Animais doentes do zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso passam por tratamento

Animais doentes do zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso passam por tratamento

Universidade estuda possibilidade de cobrar ingresso de visitantes. Animais doentes estão em espaços abertos e à vista do público.

Por Denise Soares

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Médicos veterinários da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) tentam melhorar a saúde de um grupo de animais debilitados que vive em cativeiros, dentro do campus em Cuiabá. O aspecto magro e frágil dos animais chamou a atenção de visitantes durante o final de semana. No entanto, a UFMT afirma que o grupo passa por medicação periódica e alimentação reforçada. O local abriga 650 animais, entre mamíferos, répteis e aves.

O zoológico da UFMT foi interditado em 2009 por falta de licenciamento ambiental. Desde então, passa por um processo de reestruturação, mas permanece aberto para visitação. A pedagoga Ivanir Cunha visitou o zoológico neste final de semana e se assustou com a aparência de alguns animais. “Os bichos pareciam estar morrendo de fome e a gente ficou estarrecida. Queremos entender o porquê desses animais estarem assim sofrendo”, disse ao G1.

Algumas denúncias de falta de remédio e falta de ração chegaram até a universidade. Porém, a veterinária e chefe de serviço do zoológico, Sandra Helena Ramiro Corrêa, negou que o local esteja com essas dificuldades. A representante afirma que os profissionais na unidade tentam trabalhar da melhor forma possível, já que o zoológico não conta com uma verba orçamentária própria e sim a que é disponibilizada para toda a universidade.

Para poder se manter, o zoológico recebe doações de empresas que se comprometem a entregar ração e carne para os animais. A universidade também estuda a possibilidade de começar a cobrar ingresso para as pessoas poderem visitar o zoológico, pois seria uma fonte de renda para ajudar na manutenção do espaço.

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O zoológico da UFMT é o único dentro de uma universidade no Brasil. Somente após conseguir o licenciamento ambiental é que a administração do zoológico tem autorização a fazer mudanças nas estruturas e até transferência dos bichos. “Esses animais que estão magros estavam dentro de um grupo que existe uma grande competividade. É normal, em um plantel de animais mais novos, que os mais velhos sejam afetados e com isso emagrecem e ficam mais debilitados. O zoológico não tem estrutura para separá-los e eles acabam ficando expostos ao público”, justificou Sandra ao G1.

A veterinária afirmou que as capivaras, veados e outros animais doentes estão recebendo atenção e cuidados. “Eu não tenho como retirar esse animal desse habitat e colocá-lo em uma sala. É aconselhável deixa-los nos ambientes maiores onde vão receber a medicação periódica e a alimentação reforçada”, disse. Sandra ainda afirma que a taxa de mortalidade do zoológico está dentro do que é considerado normal, se comparado aos outros ambientes destinados aos animais.

Fonte: G1 

Nota do Olhar Animal: Precisamos entender em que contexto esses animais do zoológico da UFMT chegaram às suas dependências. São animais que foram para lá encaminhados por já estarem doentes? Foram animais capturados saudáveis ou advindos de outras instituições e que ali adoeceram? São animais que podem ser reintroduzidos, eles estão se multiplicando?

Essas questões são importantes, porque dependendo quais forem as respostas a instituição merece o apoio da sociedade ou, pelo contrário, deve ser fechada. De qualquer forma, essa desculpa referente ao número de indivíduos e às disputas internas denotam tão somente um erro crasso de manejo. Jamais deve-se permitir que animais em cativeiro disputem a ponto de se machucarem fisicamente, porque em cativeiro os mais fracos não tem opções de fuga. O zoológico é sim responsável por animais que se machuquem em suas dependências, ainda que os ferimentos tenham sido causados por outros animais pertencentes à mesma espécie.

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