Após supostos abusos, crescem denúncias contra clínicas veterinárias em Maceió

Após supostos abusos, crescem denúncias contra clínicas veterinárias em Maceió

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Depois de desconfiar que algo de errado acontecia durante o atendimento prestado em algumas clínicas de veterinária em Maceió, clientes têm recorrido ao Conselho Regional de Medicina Veterinária de Alagoas (CRMV/AL) para denunciar supostos erros médicos cometidos no atendimento aos animais.

Os ‘equívocos’ vão desde a retirada de pontos cirúrgicos sem luvas ou qualquer tipo de assepsia até à medicação errada, levando à morte o animal. São cães e gatos que sofreram durante longas internações e custaram caro para o bolso de seus tutores, e o pior, morrendo após tanta dor.

Histórias como esta têm chegado ao CRMV/AL cada dia com mais frequência, segundo o presidente do conselho, Thiago Moraes. “O aumento de clínicas abertas no Estado nos últimos anos também fez subir consideravelmente o número de denúncias que chegam até nós”, comentou. O Conselho não divulgou quantas denúncias desse tipo são investigadas pela entidade.

O drama de “Pitucha”

Assim foi com a gerente comercial Simone Ferro do Nascimento Gama, que sofreu a perda de sua cadelinha de 6 anos, a “Pitucha”, após complicações em uma cirurgia de retirada de quatro nódulos, realizada em uma clínica veterinária no bairro da Jatiúca, em 11 de dezembro do ano passado. 

No dia em que Pitucha voltou à clinica para limpeza das suturas, no período pós-operatório, Simone relata que observou a sujeira do funcionário da clínica. “Ele tinha acabado de chegar de uma vaquejada e fez o procedimento sem os equipamentos necessários, de qualquer maneira”, contou durante entrevista ao TNH1. Após 7 dias, Pitucha foi levada à clínica para retirada dos pontos, que inflamados, ficaram abertos e expostos.

Ao perceber a grave infecção, a administradora foi aconselhada a deixar o animal internado e assim aconteceu nos onze dias seguintes. Desconfiada, Simone levou a cachorrinha para casa e após perceber que ela não melhorava, a internou em outra clínica. Lá, ela foi informada que o quadro teria se agravado e descobriu-se uma anemia, que, junto à infecção generalizada, causou a morte da cadela no segundo dia deste ano. “Ainda nao me recuperei da perda, ela era uma filha para mim”, comentou Simone.

Ainda segundo a tutora da cachorrinha, após o incidente ela procurou a clínica para pedir o prontuário de atendimento mas foi negado. “A médica sequer me recebeu”.

Em contato com a veterinária que atendeu Pitucha, a médica alegou que todos os procedimentos foram feitos dentro das normas e que Pitucha deixou o local bem. Ela também negou que o histórico de atendimento tivesse sido solicitado. “Em momento algum o prontuário foi solicitado”, garantiu. “Estive na Delegacia da Mulher para prestar queixa contra esta cliente pois ela chegou à clínica descontrolada e gritou que seu animal tinha morrido aqui, assustando outros clientes que aguardavam atendimento”, disse.

Órgãos atuam na fiscalização

Atualmente com cerca de 100 estabelecimentos cadastrados – entre clínicas, consultórios, hospitais e pet shops – o conselho é o órgão mais atuante quando o assunto é denúncia de má atuação por parte dos profissionais da área. “Caso seja comprovado, o responsável pelo estabalecimento será autuado e a denúncia será encaminhada à polícia e ao Ministério Público Estadual (MPE).

Aliados diretamente ao conselho de veterinária estão outros dois órgãos que servem para ajudar a clientes que suspeitarem de alguma irregularidade durante o atendimento. A Vigilância Sanitária, que fiscaliza as condições de higiene dos estabelecimentos, validade e procedência de medicamentos e o uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs). E a Comissão de Meio Ambiente e Bem Estar Animal da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB/AL), que auxilia e encaminha gratuitamente, as denúncias.

Para a presidente da comissão da OAB/AL, Cristiane Leite, o grande problema é que nem todos denunciam formalmente, o que abre margem para que os abusos continuem acontecendo. “Quem se sentir lesado pode nos procurar aqui na sede da OAB que daremos o suporte necessário para levar a denúncia adiante”, garantiu Cristiane.

A assessoria de comunicação da Vigilância Sanitária informou que atualmente cerca de 60 estabelecimentos ligados à Veterinária estão cadastrados no órgão. Uma equipe costuma fazer inspeções sem aviso prévio, na tentativa de flagrar possíveis irregularidades, principalmente na questão do descarte de resíduos hospitalares.

Outro órgão que está de olho nos procedimentos adotados pelas clínicas é o Procon/AL. No caso de Pitucha, além do plano de saúde canino que Simone pagava mensalmente, ela ainda precisou desombolsar mais de R$ 1000 por conta dos agravantes. Caso os gastos extras não tenham comprovação legal para acontecer, a fiscalização poderá entrar em ação.

Segundo a assessoria de comunicação do Proncon, o órgão tem o poder de intervir caso seja comprovado qualquer irregularidade e até solicitar o fechamento do estabelecimento. “Para isso, contamos com a parceria feito com o MPE e Conselho Regional de Veterinária, que nos dará a base legal para cobrar os direitos dos clientes”, garantiu.

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Fonte: TNH1

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