Ativista acusa Câmara de perder rastro de 60 cães após fecho do canil em Portugal

Ativista acusa Câmara de perder rastro de 60 cães após fecho do canil em Portugal

O tema prende-se com a estrutura gerida por uma entidade que, sob a anterior designação de DZG Canedo e agora denominada ARC Canedo, chegou a acolher 150 animais em simultâneo no mesmo terreno e, nos últimos anos, foi diversas vezes criticada por não lhes proporcionar as condições devidas, o que motivou queixas-crimes nas autoridades e até um protesto junto às suas instalações, em julho de 2020.

Esse canil sempre foi reconhecido por autarquia e autoridades policiais como “ilegal”, mas agora a ativista Joana Almeida afirma: “Foi decretado o encerramento do canil pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e imputada responsabilidade ao município, que deveria acautelar o destino dos animais que ali se encontravam há anos. Tal não se verificou, sendo que os cães encontram-se agora em parte incerta”.

A mesma fonte insiste assim que a Câmara da Feira “perdeu o rasto a mais de 60 cães cujo destino devia ter acautelado na sequência da ordem de encerramento do abrigo da ARC Canedo, emitida no início do ano pela DGAV”.

Recordando que, em fevereiro de 2020, a Câmara da Feira estava a finalizar “a construção de um parque de matilhas que também iria servir para alojar os animais apreendidos à associação ilegal”, Joana Almeida declara que “a omissão de medidas atempadas por parte do Município levou a que, recentemente, os mais de 60 cães tenham desaparecido”.

A mesma ativista acrescenta que os dois dirigentes da antiga DZG Canedo – Berta Brazão e o holandês Dick Leegwater – “continuam a recolher animais” e a acolhê-los “em parte incerta”

“Suspeita-se que os cães tenham sido encaminhados para países estrangeiros, num cenário de tráfico de animais”, diz Joana Almeida.

“O destino final dos animais é desconhecido, mas sabe-se que é prática comum o seu envio para países como a Alemanha e a Holanda a troco de 395 euros por cão”, sendo esse valor “pago pela entidade ou particular que recebe o animal [no estrangeiro] e posteriormente o vende”, disse.

Contactada pela Lusa, a Câmara Municipal da Feira ainda não revelou o que aconteceu aos animais do canil encerrado nem prestou sobre o assunto os outros esclarecimentos solicitados.

A ARC Canedo também não esteve contactável para esclarecer onde vem acolhendo os animais que alegadamente estará a recolher.

Na sua página oficial na rede social Facebook, aquela entidade agradece publicamente os bens alimentares que lhe foram doados pela associação Animalife e transcreve o que cita como uma “decisão do tribunal”, deliberando “absolver Berta Brazão do crime de maus tratos a animais que lhe era imputado”

Fonte: Notícias ao Minuto / Mantida a grafia lusitana original

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