As orcas do SeaWorld estão cobertas de marcas de mordida por perseguição

As orcas do SeaWorld estão cobertas de marcas de mordida por perseguição

As coisas não estão melhorando para Morgan.

Por Ameena Schelling / Tradução de Alice Wehrle Gomide

A orca do SeaWorld foi filmada nesta primavera pulando para fora do seu tanque para escapar da perseguição extensiva dos seus companheiros de tanque. E agora, um relatório divulgado no último dia 15 pela FMF – Free Morgan Foundation inclui várias fotos mostrando os ferimentos em Morgan ocasionados pelos ataques das outras orcas e as condições em que ela está sendo mantida.

Em uma foto, ela pode ser vista com marcas profundas de arranhões causadas pelos dentes de outra orca que atravessam a mancha branca de seu olho direito, assim como marcas de dentes na mancha branca de sua barriga branca da barbatana.

Em outra foto, ela pode ser vista com o que a equipe de pesquisa descreveu como “glóbulos de muco” escorrendo do seu olho, devido a uma condição desconhecida.

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Morgan é uma orca selvagem que vive no Loro Parque, um parque marinho nas Ilhas Canárias, junto com cinco outras orcas do SeaWorld emprestadas para a instalação espanhola.

Seu tempo em cativeiro tem sido curto, mas triste, conforme essas fotos mostram. Em 2010, ela foi vista nadando na costa holandesa. Ela parecia estar doente, e o Harderwijk Dolphinarium a capturou com a alegação de tratá-la e depois reabilitá-la.

Mas ao invés de ser solta, Morgan foi transferida para o Loro Parque em uma série de ações obscuras que os críticos descreveram como “lavagem de orca”. Ela agora se apresenta no show do circo marinho do Loro Parque, e o SeaWorld reivindicou sua posse.

Desde que foi colocada em cativeiro, Morgan está tendo problemas para se adaptar – apesar do SeaWorld e do Loro Parque alegarem que ela está prosperando. Ela é repetidamente atacada pelos seus companheiros de tanque e também apresenta comportamentos estereotipados – ações repetitivas e sem sentido que animais usam para lidar com o estresse do cativeiro, e que frequentemente levam à automutilação. Ela já foi vista batendo sua cabeça repetidamente nas paredes de concreto.

Em um incidente no mês passado, Morgan foi filmada pulando para fora da água e se encalhando ao lado do seu tanque, onde ela permaneceu por pelo menos 10 minutos. Um segundo vídeo surgiu de outro incidente onde ela novamente se encalhou; neste vídeo ela parece ter sangue escorrendo de seu queixo.

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Em um terceiro vídeo, uma orca chamada Tekoa – um macho de 15 anos do Loro Parque que nasceu no SeaWorld em Orlando e é um dos filhotes de Tilikum – pode ser visto apresentando o mesmo comportamento.

Assim como Morgan, Tekoa é um alvo frequente de perseguição, e os pesquisadores da FMF o descrevem como “uma das orcas mais mordidas em cativeiro, em todo o mundo” – o que pode facilmente ser visto nas marcas de mordida cobrindo seu corpo na foto abaixo.

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Os vídeos causaram revolta internacional, mas o SeaWorld e o Loro Parque foram rápidos em descartar quaisquer preocupações sobre o comportamento de Morgan e Tekoa, dizendo que é normal para orcas saírem da água na natureza.

Essas alegações foram amplamente desmentidas pelos críticos. Ingrid Visser, a cofundadora da Free Morgan Foundation e uma reconhecida bióloga marinha que frequentemente observa Morgan e as outras orcas no Loro Parque, disse ao The Dodo na época, que o comportamento era altamente anormal e que as angustiadas orcas provavelmente estavam saindo da água porque era a única forma que elas podiam escapar da agressão dos seus companheiros de tanque (Orcas raramente brigam entre elas na natureza, mas os tanques apertados do parque marinho e outros fatores estressantes fazem com que isso se torne um problema frequente entre as orcas cativas).

