Angola está a perder 10% dos seus elefantes por ano

Angola está a perder 10% dos seus elefantes por ano

Censo animal detectou um grande problema de caça ilegal no país, afirma a ONG Elefantes sem Fronteiras.

Angola está a perder a sua população de elefantes a uma razão de 10 por cento por ano. Estas são as primeiras conclusões para o país do censo animal que está a ser realizado pela ONG Elefantes sem Fronteiras, que está a sobrevoar vários países do continente para contar os grande animais desde Fevereiro de 2014, e acaba de terminar os seus trabalhos em Angola.

Em entrevista à National Geographic, o investigador-chefe do censo, Mike Chase, disse que a situação em Angola é preocupante. “A taxa de mortalidade dos elefantes é a maior do censo até agora”, afirma. “Foi um autêntico choque. Devido às altas taxas de migração de elefantes de Botswana para Angola, esperávamos muito mais animais. Pensava que Angola seria um dos últimos santuários que escapava à caça de elefantes”.

Segundo o investigador, Angola tem hoje cerca de 3400 elefantes, na região dos rios Cuito, Cuando e Cubango. Logo após a guerra, em 2003, havia 350 elefantes no país, altura em que os animais começaram a vir do Botswana em grande quantidade, mas nos últimos anos o número começou a decair. O motivo para esse decréscimo é a caça ilegal, ainda segundo a ONG.

“Percebi isto no primeiro dia, quando vimos quatro elefantes mortos muito próximos um dos outros, numa posição que sugeria um tiro na cabeça e uma morte imediata. E, no caso de vários outros elefantes encontrados mortos, vimos as presas retiradas. Elefantes que têm morte natural não morrem próximos uns dos outros”, explica o investigador, que fez a sua tese de doutoramento sobre os elefantes de Angola em 2003, e participou em contagens nos anos seguintes, quando constatou a recolonização de uma terra por eles abandonada devido à guerra.

O censo apontou ainda que devido à baixa capacidade de proteção e as políticas repressivas na Namíbia e no Botswana, Angola pode tornar-se no próximo destino dos caçadores ilegais. A ameaça tem mudado até o comportamento dos elefantes. “A maior horda de elefantes até agora no censo foi identificada em Angola, com 550 animais. Este é um sinal de trauma e stress, quando grupos se juntam numa mega-horda para estarem em segurança. Além disso os animais estão a ter hábitos nocturnos. São tão perseguidos que precisam de viver na escuridão”.

Os resultados do censo foram enviados ao governo, que apoiou a iniciativa, e, segundo investigador, não estava a par da dimensão do problema. “Eles estavam conscientes de que os elefantes estão a ser caçados, mas não sabiam da magnitude do problema, e prometeram fazer tudo o que está ao seu alcance para combater esta matança”.

O censo, no entanto, trouxe boas notícias. Devido à grande dimensão do país e de áreas não habitadas, Angola não tinha sequer a consciência do tamanho da população de alguns animais, como a existência de 11 mil búfalos. Caso a caça consiga ser combatida, a população de elefantes pode chegar até 6 mil animais nos próximos anos.

Fonte: Rede Angola / mantida a grafia original 

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