Aposentada que cuida de 42 cachorros pede ajuda, em Tabatinga, SP

Aposentada que cuida de 42 cachorros pede ajuda, em Tabatinga, SP

Abrigo improvisado já não suporta mais tantos animais; população reclama do Centro de Zoonoses.

É com amor e preocupação que a dona Maria da Graça sustenta 28 cachorros de rua em um abrigo improvisado, em Tabatinga. O número de animais no mesmo local poderia ser de 42, já que outros 14 ficam na casa própria da aposentada, de 63 anos de idade.

O dinheiro da aposentadoria ajuda, mas não é suficiente. Como não há nenhum auxílio do poder público em relação a isso, ela precisa contar também com doações de pessoas que se solidarizam com a situação.

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Filhotes podem ser adotados, mas dona Maria é exigente e quer garantias da pessoa que for adotar.“Faço esse trabalho há cinco anos e é bastante complicado porque não contamos com nenhum recurso municipal. A casa é emprestada e os recursos eu tenho que buscar no dinheiro da minha própria aposentadoria e com amigos solidários”, explicou Maria.

Todas as tardes ela vai ao abrigo e faz a limpeza do local. Apesar de improvisado, a estrutura apresenta higiene, limpeza e animais gordinhos, bem cuidados. O “abrigo” foi dividido por ‘departamentos’, que separam os cachorros pequenos dos grandes, bravos dos mansos, filhotes dos adultos. Tudo com material rústico como madeiras e grades no quintal, além dos cômodos já existentes na construção do imóvel, que já cai aos pedaços. (VEJA MAIS FOTOS NO FINAL DA MATÉRIA)

“Tá vendo aqui? Preciso vir com mais tempo e melhorar o cercado para eles”, mostrou a dona Maria com preocupação e paixão pelos bichinhos. “Graças a Deus algumas pessoas e casas de rações ajudam com um pouco de comida”, agradeceu. O local não possui nenhuma ajuda municipal.

Reclamação

A empresária Priscilla Simão ajuda como pode o trabalho voluntário de dona Maria. Mas também reivindica uma ação mais eficiente da Prefeitura de Tabatinga em relação à castração dos animais de rua.

“Eu não sei por qual motivo, mas o Centro de Zoonoses até o momento não está castrando os animais. Dizem que está aberto, mas parece não funcionar”, criticou.

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Priscilla tem certa razão. Em visita ao Centro de Zoonoses de Tabatinga, o jornal Ibitinga Diário conversou com funcionários e constatou que, mesmo depois de 10 meses em funcionamento, o local ainda não faz o trabalho de castração. O motivo seria a falta de alguns itens, como a calha cirúrgica (onde o animal fica deitado para o procedimento).

O Centro reconhece que o procedimento não está sendo feito, mas ressalta que a unidade não está parada e que o trabalho desenvolvido pelo local não se limita à castração. Lá, segundo funcionários que preferem não se identificar, são feitos trabalhos como controle de animais peçonhentos, emergências e prevenção na comunidade.

De acordo com a Diretoria de Saúde de Tabatinga, além dos instrumentos faltantes, a única empresa que compareceu ao pregão não dispunha em estoque de todos os itens licitatórios.

“Foram instaurados dois processos licitatórios para a compra do material e de medicamentos. Ocorre que apenas uma empresa compareceu ao pregão presencial, esta não dispondo em estoque de todos os itens licitados”, justificou a diretoria.

“Há uma grande dificuldade em encontrar fornecedores neste ramo, mas na última semana de junho foi realizada a compra do que faltava e estamos no aguardo do recebimento da mercadoria, visto que as empresas são de longe e o prazo de entrega solicitado por elas é maior”, informou por e-mail a diretoria. Não houve resposta sobre previsões de tempo à respeito do assunto.

O abandono de animais não é exclusividade de Tabatinga. Mas é perceptível a grande população de cachorros de rua espalhados pelo município. A castração é uma medida preventiva capaz de resolver esse problema, pois impede o cruzamento entre os cães de rua e o aumento do número de animais sem dono pela cidade.

Covardia

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É espantoso perceber que a coragem pode estar atrelada à covardia a tal ponto, que surge uma pergunta: como um ser humano é capaz de abandonar um animal indefeso nas ruas de uma cidade?

Priscilla Simão se fez esse questionamento nessa semana ao cuidar de um cachorro que foi amarrado e abandonado pelo dono, próximo ao Clube de Campo Céu Azul (FOTO À ESQUERDA)

“Estava magro, judiado e com a pata quebrada. Minha amiga viu quando um senhor passou a pé, amarrou o animal e foi embora. É desumano!”. Ela conta que muitas pessoas ajudaram com comida e até conseguiram um novo lar para o animal.

Mas o problema é recorrente na cidade de Tabatinga. No abrigo improvisado de dona Maria, periodicamente aparece um novo animal, deixado “às escuras” por alguém. “É complicado porque o espaço não tem mais condições de abrigá-los”, disse a aposentada.

Nota

A pessoa interessada em ajudar o abrigo de dona Maria pode fazê-lo com doações de ração e outros mantimentos, dinheiro e até adoção. Para mais informações, ligar para (16) 3385 2576.

Confira mais fotos sobre essa reportagem no álbum abaixo.

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Fonte: Ibitinga Diário 

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