Após um ano de salvamento de cães explorados para caça, ONG questiona descaso e impunidade em Campo Grande, MS

Após um ano de salvamento de cães explorados para caça, ONG questiona descaso e impunidade em Campo Grande, MS

A data de 23 de setembro de 2019 ficou marcada pelo resgate de 40 cães, em sua maioria da raça foxhound-americano, que estavam em estado deplorável de saúde, em uma fazenda em Campo Grande, MS.

Os animais apreendidos, os quais eram procriados sistematicamente para servirem à caça de javali, não tinham água, comida e estavam acometidos por diversas doenças.

O resgate dos animais foi possível graças à cooperação entre Poder Público, que envolveu a DECAT (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista), o CCZ (Centro De Controle De Zoonoses) e a ONG Abrigo dos Bichos, entidade dedicada à proteção do meio ambiente, com ênfase na causa animal, fundada há quase vinte anos e declarada como de Utilidade Pública Municipal.

Após o resgate os animais foram acolhidos pela ONG Abrigo dos Bichos que arcou – e ainda arca – com todos os custos e despesas para a reabilitação dos animais, tendo, ainda hoje, a responsabilidade da guarda dos cães, mantendo-os em ambientes familiares, conhecidos como Lares Temporários.

Já atuação do Poder Público decepciona os envolvidos.

A ONG questiona que na esfera penal, as investigações foram encerradas prematuramente, deixando-se de esgotar as diligências necessárias para apuração de todos os responsáveis pelo canil clandestino.

A entidade afirma que a ação penal sequer foi iniciada, pois o Ministério Público ofereceu transação penal ao único investigado pelos maus-tratos dos animais. Assim, por meio de acordo, o indiciado sequer se tornou-se réu, pagando, multa de apenas R$ 2.000,00 (dois mil reais), que ainda foi parcelada em cinco prestações de R$ 400,00.

Para homenagear o aniversário do resgate, nesse contexto repleto de impunidade e descaso, a ONG Abrigo dos Bichos ajuizou, ontem (23), com o auxílio das advogadas Alyne Louise Borsato e Maria Luiza Venâncio, uma Ação Civil Pública, visando à reparação dos danos morais coletivos e a medidas de reparação a esse dano ambiental, colocando em pauta, inclusive, a responsabilidade indireta dos proprietários do imóvel em que funcionava o canil ilegal.

De acordo com representantes da entidade, a ONG Abrigo dos Bichos luta por justiça no caso, principalmente por meio do encaminhamento desses animais, vitimados por uma atrocidade, para adoção, para que, em seus Lares Definitivos, possam ter uma vida longa, plena e cheia de amor.

Fonte: Topmídia News 

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