Animais que desaparecem da Índia: ‘O problema está com a gente’

Animais que desaparecem da Índia: ‘O problema está com a gente’

O pangolim indiano e a tartaruga estrela estão entre as espécies que estão sendo mortas ou contrabandeadas em grande quantidade.

Por Nilima Pathak / Tradução de Júlia Andrade Lima

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Mesmo que a Índia continue conservando animais como tigres e elefantes, outros animais de espécies menos reconhecidas estão desaparecendo da natureza.

“O problema é que nós estamos fechando os olhos para todas as espécies que são menos conhecidas” diz Belinda Wright, diretora e advogada da Wildlife Protection of India. E de repente esse comércio lucrativo foi autorizado a explodir, acrescenta ela.

Uma diminuição rápida em certos habitats na Índia, resultou na adição de 253 novas espécies na lista de animais que estão sendo ameaçados de extinção em apenas 2 anos.

Especialista em proteção dos animais selvagens da Índia, dizem que a grande demanda da China e países do Sudeste Asiático tem ajudado a impulsionar o comércio de aves exóticas.

Enquanto alguns são mantidos como animais de estimação, outros são consumidos por suas supostas propriedades medicinais. Além disso, comer carne de espécie rara é considerado afrodisíaco, e servir o mesmo para os hóspedes, é considerado um símbolo de status.

Cascos, peles, ossos, penas e presas de mais de cem animais, são considerados importantes ingredientes na preparação de supostos curativos e preventivos medicinais. Os “remédios” são usados para problemas gástricos, fisioterapia respiratória, doenças reumáticas e outras moléstias.

Em um artigo, Maneka Gandhi, ministra federal e diretora dos direitos dos animais mencionou “Nós criticamos a medicina tradicional chinesa por usar e contrabandear um grande número de animais na Índia para satisfazer essas necessidades – ursos, tigres e escorpiões. Mas nós fazemos exatamente as mesmas coisas em nossos chamados “medicamentos tradicionais indianos”.

O pangolim indiano, um animal escamoso e a tartaruga estrela, um animal de estimação popular, estão entre as espécies que estão sendo mortas ou contrabandeadas em grande quantidade.

De acordo com o Worcester Polytechnic Institute (Insistuto Politécnico de Wordcester) “O comércio de pangolim já foi obscurso na Índia, com uma média de apenas três mortes reportadas por caçadores entre 1990 e 2008. Mas subiu para uma média de mais de 320 entre 2009 e 2013.

A International Union for the Conservation of Nature (IUCN) estima que mais de um milhão de pangolins foram caçados de habitats na Ásia e na África. The IUCN Red List considerada a mais abrangente do mundo, listou 374 espécias da Índia que são vulneráveis e outras 274 que estão em vias de extinção, ou sériamente ameaçadas, correndo o risco de extinção

Da mesma forma, Zoological Survey of India revelou em 2012, os dados da rápida redução do habitat adequado em toda a Índia, que resultou na adição de 253 novas espécies de animais selvagens na lista das espécies ameaçadas em apenas dois anos.

O número de espécies ameaçadas de extinção em 2010, foi de 190, que teve um aumento enorme para 443, em 2012. The ZSI List foi dividida em cinco categorias: mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes. Destes, as aves foram os mais atingidos, com 139 espécies na lista em 2012 – um aumento de 57 em 2010.

Os especialistas disseram que ZSI, uma instituição que tem mais de 100 anos, está repleta de problemas e não foi capaz de realizar levantamentos de espécies ameaçadas de extinção, o que era o seu principal objetivo. Eles também culparam a falta de conhecimento entre os funcionários e guardas de fronteiras sobre as espécias que deveriam proteger e fazer esforços para impedir o comércio ilegal.

Da mesma forma, a cada ano, centenas de golfinhos, crocodilos, abertada, rinoceronte, antílopes, asnos, mabecos (cães selvagens), langur-de-nilgiri (uma espécie de macaco), panda vermelho e lagartos são caçados e um número estimado de 700.000 aves estão ilegalmente presos e cerca de 70.000 de tubarões são capturados, porém, os níveis de exploração sobre essas espécies passaram despercebidos.

Fonte: Gulf News

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