Após morte de tutores, animais resgatados por ONG de Mogi das Cruzes (SP) são adotados

Após morte de tutores, animais resgatados por ONG de Mogi das Cruzes (SP) são adotados
Por conta de problemas de saúde, cachorrinhas estão sob os cuidados do Grupo Fera — Foto: Fernanda Moreno/Arquivo Pessoal

Depois de ficarem sem os tutores, oito de 10 animais resgatados por uma ONG de Mogi das Cruzes já encontraram um novo lar. Os tutores deles, um casal de irmãos idosos, morreram em decorrência da Covid-19 em Mogi das Cruzes. Os animais estavam na casa em que viviam, no bairro Cidade Jardim, até serem doados.

Vídeo: Casal adota cachorra que perdeu tutores para a Covid-19.

No total eram 30 cachorros, no final de janeiro, os cães foram alimentados por uma vizinha que doou uma boa parte dos animais. No entanto, como eram muitos, estavam em más condições quando foram resgatados pelo Grupo Fera.

Fernanda Moreno, vereadora e mantenedora da ONG, explica que as duas cachorrinhas que ficaram no abrigo são idosas e têm vários problemas de saúde. Por isso, são cercadas de cuidados na entidade e monitoradas. Fernanda destaca que a adoção delas precisa ser mais trabalhada por conta da condição de saúde.

A analista de produção Heloisa Carla Valério e o marido, o instrutor de segurança Paulo Bustamante Sá ficaram com a Bacon, uma das cachorrinhas resgatadas pelo Grupo Fera.

Bacon foi adotada e agora faz parte da família de Heloísa e Paulo — Foto: Heloisa Carla Valério/Arquivo Pessoal

Heloisa conta que Bacon foi adotada no dia 21 de fevereiro em um evento do Grupo Fera o “Amassa Gato”. A intenção do casal era adotar um gato, mas ao ver a cachorrinha a conexão foi imediata. “Nós chegamos lá e de cara a Bacon estava na frente com seus irmãozinhos, e lá ficamos um pouco ela não saiu do colo do meu esposo. Fomos amassar os gatinhos. E voltamos para ficar com ela, aí ela não saiu mais de perto da gente.” Com Bacon, o casal completa quatro animais de estimação. Heloísa incentiva a adoção. “Adotem, deem amor e muito carinho. Tem ONGs aqui na região que fazem um trabalho muito legal. Uma adoção responsável.”

A micropigmentadora Luciana Toreta Conte mora em Mogi das Cruzes e adotou um dos cachorros. Max está com a família de Luciana desde 7 de março.

Ela diz que foi a namorada do filho que soube das doações. “Fico muito feliz por termos tomado essa atitude. É a primeira vez que temos um cão de abrigo e só tenho a agradecer”

Max saiu do abrigo direto para a casa da micropigmentadora Luciana Toreta Conte em Mogi das Cruzes — Foto: Fernanda Moreno/ Divulgação

Amor e guarda responsável
 
A mantenedora do Grupo Fera, Fernanda Moreno, se preocupa desde o início da pandemia com o aumento das adoções de animais. Ela afirma que com o isolamento social muita gente buscou a companhia dos animais. “Mas não pensa no animal que foi resgatado. A vontade não era de salvar um animal. Na época me preocupou um pouco. O CCZ teve um número grande de adoções. A ONG nem tanto, foi mais gato que tinha procura por conta de muita gente morar em apartamento.” 

Fernanda alerta que quando tem uma crescente de adoção por consequência pode haver lá na frente uma crescente de abandonos. E isso pode ocorrer por conta das mortes por Covid-19, especialmente dos idosos. “A família não quer ficar com os animais. Lá no Hospital Doutor Arnaldo fazemos um trabalho com moradores do entorno. E soubemos de um idoso que faleceu e deixou quatro cães. Mas, as pessoas não se programam quando adotam. Não pensam em pedir se acontecer alguma coisa para alguém cuidar do animal. Só se preocupam com a herança e não se preocupam com os bichinhos”, afirma Fernanda.

Ela também faz um apelo para as pessoas que adotaram os outros animais da casa dos irmãos vítimas de Covid-19, no bairro Cidade Jardim, que entrem em contato com o Grupo Fera. “Queremos saber se eles precisam de algum auxílio para os animais, como consulta, por exemplo.”

Por Gladys Peixoto

Fonte: G1

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