O relatório, dos autores Visser e Rosina Lisker, uma assistente de pesquisa do Orca Research Trust (Fundo de Pesquisa de Orcas), foi baseado em vários anos observando e fotografando Morgan no Loro Parque. Ele também levantou preocupações sobre o bem-estar psicológico de Morgan, observando que ela frequentemente está angustiada com as normas do Loro Parque, assim como com as agressões dos seus companheiros de tanque.

Por exemplo, em uma visita, os pesquisadores testemunharam Morgan presa em um tanque médico – uma piscina minúscula que mede somente 12 metros de comprimento por 7 metros de largura e 4 metros de profundidade – com duas outras orcas enquanto elas esperavam para entrarem em um show. Naquela época a água tinha somente 3,5 metros de profundidade; orcas podem mergulhar milhares de metros na natureza, e Morgan em si tem 5 metros de comprimento, o que significa que ela nem conseguia se afundar completamente no tanque.

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Alguns dias após a foto acima ter sido tirada, um vídeo surgiu de Morgan aparentemente em pânico enquanto presa no minúsculo tanque médico, se debatendo e batendo sua cabeça sem parar na pesada grade que a separava do tanque principal.

De acordo com os pesquisadores da FMF, Morgan estava certamente angustiada pelo tamanho pequeno da piscina, o que restringe enormemente a liberdade de movimento das orcas e possui o desconforto adicional de um chão que pode ser erguido a qualquer momento, empurrando-as completamente para fora da água.

“O Loro Parque consistentemente usa o tanque médico como um tanque de espera durante os shows, o que causa estresses físicos e sociais inaceitáveis para a orca”, os pesquisadores escreveram. “Essas ações vívidas de Morgan [no vídeo] claramente indicam um elevado nível agudo de estresse… qualquer um com até mesmo o mais básico entendimento do comportamento animal pode reconhecer que se debater, os gritos estridentes e bater nas grades estão muito longe de um comportamento ‘normal’, ‘natural’ ou até mesmo ‘treinado’”.

Mas Morgan não é de longe a única orca do SeaWorld que está sofrendo. Conforme o The Dodo previamente já relatou, no relatório também constou que muitas orcas estão perdendo seus dentes e possuem cicatrizes em seus maxilares por roerem e nadarem de cabeça nas paredes de seus tanques. E Keto, um macho de 21 anos que nasceu no SeaWorld San Antonio antes de ser emprestado para o Loro Parque, parece ter uma quantidade de doenças de pele, conforme destacado no relatório.

Uma foto da sua mancha de sela – a marca branca nas costas da orca atrás de sua barbatana dorsal – mostra misteriosas marcas de origem desconhecida.

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Ele também parece ter lesões em sua lateral.

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Ele também está com a pele dura e enrugada abaixo de sua barbatana dorsal em sua lateral, devido a uma doença de pele desconhecida.

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Os pesquisadores também reportaram vendo marcas de arranhões em várias outras orcas além de Morgan.

É claro, estas fotos recentes estão adicionadas a dezenas de outras, publicadas através dos anos, que mostram que todas as orcas do SeaWorld, tanto no Loro Parque como nas outras localizações nos EUA, estão sofrendo com marcas de arranhões, automutilação ou qualquer uma dentro de uma variedade de sintomas físicos e mentais.

Para os pesquisadores, estas últimas imagens somente reforçam o que críticas já sabem há anos.

“As condições de vida no Loro Parque estão abaixo do padrão e indicam uma negligência grave”, a equipe da FMF escreveu. “Os indicadores observados em relação a Morgan, a única orca nascida na natureza que está em cativeiro no Loro Parque, destacam quão extrema é a situação”.

Você pode ler a cobertura adicional do relatório feita pelo The Dodo, que também mostrou que várias orcas estão perdendo seus dentes, clicando aqui.

Se você acha que Morgan e as outras orcas do SeaWorld merecem mais do que isso, clique aqui para descobrir como você pode entrar em contato com o SeaWorld e o Loro Parque. Para ajudar a equipe que luta por Morgan, você pode fazer uma doação para a Free Morgan Foundation aqui.

Fonte: The Dodo

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