Associação denuncia tráfico de animais exóticos em Indaiatuba, SP

Associação denuncia tráfico de animais exóticos em Indaiatuba, SP
Fotos: Associação Mata Ciliar de Jundiaí-SP

A Associação Mata Ciliar de Jundiaí, que tem convênio com Indaiatuba, já recebeu quase 37 animais exóticos, que chegaram ao município em caixas de transporte dos Correios, somente no primeiro trimestre de 2017.

“É impressionante a quantidade de animais que recebemos só este ano”, exclama a veterinária da Associação, Cristina Harume Adania. “Temos convênio com Indaiatuba na recepção de animais silvestres recolhidos pela Polícia Ambiental. Contudo, a vinda desses animais por meio dos Correios foi uma surpresa para nós”, complementa.

Segundo a Associação, entre fevereiro e março, eles receberam 13 cobras corn snakes (espécie norte-americana); dois geckos leopardo, lagarto nativo de países do Oriente Médio; e duas aranhas da espécie tarântula Golias.

Os bichos estavam encerrados em péssimas condições, o que os deixou em estado lastimável de debilidade. “Os dois lagartos estavam dentro de um tubo de PVC, enrolado em um pano; uma das tarântulas não resistiu e veio a óbito”, revela Jéssica Paulino, veterinária responsável pelo Centro de Reabilitação da Associação. “Há também uma cobra que está muito mal – ela foi deixada em quarentena e tratamento intensivo”, emenda.

Jéssica conta que os animais foram descobertos pelo pessoal dos Correios. “As encomendas são passadas por uma máquina de raio-X, e foi assim que o conteúdo das caixas foi identificado. Aliás, ressaltamos que os agentes dos Correios foram extremamente competentes em descobrir este crime. A Polícia Ambiental foi imediatamente chamada e os animais foram trazidos para a gente pela Guarda Civil de Indaiatuba e encaminhados ao CCZ”, aponta.

Silvestres

Os animais são comprados por meio da internet e despachados, ocultos em caixas de papelão. “É um processo que leva dias e causa muito estresse e, muitas vezes, a morte do animal”, explica Jéssica.

“Outro problema é que, boa parte desses bichos não pertence à fauna local e o extravio ou abandono ocasiona um grave desequilíbrio ambiental”, alerta a veterinária. “Um caso típico aconteceu nos Estados Unidos, com a cobra píton: o homem multiplicou a espécie e causou descontrole; agora, ela é considerada uma praga. O que os governos precisam entender é que não basta agir quando já é tarde; não se trata simplesmente de exterminar os bichos, é muito mais que isso, pois envolve toda a biodiversidade e o equilíbrio ambiental”, salienta.

Rosangela Ribeiro Gebara, gerente de programas veterinários da organização Proteção Animal Mundial (World Animal Protection), salienta que animal silvestre não deve ser domesticado. “Eles são comercializados como se fossem bichinhos de estimação exóticos, o que significa sofrimento para eles”, esclarece. “Por mais que a pessoa trate com amor e tente oferecer condições ideais, esses bichos jamais terão o que só a natureza pode lhes oferecer”, garante Rosangela.

Comércio ilegal

Sobre o crime identificado na cidade, a gerente aponta a possibilidade de os animais serem destinados a colecionadores. “Há muitas pessoas de alto poder aquisitivo que costumam adquirir espécies exóticas para coleção, contribuindo para o tráfico desses bichos”, argumenta.

“Por isso, pedimos às pessoas que não tentem transformar animais silvestres em pets domésticos. Embora exista a comercialização de espécies autorizadas pelo Ibama, privar esses animais de seu habitat natural causa imenso sofrimento a eles”, reforça Rosangela.

Jéssica Paulino complementa dizendo que, se os animais foram enviados para a cidade é porque alguém aqui promove sua comercialização. “Chegamos a receber peixes, ramsters e ratos com filhotes”, relata.

Denúncias

O tráfico de animais e outros crimes contra o meio ambiente podem ser denunciados à Polícia Ambiental, através do 190 da Polícia Militar, e pela Linha Verde do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), no telefone 0800 61 8080, ou e-mail: linhaverde.sede@ibama.gov.br. A ligação é gratuita para qualquer lugar do Brasil e o atendimento funciona das 8h às 18h. Dados como nome, telefone e endereço do denunciante são mantidos em sigilo.

Por Adriana Brumer Lourencini

Fonte: Tribuna de Indaiá

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