Argentina corrida de galgos velocidade

Corrida de galgos: maus-tratos em alta velocidade

“As corridas de cães, qualquer que seja a raça, são proibidas em toda a província de Buenos Aires, an Argentina, segundo a Lei 12.449. Os aficionados pelas corridas, porém, seguem violando leis”.

Por David Telmo / Tradução de Adriana Shinoda

As corridas de galgos são muito populares em diversos países, os animais competem em um circuito ovalado perseguindo uma lebre artificial. A lebre corre por um trilho eletrificado à frente dos cães, que jamais a alcançarão.

O galgo é uma raça originária da Espanha, por isso é também conhecido como galgo espanhol, e consegue alcançar uma velocidade de 60 km/h. Em algumas corridas são colocados obstáculos para que os cães saltem e eles percorrem um trajeto que varia de 210 até 1100 metros, onde participam até oito animais.

Cada cão tem um número, uma focinheira e está vestido com as cores do tutor. Todos os cães saem ao mesmo tempo de compartimentos independentes. O instinto dos animais os leva a perseguir a lebre e assim começam as corridas. Existem outras maneiras de realizar as corridas de galgos, as aqui expostas são as mais conhecidas.

A velocidade da raça dos galgos e o uso de drogas os convertem em máquinas de fazer dinheiro que depois são descartadas.

Um breve resumo da vida de um galgo de corrida:

Reprodução forçada: Cio induzido por drogas. A fêmea é presa e fica com uma focinheira para que não morda o macho.

Seleção: Cada cão tem sua função: alguns para corridas, outros para reprodução. Aqueles que não servem são sacrificados. Não são investidos tempo nem dinheiro para mantê-los.

Adestramento: Fornecem animais vivos ou gatos dentro de garrafas para os cães, entre outros métodos, para estimular o instinto de caça. Para forçar os animais a correr são utilizados enforcadores e os arrastam com veículos. Inclusive, em Bariloche é comum vê-los sendo arrastados por veículos nas quadras de Adeful, Rota 40 e também nos bairros de São Francisco.

Drogas: Arsênico, estricnina (proibidas pela Administração Argentina de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica), cocaína, efedrina, viagra, anabolizantes, cardiotônicos e diversos estimulantes chamados de maicito ou chuza são vendidos pela internet e também por alguns veterinários.

Limpeza: Logo após a corrida, depois de terem recebido diversas drogas para o máximo de rendimento, é feita a limpeza do fígado com mais outras medicações.

Morte: Quando um cão não serve mais (vida útil de dois a quatro anos, no máximo) são mortos ou, no melhor dos casos, abandonados.

O que diz a lei a esse respeito

As corridas de cães, qualquer que seja a raça, são proibidas em toda a província de Buenos Aires segundo a Lei 12.449. Os aficionados pelas corridas, porém, seguem violando leis como, por exemplo, a Lei n. 13.470 (ilegalidade dos jogos de azar), Lei n. 13.879 (sacrifício de cães e gatos), Lei n. 14.346 Sarmento (crueldade contra animais) e a Lei n. 23.737 (fabricação e tráfico de entorpecentes).

Em grande parte da Argentina não há proibições claras, tampouco se sabe que tipo de drogas são utilizadas na atividade, o que nos deixa em meio a uma nefasta ignorância por parte das autoridades, isso sem mencionar a quantidade de funcionários públicos que apoiam tais práticas em todo o país.

Por sorte, a associação pioneira Proyecto Galgo Argentina, com cadeira na capital federal, começou a trabalhar a fundo este tema, expondo o panorama das situações que ocorrem diariamente em todo o país. Além disso, na região de Bariloche, uma vereadora de Neuquén apresentou um projeto para a proibição das corridas em toda a província, que pode entrar em vigor na segunda quinzena de junho de 2016.

No âmbito nacional, o projeto de lei para proibição das corridas de galgos foi aprovado no Senado e conta com meia sanção. Foi apresentado pela senadora Magdalena Odarda e apoiado pelo Proyecto Galgo Argentina.

Devemos compreender que o Direito Animal é algo novo e responsabilidade de todos, na educação e conscientização da sociedade sobre a importância deste novo caminho, o qual sem dúvida nos levará a criar uma sociedade com menos violência.

Fonte: Bariloche Opina

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