis com o respeito e direitos dos animais”, mas “a situação deles, especialmente nos bastidores, costuma ser bastante lamentável”.

“Estes animais, muitas vezes foram retirados de seu habitat, passando a maior parte de sua vida amarrados ou presos em jaulas, com espaço mínimo para se mover”, segundo Ecologistas, “atrações em que a liberdade e dignidade de um animal se vê reduzida em prol da diversão oferece uma visão distorcida da realidade e é antieducativa, especialmente para as crianças”.

O grupo convida a Prefeitura de Sevilha a “juntar-se a outros muitos municípios que já proibiram este tipo de atrações”; especificamente, Jerez de la Frontera, Sanlúcar de Barrameda, Chiclana de la Frontera (Cádiz), Granada, Almería, Villanueva del Río y Minas, Tocina (Sevilla), Santander, Basauri, Pamplona y Torrelavega.

Fonte: Sevilla Actualidad

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