Animais silvestres apreendidos sofrem com barulho de carros no RJ

Animais silvestres apreendidos sofrem com barulho de carros no RJ

Centro de Triagem tem quase dois mil animais silvestres apreendidos. Empresa para construção do novo Cetas chegou a ser contratada em 2010.

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Muitos animais silvestres que sofrem maus-tratos e acabam apreendidos são levados para uma unidade de tratamento em Seropédica, na Baixada Fluminense. O problema é que esse centro fica ao lado do Arco Metropolitano e o barulho dos carros tem alterado o comportamento dos bichos, como mostrou o RJTV.

Nos viveiros, os tucanos estão reaprendendo a voar. O Centro de Triagem de Animais Silvestre (Cetas) em Seropédica tem quase dois mil animais apreendidos em operações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

O Cetas foi construído no coração da Floresa Nacional Mario Xavier, lugar ideal para a reabilitação dos bichos, que tem a chance de voltar pra natureza. Mas desde que o Arco Metropolitano foi construído, uma rodovia de duas pistas que corta o interior do estado dividiu a floresta, e agora o canto dos pássaros se mistura ao ruído dos motores.

Segundo Taciana Sherlock , veterinária do Ibama, os animais silvestres são animais que precisam passar por um processo de desumanização. “Quanto mais longe, e mais afastado, e mais sossegado é o local, melhor para eles, no sucesso de reabilitação deles em vida livre”, disse a veterinária.

O Cetas passou por reforma para amenizar o problema. Paredes e portas foram reforçadas para garantir o isolamento acústico. Mesmo assim, o barulho centro do local é muito grande porque carros e caminhões passam a menos a menos de 50 metros. O licenciamento ambiental dessa estrada só foi concedido com a promessa de construir um novo centro numa região protegida, mas nunca saiu do papel.

A licença para a construção da rodovia, com o compromisso de construir um novo Cetas é de junho de 2008. Em nota, a Secretaria de Obras do Estado do Rio disse que, em 2010, chegou a contratar uma empresa para a construção do novo Cetas, mas a licitação foi anulada porque o Instituto Chico Mendes, responsável pela gestão da Floresta Nacional, discordou do local indicado.

Ainda de acordo com a secretaria, uma nova licitação está em andamento e as obras devem começar no segundo semestre. O Instituto Chico Mendes não comentou o caso.

Fonte: G1

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