Após morte de elefante por suspeita de envenenamento, ONG pede fechamento de zoológico na Justiça

Após morte de elefante por suspeita de envenenamento, ONG pede fechamento de zoológico na Justiça
Ação foi ajuizada após suspeita de envenenamento do elefante Babu

Uma das principais atrações turísticas de Brasília corre o risco de fechar temporariamente. O Jardim Zoológico de Brasília enfrenta um embate judicial que discute se a instituição tem capacidade de garantir segurança e tratamento adequado aos animais e visitantes. Em audiência marcada para 23 de março, a Justiça decidirá se acata ou não o pedido de liminar para a interrupção das visitas.

A demanda veio por meio de ação popular, protocolada um dia após a divulgação de que a morte do elefante Babu, em 7 de janeiro deste ano, pode ter sido causada por envenenamento. Além de denunciar o Zoológico por negligência, alegando falta de vigilância – o que seria um facilitador para a prática do suposto ato criminoso contra o elefante -, o documento cita outros casos que aconteceram nos últimos anos.

Entre os exemplos explicitados estão: registros de estado de estresse e alimentação deficiente dos animais; falta de monitoramento e câmeras desligadas no local; feridas ocasionadas pelo sol em elefante; e casal de felinos vivendo em situação precária, sem acesso ao gramado e à luz solar. “Todo esse plexo de informações tem como objetivo demonstrar uma sucessiva gama de erros atrelados à má gestão do Zoológico, implicando maus-tratos aos animais sob a guarda do Estado e, por fim, culminando com eventos lamentáveis de falecimento dos animais”, descreve o texto da ação.

A autora, Carolina Mourão, é presidente da Confederação Brasileira de Proteção Animal. “Temos uma sucessão de falhas históricas e ninguém apura nada. Há uma bolha de ausência de segurança no Zoológico. É necessário ter condições mínimas para garantir a integridade física dos animais e dos visitantes”, disse.

Ampliação da vigilância

Para manter a segurança e o bem-estar dos aproximadamente 900 animais que vivem no Zoo, a fundação anunciou, à época da divulgação dos laudos sobre a morte de Babu, novas medidas para reforçar a segurança. “O Zoológico tem um sistema de vigilância que está sendo ampliado, com 160 câmeras novas. O processo de licitação está em andamento e o equipamento novo será posicionado em posições estratégicas”, informou, em nota, a instituição. Sobre as denúncias apresentadas na ação, a Fundação Zoológico de Brasília informou que só se manifestará sobre o assunto após ser notificada oficialmente.

Na audiência, a fundação deve apresentar a comprovação da implementação e andamento dessas mudanças, além de prestar “esclarecimentos sobre os graves fatos indicados na demanda”, como exige, no despacho, o juiz responsável pelo caso, Carlos Frederico Maroja de Medeiros, da Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do DF. Durante a greve dos vigilantes, o magistrado atendeu a outra ação popular, também de autoria da presidente da Confederação Brasileira de Proteção Animal, e determinou que o Zoo ficasse fechado enquanto durasse a paralisação.

Fonte: Diário de Pernambuco


Nota do Olhar Animal: O zoológico de Brasília tem conseguido veicular na imprensa uma quantidade incomum de notícias, em um grande esforço para ser visto como uma instituição útil, moderna e cumpridora dos propósitos (conservação de espécies, educação, etc.) que os defensores deste tipo de entidade alegam ser os dos zoos e que o movimento de proteção animal contesta. A morte do elefante mostra que, primeiro, o zoo de Brasília é tão inseguro para os animais quanto outros tantos pelo Brasil e pelo mundo. Segundo, por mais que as notícias busquem criar uma imagem positiva junto à opinião pública, elas não alteram o fato de que é inerente à atividade dos zoos violar um direito moral básico dos animais, que é o direito à liberdade. Lamentamos se o pedido na ação popular não for pelo fechamento DEFINITIVO do zoo.

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