Ataques de sabiás em defesa de seus filhotes assustam moradores em Salvador, BA; vídeo

Ataques de sabiás em defesa de seus filhotes assustam moradores em Salvador, BA; vídeo
Aves criaram ninhos em árvores da rua Leonor Calmon e atacam para proteger filhotes.

Os moradores do bairro Cidade Jardim, em Salvador, têm passado por uma situação, no mínimo, inusitada. Nos últimos dias, ataques de sabiás se tornaram constantes na rua Leonor Calmon, a principal da região. Quem anda pela calçada é surpreendido pelos pássaros que criaram ninhos nas copas das árvores e reagem à aproximação das pessoas para defender seus filhotes.

A assistente de cabeleireiro Luzinete Santos, que trabalha em um centro comercial da região, foi uma das vítimas do ataque por dois dias seguidos. Segundo ela, o que mais chamou atenção foi o ruído provocado pelas aves na tentativa de afastar o perigo iminente.

“Eu estava andando na calçada e o sabiá fez um barulho terrível antes de atacar minha cabeça, que até ficou um pouco ferida. Tomei um susto e ele ainda me seguiu até eu me distanciar do lugar. Outros colegas, clientes e até cachorros também foram atacados”, conta.

A ação dos pássaros foi registrada por uma moradora da rua. Assista:

A situação, que provoca receio em relação ao comportamento das aves, pode ser bastante comum nesta época do ano. Segundo o ornitólogo (biólogo especialista em aves) Thiago Filadelfo, o período reprodutivo da maioria dos pássaros acontece entre os meses de dezembro e abril, época em que eles constroem seus ninhos e cuidam dos seus filhotes. Entretanto, em áreas urbanas, a reprodução pode ocorrer durante todo o ano.

“Esta interação com o ser humano é mais difícil de acontecer em um lugar preservado. Na cidade, temos que respeitar o animal porque, quando ele ataca, quer dizer que está com o ninho perto. Se ele escolheu colocar um ninho ali é porque se sente seguro e achou que o local é propício para ter sucesso na reprodução”, explica.

O processo entre a construção do ninho, o nascimento e a saída dos filhotes leva, em média, um mês. Enquanto isso, o especialista orienta que as pessoas evitem se aproximar das aves. “Quando acontece dentro de um condomínio, por exemplo, é legal colocar uma sinalização para evitar a interação negativa com a fauna local. É importante ter este contato com a natureza dentro da cidade”, ressalta.

Crime ambiental

O local de nidificação – onde as aves fazem seus ninhos – é protegido pela Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998). No artigo 29, que trata dos crimes contra a fauna, está prevista a pena de detenção de seis meses a um ano, além de multa, para quem “modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural”.

Segundo a subtenente Gracina Farias, da Companhia Independente de Polícia Ambiental (Coppa) – responsável pela proteção da biodiversidade e manutenção do local -, o papel da sociedade é proteger o animal que, naquele momento, sente-se ameaçado não só pelas pessoas, mas também por predadores, como gaviões e até ratos.

“Estas aves não oferecem grandes riscos às pessoas. A gente orienta que os moradores protejam estes ninhos, não façam movimentos bruscos, não mexam nas árvores nem deixem as crianças jogarem pedras. O risco é maior para as aves do que para nós”, enfatiza.

Por Thaís Seixas

Fonte: A Tarde


Nota do Olhar Animal: É fundamental que os órgãos responsáveis (Ibama, Polícia Ambiental, secretarias de meio ambiente municipal e estadual) orientem a população sobre como proceder, para que os pássaros não sofram agressões e a própria população não seja vítima das bicadas.

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