Argentina: funcionários do zoológico de Buenos Aires denunciam a concessionária por maus-tratos aos animais

Argentina: funcionários do zoológico de Buenos Aires denunciam a concessionária por maus-tratos aos animais

Cerca de 200 funcionários responsabilizaram a empresa que detém a concessão do zoo localizado em Palermo pelas mortes evitáveis de animais, a deterioração e o sofrimento das espécies, falta de pessoal, e a perseguição pelo protesto.

Tradução Alice Wehrle Gomide

“Amamos os animais, por isso estamos lutando”, diz o cartaz que aparece na entrada principal do zoo, fechado ao público pela paralização das atividades de seus funcionários, que rejeitam o esvaziamento gerado pela empresa concessionária desde que tomou posse em 2007.

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Os funcionários leram no último dia 23 um comunicado no pátio interno do prédio, onde denunciaram “uma falta total de comunicação com a empresa” que os “obrigou a ter que continuar em estado de alerta permanente e de realizar uma série de medidas que até hoje não cumpriram”.

“Não somos nós que não investimos no bem estar dos animais ou que deixam os edifícios caírem aos pedaços, alguns deles históricos. Nós cuidamos, atendemos e amamos estes animais que não têm voz para pedir um bebedouro ou um teto para se refugiar; eles não escolheram viver em cativeiro, mas, enquanto estão, devemos garantir que tenham boas condições de vida”, leu o membro do grupo de funcionários, muitos deles estudantes avançados ou graduados da Faculdade de Veterinária.

Desde a paralização anterior, em 14 de setembro, a empresa tinha se comprometido a uma série de melhorias que até esta data não cumpriram, de acordo com a denúncia pública feita pelos integrantes do Centro de Estudantes da Faculdade de Veterinária da UBA e da associação SINzoo, entre outros grupos ecologistas.

O deputado de Buenos Aires Marcelo Ramal lamentou após a leitura do comunicado o estado atual do zoo – que ele mesmo verificou em uma inspeção durante a paralização anterior – e advertiu que “faltam dois anos para que seja finalizado o prazo da concessão”. Seu colega Gustavo Vera (Bien Común) estimou que “este é um modelo de prisão medieval para os animais que deve ser convertido em um parque ecológico com animais livres, próprios do ecossistema”.

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“As prisões medievais têm servido em todo o mundo como fachadas para o tráfico de espécies e para a lavagem de dinheiro. Isto talvez explique a relação entre o custo da entrada e as condições deficientes tanto dos animais como dos funcionários”, disse o deputado.

Vera repudiou a empresa por “acreditar ter um território liberado”, já que em uma carta dirigida aos funcionários “proíbe as assembleias” e adverte que se um funcionário falar sobre o estado do zoo “será passível de sanção”.

Natalia Gómez López, do centro de estudantes da Faculdade de Veterinária da UBA, recordou que “recentemente dois leões-marinhos morreram devido aos 12 shows diários que eram obrigados a fazer; e o famoso caso do urso panda, também vítima de uma morte evitável, por maus-tratos e desatenção”.

“Tanto os veterinários do parque como os estudantes de veterinária que trabalham como cuidadores rejeitam a violência animal que é causada pela falta de investimento em insumos, medicamentos e recintos apropriados; assim como as péssimas condições de trabalho que devem suportar os funcionários do zoo”, completou.

A paralização do dia 23 de outubro foi total, apesar da presença de um guarda, explicou Miguel Gaete, um empregado do zoo que denunciou “a permanente ameaça de demissão ou suspensão” por parte da concessionária.

Os funcionários exigem “o fim das condições precárias de trabalho e da violência animal”, e se unem às iniciativas dos legisladores e ecologistas que trabalham em projetos para converter o zoo em um parque ecológico.

Fonte: Télam 

Nota do Olhar Animal: Só com o banimento dos zoológicos é que haverá melhoria das condições para os animais. É um pensamento fantasioso considerar que estarão bem se continuarem a ser submetidos à clausura. Os maus-tratos e abusos são inerentes à exploração comercial do confinamento. 

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