Associação denuncia morte de dezenas de animais em poços a céu aberto em Esposende, Portugal

Associação denuncia morte de dezenas de animais em poços a céu aberto em Esposende, Portugal
ASSOCIAÇÃO CIDADÃOS DE ESPOSENDE.

Associação Cidadãos de Esposende denunciou, esta segunda-feira, a morte de dezenas de aves, cães, gatos e coelhos, alguns encontrados já em estado de putrefacção, em poços a céu aberto existentes no concelho. Num comunicado enviado para as redacções, a associação refere ainda que “já tinha alertado para a existência de 432 poços numa união de freguesias em Esposende” e afirma ter denunciado a situação à Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), Comissão Europeia e World Animal Protection, uma organização sem fins lucrativos de bem-estar animal.

“Não se pode admitir que dezenas de animais tenham uma morte lenta em poços ilegais, espalhados por todo o concelho. Isto deve terminar. Há que assumir uma postura diferente e passar para o terreno”, alertam os responsáveis da associação. 

O problema dos poços a céu aberto em Esposende tem-se vindo a arrastar há mais de 15 anos, segundo o núcleo do PCP no concelho. Em comunicado enviado à Lusa na sexta-feira, os comunistas relembraram que, embora a autarquia tenha sinalizado 400 daqueles poços, “nada mais aconteceu e o problema continua a persistir”, deixando as zonas “sem qualquer tipo de vedação” e “escondidas pela vegetação”. 

No início do mês de Março, a Associação Cidadãos de Esposende já tinha denunciado a morte de um animal doméstico num desses poços a céu aberto, tendo alertado “várias entidades nacionais” para intervirem. Segundo documentos entregues por deputados do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, “os poços estão situados em terrenos agrícolas junto à costa, em locais frequentados todos os anos por milhares de crianças e adultos”. E em 2018 uma pessoa morreu afogada num deles, precisamente devido à falta de vedação.

Para a associação, o tempo de esperar por respostas terminou. “É hora de agir, é hora de defender a população e os animais das ‘armadilhas’ existentes e é hora de apurar responsabilidades”, dizem os responsáveis. “Não se entende que um concelho que recebe milhares de visitantes e que pretende ser uma referência em turismo tenha, nos dias de hoje, centenas de poços ilegais, projectando uma imagem negativa a nível nacional”, acrescentam em comunicado.

Em entrevista à TVI, o presidente da Câmara de Esposende, Benjamim Pereira, reconheceu o problema, mas salientou que se trata de áreas privadas e que a situação se deve ao “abandono generalizado da actividade agrícola” naquela zona. Para além disso, a intervenção municipal nos poços a céu aberto torna-se ainda mais complicada, uma vez que os terrenos “estão em processo de partilhas e não se consegue identificar os proprietários”, conclui.

Por Ricardo Jesus Silva, texto editado por Amanda Ribeiro

Fonte: Público / mantido a grafia lusitana original 

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