Antiga aluna da FEUP lança campanha de crowdfunding de cosmética vegan e biológica

Antiga aluna da FEUP lança campanha de crowdfunding de cosmética vegan e biológica
Os produtos da marca VeganCare não são testados em animais.  

Sofia Vieira, antiga aluna da FEUP, lançou uma campanha de crowdfunding para angariar fundos para a construção de um laboratório para a empresa que criou: a VeganCare. A marca de cosmética biológica e vegana está a desenvolver protótipos amigos dos animais e do ambiente.

A VeganCare criou uma campanha de crowdfounding com o objetivo de lançar no mercado uma série de protótipos que estão a ser desenvolvidos pela empresa.  A marca portuguesa de cosmética biológica e vegana nasceu em 2013 e procura, agora, angariar dinheiro para montar um laboratório próprio.

Os produtos desenvolvidos pela VeganCare destacam-se por não conterem qualquer ingrediente de origem animal, não serem testados em animais e serem produzidos com recurso a ingredientes provenientes da agricultura biológica.

Sofia Vieira, responsável pelo projeto, falou ao JPN sobre o objetivo desta campanha: “Desde 2013 fomos desenvolvendo alguns protótipos que gostaríamos de colocar no mercado. Temos a necessidade de montar um laboratório e gostaríamos de ter um espaço onde pudéssemos produzir uma quantidade que pudesse escoar os produtos para lojas online e lojas físicas.”

“Se o valor máximo não for atingido o dinheiro será devolvido aos apoiantes.”

A engenheira química formada na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) contou que a marca já “conseguiu angariar pouco mais de 3000 euros”, o que significa que a VeganCare “atingiu até ao momento 7% do objetivo final”. A empresa estabeleceu um valor máximo de 46.450€. Se este valor não for atingido ao fim dos 33 dias “o dinheiro será devolvido aos apoiantes”.

Caso o valor seja atingido, os apoiantes da causa vão receber recompensas da VeganCare que podem ser “um produto ou peças de merchandising ligadas à marca”. No desenvolvimento destes protótipos, a VeganCare teve o apoio da FEUP através do LEPABE (Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia).

Em declarações ao JPN, Sofia Vieira explicou que os protótipos desenvolvidos pela VeganCare se distinguem do que já existe no mercado, porque não usam “ingredientes de origem animal e/ou que sejam testados em animais”. Para além disso, usam preferencialmente “ingredientes provenientes de agricultura biológica”.

O champô sólido é um dos produtos que mais distingue a VeganCare. (Foto: Facebook VeganCare)

Dos 27 protótipos que estão a ser desenvolvidos, a marca está a apostar mais nos champô sólidos. A investigadora apontou que é uma “mais valia e a procura e o reconhecimento são grandes por parte das pessoas”. O champô sólido é muito diferente do convencional e tem sido muito procurado por viajantes porque é prático “para usar nos aviões” e acaba com os problemas de “líquidos que vertem nas malas”.

“As pessoas têm cada vez mais preocupações éticas, preocupam-se com o bem estar dos animais e com a sua própria saúde.”

A empresa está a apostar em três mercados: o orgânico, o vegano e o das viagens. Os dois últimos são mercados em expansão, na opinião da responsavél pelo projeto: “As pessoas têm cada vez mais preocupações éticas, preocupam-se com o bem estar dos animais e com a sua própria saúde. Procuram produtos orgânicos, produtos sem pesticidas e nós percebemos que o mercado dos biológicos está em expansão”.

A VeganCare defende os conceitos de cruelty free e veganismo. O cruelty free prende-se com a não utilização de produtos de origem animal bem como a recusa de produtos que tenham sido testados em animais. O veganismo partilha os mesmos ideais, mas vai um pouco mais além. Sofia Vieira explica que as pessoas que têm uma filosofia de vida vegana “não comem nada de origem animal, não vão a espetáculos onde sejam usados animais, não usam roupas com materiais extraídos de pele de animais”.

O veganismo em Portugal é cada vez mais uma realidade aceite pela sociedade, na opinião de Sofia Vieira: “Apesar de não estarmos ao nível de países como a Alemanha, Reino Unido ou Estados Unidos da América, há cada vez mais um maior número de veganos em Portugal e a mentalidade já não é tão fechada”.

Aquando da criação da empresa, a investigadora “sentiu a necessidade” de encontrar sítios onde se vendessem produtos vegan e acredita que atualmente já “surgem mais negócios ligados ao veganismo”.

Por Filipe Rodrigues Ferreira / Edição: Sara Beatriz Monteiro

Fonte: JPN / mantida a grafia lusitana original

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