Após 38 anos, Sociedade Protetora dos Animais está de casa nova

Após 38 anos, Sociedade Protetora dos Animais está de casa nova
Foto: Franklin de Freitas

A Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba (Spac) está com casa nova. Fundada em 1972, a instituição estava desde 1979 no mesmo endereço, na Rua Professora Sandália Monzon, no bairro Santa Cândida. Desde ontem, contudo, realiza as atividades de clínica veterinária, que auxiliam na arrecadação de recursos para o sustento da entidade, em novo endereço, na Estrada Nova de Colombo, 5.504, também no bairro Santa Cândida.

A mudança, que já vinha sendo planejada há pelo menos um ano, tornou-se realidade no último dia 2, quando a Spac assinou o contrato de locação de sua nova casa, que custará menos da metade que o imóvel antigo — o valor era de R$ 3.245,33 e passará para R$ 1,3 mil (uma diferença de 59,9%), com caução de três aluguéis (R$ 3,9 mil), valor depositado no dia 3 de janeiro.

Diante das necessidades de adaptações no novo local e mudança das atividades da clínica, coincidindo ainda com o custo normal referentes aos atendimentos e folha de pagamento, a mudança acabou por se efetivar ontem. A Spac é uma organização não governamental que sobrevive da colaboração da população e renda da clínica veterinária e não conta com isenção de taxas e impostos, nem com apoio governamental.

Ainda de acordo com a instituição, desde 1996 existe uma ação no Ministério Público que pedia a retirada da sociedade do imóvel na Rua Professora Sandália Monzon devido a quantidade de animais no local. Para agravar a situação, no final de 2009 o próprietário do imóvel solicitou sua desocupação, deixando a entidade ameaçada na Justiça.

Como diz o ditado, contudo, há males que vem para o bem. Das dificuldades a Spac fez surgir uma oportunidade e, em 2004, com a ajuda do então vereador e hoje deputado estadual Reinhold Stephanes Junior, foi realizado um leilão de quadros antigos com apoio do Clube Curitibano e da Associação Profissional dos Artistas Plásticos do Paraná (APAP).

Com o evento, a entidade conseguiu arrecadar R$ 35 mil, montante utilizado par ao sinal na compra da chácara da entidade em Colombo, que custou R$ 75 mil, valor quitado em 2006, mesmo ano em que teve início as obras no local. Somente no ano passado, porém, o espaço recebeu estrutura mínima suficiente para receber os mais de mil animais que a entidade abriga. Com isso, teve início também o processo de mudança da clínica veterinária, que ficará no novo endereço da instituição.

Instituição passou por três endereços

A nova sede da Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba será a quarta da instituição ao longo dos seus quase 45 anos de existência. Segundo informações que constam no próprio site da Spac, assim que a instituição foi fundada em 1972 pela professora Enid Bernardi, instalou-se em um escritório para orientar a população.

Três anos depois, conseguiu um novo local onde pôde oferecer cuidados veterinários aos animais necessitados. Mas ainda faltava um lar provisório para os animais da cidade, objetivo que foi alcançado em 1979, quando a Spac passou a ocupar um imóvel alugado, no Santa Cândida.

Como é uma organização não governamental que não conta com isenção de taxas e impostos, nem com apoio governamental, a Sociedade Protetora dos Animais conta com a ajuda para poder se manter. Doações em dinheiro podem ser feita por meio do Pag Seguro, com cartão de crédito, débito online e boleto, ou ainda com doações por meio da conta da instituição no banco Itaú.

Além do dinheiro, que ajuda a Spac a pagar despesas mensais com energia elétrica, telefone, água e esgoto, entre outras, a instituição também precisa diariamente de ração para cães e gatos, produtos e materiais de limpeza como detergente, sabão em pó, rodos e vassouras, jornais, papelão e medicamentos.

Castração é prioridade

A esterilização gratuita de cães e gatos, um dos três pilares da nova gestão da Divisão de Monitoramento Animal ou Rede de Proteção Animal da Prefeitura de Curitiba, será retomada. A previsão é que o castramóvel — unidade de atendimento volante — volte em breve para as ruas para atender animais cadastrados para a operação.

Áreas em situação de vulnerabilidade social, com maior concentração de animais e focos de doenças, serão prioridade. A meta estipulada pelo prefeito Rafael Greca é realizar 15 mil castrações por ano em Curitiba.

Curitiba faz censo do número de pets

Na semana passada foi dda a largada para o primeiro Censo de Animais Domésticos de Curitiba, promovido por estudantes e professores do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o apoio da Divisão de Monitoramento e Controle Animal, a Rede de Proteção Animal da Prefeitura de Curitiba.

O trabalho, nesta primeira etapa, aconteceu na Regional Cajuru. Durante dois dias, os alunos percorreram as ruas dos bairros para conversar com os moradores e dimensionar a população de cães e gatos na cidade. O grupo é compostos por 40 pesquisadores. O projeto tem parceria da Universidade de São Paulo (USP).

A pesquisadora do mestrado em Epidemiologia da Medicina Veterinária da UFPR Ana Pérola Drulla Brandão conta que serão visitados algumas casas selecionadas e que o resultado permitirá conhecer não apenas o número de animais, mas também haverá segmentação por renda e região.

Os dados coletados são essenciais para o trabalho da Rede de Proteção Animal. “Esses números ainda vão nos ajudar a elaborar estratégias de controle populacional”, explica a chefe da Divisão de Monitoramento Animal, Lucyenne Popp.

Diretrizes

A atual gestão da Rede de Proteção Animal de Curitiba já definiu três diretrizes para os próximos anos. Além da castração, a ideia é focar na educação para estimular a adoção e guarda responsáveis e na fiscalização para coibir criadouros irregulares e os maus tratos aos animais. Ao contrário de boatos divulgados pelas redes sociais, o trabalho da Rede de Proteção Animal não vai parar, diz a Prefeitura.

Foto: Franklin de Freitas

Fonte: Bem Paraná

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