Animais deficientes sofrem dificuldades para encontrar um lar

Animais deficientes sofrem dificuldades para encontrar um lar
Logan perdeu uma patinha, mas brinca normalmente com outros cães (Foto: Mariana Reis/Arquivo Pessoal)

Atuando há dois anos como protetora, a designer Mariana Reis também oferece lar temporário a alguns dos animais resgatados em Governador Valadares, MG, enquanto eles não encontram uma nova família que os acolha com amor. Nessa situação, ela abriga cinco cães e um gato, além dos bichinhos que ela mesma possui; uma cadela e quatro gatos. Entre os resgatados, quatro animais possuem algum tipo de deficiência, sendo o cãozinho Logan o que chama mais atenção.

“Ele foi resgatado há cerca de um ano, foi atropelado em uma BR, num domingo, mas nós só ficamos sabendo na quarta-feira. Deu muito trabalho para resgatar, ele estava assustado. Quando conseguimos levar ao veterinário, teve que amputar uma das patinhas da frente, que já estava necrosada por conta dos vários dias que ele ficou sem atendimento”, lembra a protetora.

Mariana e Silvana com Logan (de colar elizabetano) e outros cães resgatados (Foto: Zana Ferreira/ G1)
Mariana e Silvana com Logan (de colar elizabetano) e outros cães resgatados (Foto: Zana Ferreira/ G1)

Se no início Logan sofreu com a recuperação, e chegou a morder o local da amputação, hoje tudo isso são águas passadas. Junto de seus companheiros ele corre, brinca, pula e se diverte normalmente com os outros animais da casa. Apesar disso, há meses ele espera por um novo dono que o ame e o leve para casa.

“Ele tem uma cor muito bonita e é muito carinhoso, daí em toda feira de adoção as pessoas comentam ‘que lindo, mas…’. Ninguém diz que é por conta da deficiência, mas a gente sente. Porém ele é um cãozinho normal, cheio de amor para dar”, destaca Mariana.

Para a designer, a adoção de animais deficientes é mais difícil que de outros, devido ao preconceito e ao receio de que o animal demande mais trabalho que o normal, o que nem sempre ocorre. Quando de fato a deficiência acarreta em cuidados a mais, a adoção fica ainda mais distante.

Por esse motivo, a cadelinha Jujuba levou três anos para ser adotada. Devido a uma doença que teve quando filhote, ela não possui os movimentos das duas patas traseiras, e precisa trocar de fralda três vezes por dia. Foi preciso uma campanha nas redes sociais, com o apoio de artistas globais, para que ela encontrasse um lar amoroso, mesmo que a 1.100 quilômetros de distância.

Cuidados especiais de Jujuba foram adaptados à rotina da família (Foto: Priscila Freitas/Arquivo Pessoal)
Cuidados especiais de Jujuba foram adaptados à rotina da família (Foto: Priscila Freitas/Arquivo Pessoal)

A Presidente da Associação de Proteção e Bem-Estar Animal (Aprobem), Silvana Soares, conta que há dois anos, quando a Priscila se candidatou para adotar a Jujuba, foram feitas várias entrevistas pela internet antes de levar a cadelinha para o novo lar. “Nós tínhamos vários questionamentos, queríamos saber se ela tinha espaço, se tinha outros animais e se eles se adaptariam, também entrevistamos a família dela, porque a partir do momento em que um cão é adotado, toda a família adota, e é preciso que todos estejam de acordo e gostem do animal”, explica.

Com tudo acertado, Silvana e outras duas protetoras viajaram de Governador Valadares até Conceição do Coité, no interior da Bahia. Chegando lá, a dentista Priscila Freitas era só alegria por conhecer o novo pet. “Eu já tinha uma cadela e três gatos, meu receio maior era com os gatos, mas a Jujuba já chegou fazendo amizade com eles. Quando ela chegou foi muito natural, era como se ela sempre tivesse estado aqui, nos identificamos instantaneamente. Foi uma alegria muito grande”, relembra Priscila.

Jujuba usa equipamento especial para passear (Foto: Priscila Freitas/Arquivo Pessoal)
Jujuba usa equipamento especial para passear (Foto: Priscila Freitas/Arquivo Pessoal)

Apesar da atenção a mais que a cadelinha precisa, a dona diz que no dia a dia não há dificuldades, pois os cuidados especiais foram adaptados à rotina da família. Segundo Priscila, apesar de usar a fralda, Jujuba já sabe os horários em que será trocada e deixa para fazer as necessidades perto da hora de ser limpa. E devido ao auxilio de equipamento especial com rodas, passeios pelas ruas fazem parte da rotina dela.

“Sinceramente, a gente até esquece que ela é especial. Tem gente que vê e fala ‘coitadinha’, mas a gente nem percebe a deficiência, pois ela é muito brincalhona e amorosa. Eu adotaria de novo, faria tudo outra vez”, afirma a dona Priscila.

A presidente da Aprobem Silvana Soares destaca que o caso de Jujuba dá forças à entidade para continuar resgatando animais e buscando novas oportunidades para eles: “Temos muitos casos tristes, que nos fazem sofrer, mas essa história nos confirma que estamos no caminho certo e faz tudo valer a pena”. Já a protetora Mariana Reis destaca o carinho dado pelos pets especiais. “São os animais idosos ou deficientes os que são mais leais, que dedicam mais amor para a gente. Quem quer adotar não deve escolher com os olhos, mas com o coração”, conclui.

Por Zana Ferreira 

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