Araraquara (SP) tem 7 denúncias de maus-tratos de animais por dia

Araraquara (SP) tem 7 denúncias de maus-tratos de animais por dia

Protetores independentes, ONGs e redes sociais são aliados na hora de proteger cães e gatos.

Por Paula dos Santos

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Se você está no Facebook, com certeza já deve ter visto alguma postagem pedindo ajuda para os animais. Fotos de cães e gatos lotam a timeline dos araraquarenses, isso porque o número de casos de maus-tratos aqui é grande. Só em 2014 foram 2.586 denúncias na ouvidoria da Prefeitura, uma média de sete por dia. Em janeiro deste ano, foram mais 338 registros.

A cachorrinha Mu, que tem cerca de oito meses, apanhava constantemente de seu tutor, até que foi jogada na rua em uma noite chuvosa. Acabou sendo atropelada na avenida Vaz Filho e socorrida pela comerciante Flávia Cristina Oliveira Rodrigues, 27. “O motorista que a atropelou fugiu, e Flávia levou a Mu para o veterinário. Orientamo-la, pois há muitos veterinários que sempre ajudam”, conta o protetor Renan De Ponte.

Com fratura exposta em uma das patas, Mu teve de ser operada, e o tratamento custou mais de R$ 1,5 mil. “Divulgamos o caso nas redes sociais, e muita gente ajudou. A população pagou esse tratamento, assim como muitos outros que sempre acompanhamos”, explica De Ponte. Curada, a cachorrinha foi para a casa de Flávia, que ofereceu lar temporário.

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Flávia não pode adotar Mu porque já tem uma cachorra, que não aceitou muito bem a visitante, por isso está procurando um novo lar. “Ela é dócil, amorosa e agitada. Queria que ela fosse adotada por alguém que gosta muito de animais, já que ela já sofreu muito”, conta Flávia. Quem quiser adotar a Mu, pode entrar em contato pelo telefone (16) 3214-5848.

Casos assim mostram como a união da população que gosta e se preocupa com os animais é importante. Uma única pessoa não poderia resgatar a cachorra, pagar o veterinário, dar lar temporário e procurar uma nova família para adotá-la, mas De Ponte deu o “caminho das pedras” e, de doação em doação, a população pagou o tratamento. “Em nome da Gipama, agradeço a Flávia, que se solidarizou com a causa e socorreu a Mu prontamente”, finaliza De Ponte.

Quem quiser conhecer mais sobre o Gipama e ajudar os animais resgatados pelo grupo, pode acessar a página www.facebook.com/gipama.

DENÚNCIAS – Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, José Antônio Delle Piage, as denúncias podem ser feitas na ouvidoria pelo telefone (16) 3301-9000 em horário comercial e 0800-7740404, que é o número do disque-denúncia. São recolhidos cães e gatos de rua que sofreram maus-tratos, agressores (avançam nas pessoas sem ser provocados), invadiram algum lugar, foram atropelados ou estão doentes.

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A denúncia pode ser feita anonimamente e, quando o caso não puder ser resolvido pelo telefone, um fiscal do Meio Ambiente vai ao local averiguar a situação. “Orientamos, notificamos a pessoa e, dependendo do caso, retiramos o animal do local e aplicamos uma multa. Só começamos a multar no final do ano passado, pois quando se mexe com o bolso, as pessoas pensam duas vezes antes de maltratar”, explica o secretário Delle Piage.

Já foram aplicadas 16 multas por enquanto, sendo que o valor varia de R$ 220 a R$ 2,2 mil. Os cães recolhidos vão para o Centro de Triagem Animal, onde são tratados, castrados, vermifugados e vacinados. Depois, ficam disponíveis para adoção. Com o canil lotado e poucos cães e gatos adotados, a Prefeitura não consegue atender todos os casos. É aí que a população e as redes sociais entram para ajudar.

AJUDA – A ONG SOS Melhor Amigo está sempre ajudando em casos de maus-tratos. A presidente, Betty Peixoto, 56, procura lar temporário, indica veterinários e orienta quem quer ajudar no resgate. Em casos mais críticos, ela e sua equipe recolhem o animal e pagam o tratamento. Depois, realizam bazares, bingos, rifas e demais ações para arrecadar dinheiro.

Betty também criou um grupo no Facebook que visa ajudar nesses casos. “Formamos uma ‘corrente do bem’. As pessoas acolhem, divulgam e colaboram financeiramente”, conta. Veja mais sobre o grupo na foto acima.

Recentemente, foi criada a Comissão de Proteção e Defesa Animal da OAB, em Araraquara. Eles estão se estruturando para poder atender a população, mas o objetivo é orientar as pessoas para registrarem boletim de ocorrência na Polícia sobre maus-tratos, com base em uma lei federal. “A pessoa pode pegar de três meses a um ano de prisão. Quem souber de algum caso de maus-tratos, pode procurar a OAB”, diz a presidente da comissão, Carolina de Mattos Galvão, 32.

Fonte: Araraquara Tribuna

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