Após anos de sofrimento, elefante finalmente é libertado de dolorosa armadilha

Após anos de sofrimento, elefante finalmente é libertado de dolorosa armadilha

Por Por Christina M. Russo / Tradução de Alice Wehrle Gomide

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Um elefante selvagem – que estava sofrendo há pelo menos dois anos com um terrível ferimento em sua perna devido a uma armadilha com laço – foi recentemente salvo por um intrépido grupo de veterinários e conservacionistas em Zimbábue, na África.

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O elefante foi visto pela primeira vez dois anos atrás perto da fronteira da Zâmbia por um grupo local, o Wildlife Conflict Management Chirundu Elephant Program. Mas o esforço para ajudá-lo foi em vão, porque o elefante desapareceu antes de que os conservacionistas pudessem chegar até ele.

Então, mês passado, o elefante de 35 anos reapareceu.

“Ele tem sido visto durante a hora do almoço na companhia de outros três elefantes nos últimos dois dias”, escreveu a veterinária Lisa Marabini, do AWARE Trust, uma organização de conservação da vida selvagem liderada por veterinários em Zimbábue, em um boletim informativo. “Ele está se sentindo mais vulnerável que os outros três elefantes e mantêm distância das pessoas”.

O elefante também tinha manchas circulares visíveis em sua pele, provavelmente causadas por uma infecção, o que indica que seu sistema imunológico não estava funcionando adequadamente.

Estava claro que o laço tinha que ser removido.

Então Marabini e Keith Dutlow, outro veterinário do AWARE, dirigiram mais de mil quilômetros para cuidar do animal em sofrimento.

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Armadilhas: Mortais para a vida selvagem

Armadilhas são, infelizmente, a causa de grande sofrimento para a vida selvagem no Zimbábue. “As armadilhas de laços são extremamente comuns em Zim”, Marabini disse ao The Dodo. “Com cerca de 90% de desempregados e a maioria das pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, muitas pessoas dependem da carne de animais selvagens para proteína. Quase toda área rural e selvagem que não é patrulhada rotineiramente por guardas estará sujeita às armadilhas”.

Apesar das armadilhas serem colocadas tipicamente para pequenos antílopes como Duikers e Impalas, Marabini disse, qualquer animal é suscetível a elas, incluindo rinocerontes, leões e elefantes.

Se presos em uma armadilha, os elefantes normalmente arrebentam o fio. Mas este continuará a apertar qualquer membro onde esteja, Marabini explicou ao The Dodo. “Trombas podem ser mutiladas, embora os elefantes consigam sobreviver bem contanto que tenham metade de sua tromba. Laços ao redor dos pés irão eventualmente apertar os ossos, causando osteíte incapacitante (inflamação do osso)”.

Mas na maioria das vezes, Marabini disse, é um mistério, porque frequentemente os elefantes simplesmente desaparecem.

Encontrando um elefante ferido

Saber onde um elefante normalmente vive é uma coisa. Encontrar sua localização exata é outra. E atirar dardos nele (para sedar o animal) é ainda outra coisa. Mas Marabini e Dutlow, junto com uma equipe de conservacionistas, começaram a agir para conseguirem tudo isso.

“Os elefantes estão completamente cientes quando estão sendo perseguidos. Cada vez que o time manobra para uma potencial posição para atirar o dardo, o elefante vira para eles, balançando suas grandes orelhas de forma ameaçadora”, Marabini escreveu. “Em mais de uma ocasião Keith teve que balançar seus braços e gritar com o elefante, apesar de que isso só serve para que ele fuja, e suma de vista”.

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Após 45 “tensos” minutos rastreando o elefante, entretanto, o animal finalmente foi atingido com o dardo.

O medicamento que os veterinários do AWARE usaram para sedar o elefante leva de 8 a 10 minutos para agir. Mas há muitos riscos. Um deles é que o elefante pode cair em cima de sua tromba e não conseguir respirar. Mesmo que ele caia de peito e esteja respirando bem, o peso do seu corpo pode pressionar os nervos de suas pernas traseiras, Marabini escreveu no boletim informativo.

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Então, para evitar problemas, o time ajustou seu corpo.

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Imediatamente Marabini e Dutlow começaram a remover os grossos fios da pata do elefante. “Ele se mexeu de leve e abanou suas orelhas. Apesar de estar sob efeito dos narcóticos, seu olho direito parecia estar vendo tudo que estávamos fazendo”, escreveu Marabini.

ATENÇÃO: Imagens fortes abaixo

Os veterinários então aplicaram um anestésico local, mas rapidamente descobriram que a ferida era excessivamente profunda. “As incisões tiveram que ser aumentadas e o sangue fluiu livremente no local da cirurgia”, ela disse.

Após 20 minutos, o nó do fio foi cortado e um pedaço de 6 centímetros de um grosso arame de aço foi extraído do elefante.

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Mas a maior parte da armadilha ainda estava lá.

E então, a noite começou a cair.

“Nós começamos a pensar que a armadilha iria nos derrotar”, escreveu Marabini.

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Então os veterinários decidiram fazer uma última tentativa para remover o laço, com a iluminação dos faróis do Land Rover e dos celulares.

E funcionou:

“Finalmente, Keith diz triunfalmente, ‘te peguei, sua maldita!’”, escreveu Marabini, conforme o pedaço do arame saía da incisão.

“Euforia cai sobre todos os presentes!! Todo o estresse valeu a pena por este momento”.

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Os veterinários limparam a ferida, administraram antibióticos e o elefante recebeu um medicamento para reverter o sedativo: “Na profunda escuridão nós conseguimos somente ver o contorno do elefante tentando ficar de pé a uma distância de dez metros”, lembrou Marabini.

Infelizmente, nem todos os elefantes têm a mesma sorte. Mês passado, os veterinários do AWARE tentaram tratar um elefante com uma ferida no olho, mas devido a complicações, o esforço não teve sucesso.

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O animal tinha um buraco feito por uma bala de AK-47 em sua bochecha e tromba, provavelmente uma vítima do tráfico de marfim.
“O holocausto dos elefantes colocou seu pé na porta do Zimbábue”, disse Marabini. “TODO elefante agora conta”.

Se você quiser ajudar o AWARE a tratar elefantes feridos ou morrendo, e outros animais selvagens, acesse http://www.awaretrust.org/help-us/donate.html.

Fonte: The Dodo

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