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Argentina: Quem se responsabiliza pelos animais abandonados na avícola Cresta Roja?

Um grupo de ativistas foi aos criadouros para libertar galos e galinhas abandonados; agora eles esperam um permissão judicial.

Por Silvana Morenol / Tradução de Flavia Luchetti

Argentina CrestaRoja animais abandonados

Quando em todos os meios circulavam notícias sobre os protestos dos trabalhadores da Cresta Roja, alguns se perguntaram: E os animais? O que estará acontecendo com eles?

Enquanto os funcionários acampavam em Ezeiza, Buenos Aires, cortavam o tráfego na rodovia Ricchieri e lutavam com a polícia, dentro das instalações da avícola Rasic, na localidade de Brandsen, que comercializa a marca, milhares  de aves ficaram abandonadas a sua própria sorte, que já não era muita, e acabaram não  recebendo nem comida nem água durante um mês, começando a ficar doentes (ainda mais do que já estavam), a brigar, morrer e a comer umas as outras.

Felizmente, alguém fez algo mais do que só que pensar nelas: durante o domingo (27) e segunda-feira (28), um grupo de 40 defensores dos animais entrou na granja e salvou 166 galinhas e galos. Mas ainda há milhares de aves, mesmo que os socorristas já não possam entrar sem permissão judicial (o prazo para as propostas das companhias interessadas em continuar as operações da Cresta Roja venceu no dia 30)

A opinião pública já tinha dado o sinal de alarme nas redes sociais quando, em meados de novembro, a avícola sacrificou nove milhões de pintinhos que já não podia alimentar.  No entanto, este final não foi mais triste do que os esperaria no futuro: exploração, tortura e morte para terminar em um prato.

A chegada ao criadouro

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Na última semana de dezembro as coisas foram diferentes: tudo começou quando Virginia Bustos, uma defensora Independente, investigou o que estava ocorrendo nos criadouros de Cresta Roja e alertou nos grupos do Facebook, assim foi se organizando um resgate.

Na tarde de domingo (27), 40 ativistas (20 independentes e os outros da organização Animal Libre) chegaram em uma caravana aos galpões de Cresta Roja na localidade de Brandsen.

“O vigia nos chamou e deu o ok; em seguida chegou a polícia, que também nos permitiu entrar e assim pudemos levar 10 galinhas por pessoa, totalizando somente 80 animais, por não dispor de transporte para todas.  Na segunda-feira (28) nos custou muito mais para negociar, porque a empresa já estava em outra instância judicial, ainda assim pudemos resgatar 86. Porém agora não nos permitem voltar”, conta Florencia González, uma das fundadoras da Animal Libre, organização que está há sete meses na Argentina e já há cinco anos no Chile e se dedica a promover o respeito pelos animais e a alimentação vegana.

“O que vimos foi como estar dentro de um filme de terror: animais mortos ou sobreviventes depois de ter estado sem água e comida por um mês, brigando por um mínimo de água que saía de um só lugar, desidratados, sem penas, respirando excremento, amônia, caminhando e correndo sobre os cadáveres…”, contou González, e acrescentou: “no grupo também estava a veterinária Bárbara Floris, também ativista vegana, ela nos ia dizendo quais animais estavam mais aptos para viver. Foi muito difícil decidir as que já estavam muito mal e não resistiriam a viagem, foi uma decisão muito difícil”.

No caso de conseguir a ordem judicial para seguir com o resgate (Valeria Pérez Casado é a juíza que tramita a causa), o grupo de animalistas já conta com um caminhão, ajuda veterinária e legal e também de voluntários, heróis diários que, em alguns casos, após o resgate não conseguem ter um sono tranquilo.

Do criadouro ao campo

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Agora, todas as galinhas resgatadas estão sob supervisão veterinária, viajam apenas em automóveis, foram colocadas em lares temporários ou com adotantes que tiveram que passar por uma seleção  rigorosa. “A ideia é que estes sejam responsáveis e não voltem a usá-las para botar ovos ou que terminem matando-as para comer, mas que estejam comprometidos em dar-lhes uma vida de liberdade e bem-estar. Agora nas redes sociais já estão subindo fotos das galinhas em campos, em pátios, e já se pode ver que elas têm outro olhar, bebem água e comem em paz”, conta González. Para mais detalhes é possível seguir o seguinte evento:

https://www.facebook.com/events/470115369847484/

“Muito além do que aconteça agora, o importante é a divulgação, para que as pessoas saibam que uma granja é sempre um inferno. Estas galinhas estavam lá pela demanda de ovos e carne”, disse González, tentando semear consciência.

E vamos lutar pelas milhares que ainda faltam!  

Rescate de 80 gallinas en “Cresta Roja” · 27/12/15

Activistas independientes y de Animal Libre, lograron rescatar el domingo y el lunes 166 gallinas de la empresa “Cresta Roja”.Hace unos meses la empresa de explotación avícola cerró, dejando así sin trabajo a miles de trabajadores y por lo tanto a miles de gallinas abandonadas agonizando sin comida en las granjas durante meses. En este registro, podemos ver como el domingo por la tarde un grupo de activistas interviene en el lugar, donde con previa autorización, pudieron entrar a los galpones donde se encontraban las gallinas.Lo que se puede ver son miles de gallinas sufriendo deshidratadas, privadas de alimento, sin plumas, con heridas graves, moribundas y comiendo los cadáveres de sus compañeras ya muertas y entre sí mismas.Se pudieron rescatar 80 de ellas, las cuales están ahora mismo en hogares de tránsito o definitivos, donde podrán vivir lo que les queda de sus vidas, libres, en bienestar y lejos del sufrimiento y explotación.Las gallinas de “Cresta Roja” están allí por la demanda de su carne y sus huevos, y nada de esto cambiará mientras no modifiquemos nuestros hábitos de consumo.Por favor, revisá y compartí el registro audiovisual.Ayudanos a crear un mundo más justo para todos los animales: Cambiá tus hábitos, salvá sus vidas.

Posted by Animal Libre Argentina on Terça, 29 de dezembro de 2015

Fonte: La Nacion

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