Associações e grupos de proteção animal do Algarve contra canis intermunicipais

As associações de proteção animal do Algarve estiveram reunidas recentemente, em plenário, e decidiram assumir uma posição conjunta contra a anunciada intenção da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve de instalar dois canis intermunicipais na região.

Em causa está, asseguram em comunicado coletivo, “a inadequação daquela resposta ao problema do abandono de animais, que nunca será resolvido através do mero ‘armazenamento’ de cães e gatos encontrados nas ruas”, defendendo antes a criação de mais canis, por cada dois ou três concelhos.

Numa exposição enviada ao presidente da AMAL, Jorge Botelho, e às 16 câmaras e às assembleias municipais do distrito, PRAVI Faro, PRAVI Albufeira, grupo CIAA (Faro), Animais de Rua (Faro), MAF – Faro, Coração 100 Dono (São Brás de Alportel), 2NdHand4Footers (São Brás de Alportel), SOS Algarve Animals (Loulé), Goldra Dog Sanctuary (Loulé), 3AT (Tavira), ADOTA (Tavira), GUADI (Vila Real de Santo António), Refúgio dos Burros (Lagoa), grupo Tiny Shelter (Albufeira), CCCatz (Lagoa), ADAP (Portimão), Cadela Carlota (Lagos), AEZA (Alzejur) e APAR (Olhão) dão conta dos argumentos que sustentam a sua oposição ao modelo proposto pela Comunidade Intermunicipal.

“O modelo proposto não serve a região” é a resposta ao anúncio do avanço, a breve trecho, de dois centros de recolha oficial intermunicipais, em Alcoutim e num sítio por especificar no barlavento, segundo notícias divulgadas na comunicação social.

As associações de proteção animal manifestam o seu “veemente repúdio” ao projeto, considerando que não está a ser devidamente acautelado aquele que deve ser o princípio basilar deste tipo de decisões: a garantia do bem-estar animal.

Considerando que “a distância colocará problemas logísticos diversos e implicará custos acrescidos que não podem ser ignorados”, dificultando ao mesmo tempo, e de forma assinalável, o desejado envolvimento da comunidade, e em especial dos voluntários desta causa, “disponíveis para ajudar, nomeadamente na socialização e na componente do exercício físico dos animais”, o que culminará necessariamente na redução substancial das hipóteses de adopção destes animais, as associações recusam que a construção de dois canis seja a solução para o problema do abandono animal.

Ao mesmo tempo, alegam que a lotação prevista de um dos centros de recolha – cerca de 300 boxes individuais – será rapidamente excedida, renovando-se o problema de acolhimento dos animais que venham a ser resgatados depois disso.

As associações que subscreveram a exposição feita às autarquias assumem como uma mais-valia negocial o seu percurso de “longos anos de experiência no terreno” e o seu conhecimento da realidade local, dos seus maiores problemas e constrangimentos, para defender uma aposta “em novas abordagens, mais consentâneas com as necessidades destes animais e com a urgência em encontrar respostas eficazes para o flagelo que assola a região algarvia”.

A exigência passa por serem “ouvidas e incluídas” no esforço de reflexão e no processo de tomada de decisões sobre este tema, acreditando que “é preferível a construção de centros de recolha oficiais de menores dimensões”, disseminados pelo território, de carácter municipal ou envolvendo dois a três municípios.

“A construção de centros de recolha de forma isolada não resolve o problema, sendo absolutamente necessária uma atuação integrada que incorpore diferentes medidas”, sustentam as organizações.

Na exposição à AMAL e autarquias, as associações preconizam que os municípios possam, diretamente ou em colaboração com organizações zoófilas, promover campanhas de esterilização massiva de animais de rua e a preços especiais para famílias carenciadas, bem como campanhas de adoção, educação e sensibilização dos cidadãos, garantindo também todas as condições materiais para que os médicos veterinários municipais possam cumprir cabalmente as suas funções.

As associações pretendem ainda que as autoridades competentes diligenciem no sentido de garantir uma melhor e mais abrangente fiscalização, para “fazer cumprir os normativos legais de forma efetiva, nomeadamente a colocação de microchip e o registo dos animais”, orientando parte das receitas resultantes das coimas e das taxas de registo para a concretização de medidas de proteção e bem-estar animal e, consequentemente, para garantir a defesa da saúde pública.

Em conclusão, as organizações de proteção animal convidam a uma nova reflexão da AMAL sobre a intenção de construir duas megaestruturas para acolhimento de animais que, em seu entender, “pouco ou nada resolverão”.

“Partindo da firme convicção de que é do interesse de todos os cidadãos algarvios resolver da melhor maneira este problema, acautelando os interesses dos animais e das populações, as associações lançam assim um apelo ao diálogo com os poderes públicos, fazendo votos de que dessa reflexão conjunta possa nascer a melhor solução para todos”, conclui-se.

Fonte: Diário Online / mantida a grafia lusitana original


Nota do Olhar Animal: O problema não é a existência de canis e sim a ausência de políticas públicas de esterilização, educação para a tutela responsável e encaminhamento para adoção. Sem estas ações, os canis realmente se tornarão meros depósitos de animais.

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