Após ser abandonado, gatinho idoso é adotado e ganha vida nova

Após ser abandonado, gatinho idoso é adotado e ganha vida nova
Sr. Wilson recebe carinho e desfruta de sol na nova casa. Acervo Pessoal/ Barbara Stabile Teixeira

‘Gateira’ é um termo que a biomédica Barbara Stabile Teixeira, de Salto de Pirapora (SP), jamais imaginou que um dia poderia defini-la. Atacada por um gato quando mais nova, ela sempre guardou uma espécie de trauma e de receio dos bichanos. No entanto, essa situação começou a mudar há cerca de quatro anos, quando conheceu um amigo que tinha um gatinho. Tempos depois, ela faria fez sua primeira adoção: a do filhote Jairo, hoje com um ano.

“Sempre tive animais de estimação em casa e também sempre me senti mais atraída por aqueles que se encontravam em situações difíceis, vulneráveis”, explica. “Tenho vários pets resgatados na casa da minha mãe e da minha sogra, e pego porque sei que ninguém vai querer. Quando encontrei o Jairinho, cuidei de suas infecções, me afeiçoei e decidi adotá-lo”, conta. Judite, de um ano e meio, veio em seguida: “É elétrica, corre, pula, brinca, derruba tudo. Uma criança travessa”, diz Bárbara.

Navegando na internet, na página da ONG Catland, Bárbara acabou conhecendo a história de um gatinho idoso, carinhosamente chamado de Sr. Wilson. “Cego, idoso e diagnosticado com FIV, a síndrome da imunodeficiência adquiria (AIDS) felina. Eu me apaixonei por ele de imediato”, conta.

Ele havia sido resgatado pela ONG em situação crítica: desnutrido, desidratado, com presas quebradas e quase nenhum dente na boca. Por causa disso, precisou de muitos tratamentos para restabelecer a saúde e sua idade avançada foi o maior indicativo de que ele era um gato de família que fora abandonado. “Gatos de rua não têm uma estimativa de vida tão alta quanto a dele”, afirma Barbara.

História de um ancião

Decidida a adotá-lo, a biomédica entrou em contato com as protetoras do animal e todos se conheceram por meio de videochamadas. “No dia em que fui conhecê-lo pessoalmente, levei tudo que era necessário para já trazê-lo para casa. Não era esse o combinado, mas eu fui cheia de esperança”, conta. E deu certo: após assinar um termo de responsabilidade, Bárbara saiu da Catland com o Sr. Wilson.

Chegada e adaptação

Apesar da felicidade de ter o Sr. Wilson em casa, ela conta que teve receio de que ele não se adaptasse ao ambiente com os outros pets.. “O medo da adaptação sempre existiu. Sr. Wilson é arisco e mais velho, os outros dois são jovens e ciumentos. Estamos nesse processo há cerca de um mês e, embora eles ainda não interajam muito, posso dizer que estamos tranquilos e livres de possíveis brigas”, diz .

Jairo é o mais novo em idade, mas foi o primeiro gato a ser adotado por Barbara. Acervo Pessoal/ Barbara Stabile Teixeira

Por ser um gato idoso e cego, ele não brinca e nem corre como os irmãos. Mas isso não impede que Barbara compartilhe momentos divertidos e emocionantes protagonizados por Sr. Wilson. “Fui conversar com ele uma noite, logo na sua chegada. Expliquei que ele estava em sua casa, que ali tinha muito amor e segurança para ele, fiz muito carinho nele. Quando parei de falar, senti que ele deu um suspiro que interpretei como sendo de alívio. Chorei muito de alegria ao perceber que ele entendeu”, conta.

Resta agora trabalhar a rotina e ajustar comportamentos. Agora, Barbara tem trabalhado para que o bichano continue se adaptando à rotina da casa. “Ele é arisco, dorme bastante o dia todo, mas já me deixa pegar no colo para limpar unhas, olhos, orelhas. No lar temporário, ele não permitia que ninguém se aproximasse”, lembra. Ela sabe que, com o tempo, a tendência é que esse relacionamento melhore cada vez mais. E agradece todos os dias pela existência de ONGs como a Catland. “É muito importante que existam entidades como essas, pois há muitos animais na rua sendo maltratados. A Catland mostra que há pessoas boas no mundo e que podemos nos unir para cuidar daqueles que não podem se defender”, conclui.

Para Você pode acompanhar a história do trio Sr. Wilson, Jairo e Judite, siga no perfil @3_little.cats.

Por Cleide Oliveira

Fonte: R7

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