Animais marinhos são encontrados com resíduos presos ao corpo em SP

Animais marinhos são encontrados com resíduos presos ao corpo em SP

Em menos de uma semana, o Instituto Biopesca registrou dois animais marinhos com objetos presos em seus corpos na região da Baixada Santista. O G1conversou com o coordenador geral do instituto nesta quarta-feira (3), que explicou o impacto dos resíduos jogados nos oceanos para a vida destes animais.

Segundo o médico veterinário Rodrigo Valle, recentemente, uma tartaruga-cabeçuda foi encontrada em Mongaguá com uma corda presa na boca por um fio grosso – que se estendia até seu trato gastrointestinal. Além disso, uma gaivota foi localizada, em Peruíbe, com linha de pesca enroscada em sua pata esquerda, já praticamente decepada pelo objeto.

“Tivemos registros de muitos casos desse tipo de interação causada pelas ações humanas, tanto de animais marinhos com resíduos presos aos corpos, como de casos de animais que ingerem esses lixos descartados nos oceanos”, explica.

A gaivota precisou amputar a pata esquerda por conta de um grave ferimento causado por uma rede de pesca com anzol e chumbinho em Peruíbe, SP. — Foto: Kaio Nunes/Instituto Biopesca

De acordo com Valle, esses fatores tem grande influência na saúde do animal, podendo levá-lo a óbito ou provocar impactos que o deixem mais vulnerável a qualquer tipo de doença. O especialista acredita que, uma das prevenções é haver, por parte da administração pública, o destino adequado ao lixo produzido.

“O mais importante ainda é a mudança na conscientização da sociedade. Não só em não descartar o lixo consumido no mar, separar ou reciclar, mas também em mudar a forma de consumo, já que o mercado se molda de acordo com o que o consumidor procura”, destaca.

Segundo o especialista, o volume de lixo produzido pelos brasileiros ainda é muito grande. “Temos que deixar de utilizar os descartáveis e ter consciência que esses impactos podem acarretar na extinção de espécies marinhas. A mudança deve partir, principalmente, da consciência de cada um”, finaliza.

Animal perdeu a pata após ter rede de pesca enroscada no corpo em Peruíbe, SP. — Foto: Kaio Nunes/Instituto Biopesca

Monitoramento das praias

O Instituto Biopesca é uma das instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos. O Instituto Biopesca monitora o Trecho 8, compreendido entre Peruíbe e Praia Grande.

Para acionar o serviço de resgate de golfinhos, tartarugas e aves marinhas, o o médico veterinário Rodrigo Valle orienta que entre em contato pelos telefones 0800 642 3341 (horário comercial) ou (13) 99601-2570 (chamada a cobrar).

Animais são encontrados com objetos presos ao corpo em praias do litoral paulista. — Foto: Kaio Nunes/Instituto Biopesca

Fonte: G1

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