Ativistas apelam ao boicote do novo filme “Jackass” por causa da crueldade animal

Ativistas apelam ao boicote do novo filme “Jackass” por causa da crueldade animal
Vários animais foram usados nas filmagens

É um desafio recorrente nos atos de pura loucura de “Jackass”: um ringue, um touro à solta e alguém a arriscar-se a ser colhido de forma violenta. Para celebrar o 20.º aniversário e o novo e quarto filme, “Jackass Forever”, as (mais) maduras estrelas da série arriscaram novamente atiçar a ira do animal. O resultado foi particularmente doloroso para Johnny Knoxville, criador e protagonista de “Jackass”, que ficou com várias sequelas do encontro.

“Foi a pior cacetada que levei de um touro. Ou que levei em toda a minha vida”, explicou recentemente o ator, antes da estreia do filme. O embate resultou em danos imediatos: um pulso e várias costelas partidas, agravadas por uma concussão cerebral que o obrigaram a tratamentos prolongados e uma “diminuição das capacidades cognitivas”.

Enquanto uns se preocupam com a saúde dos atores, outros olham para lá da cerca, para os animais que regularmente servem de cúmplices às tresloucadas ideias da equipa de “Jackass”. Neste caso é a PETA, a People for the Ethical Treatment of Animals, organização que luta pelos direitos animais, que se decidiu pronunciar.

Num comunicado público, a PETA apelou a um boicote mundial do filme. “O abuso de animais é inaceitável. Em vez de [a Paramount Pictures] cortar cenas que envolvem atiçar um touro a carregar sobre pessoas, a provocar uma cobra sensível até que ataque ou forçar uma assustadiça tarântula dentro de um tubo, com dos homens a berrar em cada uma das aberturas, optaram por adicionar ainda mais manobras com animais na versão final”, condena a organização.

O quarto filme da série que nasceu na MTV em 2001 é um regresso ao fim de vários anos de pausa. “Jackass Forever” traz de volta nomes como Steve-O, Christ Pontius, Ryan Dunn, Jason Acuña ou Dave England, velhos conhecidos dos fãs. Apesar de não haver estreia agendada para Portugal, o filme chegou aos cinemas norte-americanos a 4 de fevereiro. E contrariamente ao que esperaria a PETA, tem sido um sucesso estrondoso.

“Jackass Forever” disparou para o topo da lista de filmes mais vistos e já dobrou o valor do orçamento, que havia sido de oito milhões. No primeiro fim de semana, arrecadou mais de 20 milhões de euros nas bilheteiras.

No que depender da PETA, os criadores de “Jackass Forever” não terão descanso. A organização prometeu contactar as autoridades oficiais de Los Angeles para que investiguem “a aparente crueldade para com os animais”, a par de um “apelo ao boicote”. “Os animais não são atores — nunca consentiram participar nestas manobras horrendas e não devem ser usados para o nosso entretenimento.”

Na lista de queixas está, por exemplo, uma cena partilhada no trailer, onde alguém é visivelmente mordido na face por uma cobra. “As cobras são naturalmente reclusivase escondem-se dos humanos, exceto quando são provocadas. Esta cobra terá sido colocada num ambiente que não é o seu, entre luzes e ruídos fortes (são altamente sensíveis a vibrações) e foram provavelmente manuseadas contra a sua vontade”, explica a PETA. “Estas condições provavelmente causaram o stress mental que terá impelido a cobra a sentir-se ameaçada e a atacar como resposta.”

É também criticado o uso de um touro, cujo ataque “é habitualmente resultado de uma provocação”, e a de colocação de uma tarântula num tubo ligado a dois homens, que gritavam de cada um dos lados. “As tarântulas são sensíveis às vibrações, que usam para detetar o perigo, e é por isso que sons altos e estranhos são particularmente stressantes.”

A PETA terá agido imediatamente após o visionamento do trailer e, segundo o comunicado, terá voltado a reforçar as objeções após os primeiros visionamentos para a imprensa, que revelaram outras cenas potencialmente perigosas para animais.

“Noutra cena, Knoxville e Steve-O provocam abelhas para que ataquem o pénis do segundo, o que acaba por provocar a morte de várias abelhas. Noutro, um escorpião é colocado junto à boca de Rachel Wolfson e repetidamente agredido por Eric André até que o animal atacasse”, escreve a organização.

“Pedimos aos espectadores que evitem ‘Jackass Forever’ e que contactem a Paramount Pictures (…) para os informarem que a crueldade animal não é nenhuma piada — e que é precisamente esse o motivo pelo qual não irão ver o filme.”

As cenas com animais são extremamente comuns em “Jackass”. O elenco chegou a nadar em piscinas de bolas, onde as bolas de plástico foram trocadas por anacondas gigante. Foi, aliás, uma das manobras eleitas pelos próprios como uma das mais loucas. “As cobras são como os touros, gostam de colaborar”, recorda Knoxville à “Rolling Stone”. “Tinha fita eletrificada à volta dos meus pulsos porque não queria que me mordessem numa artéria. Depois de sairmos, um dos tipos disse: ‘Uma destas cobras arrancou o gémeo a um tipo no outro dia’.”

Em “Jackass 3”, alguns membros da equipa são despidos e apenas com uma venda e uma coquilha, têm que pregar um pin no rabo de um burro. Logicamente, ao aproximarem-se por trás do animal, estão sujeitos aos perigosos coices. E foi precisamente isso que aconteceu.

Em “Jackass 3D”, uma colmeia de abelhas é presa a um poste e, dois dos atores, têm que acertar nela com um pau. Quase totalmente despidos, sujeitam-se às inevitáveis picadelas dos animais. Mais mais famosa foi a manobra feita ainda na MTV, na série lançada em 2000. Knoxville despiu-se e besuntou as cuecas com um material que poderia atrair abelhas, com o objetivo de criar uma “cueca de abelhas”. Os animais cumpriram e nasceu assim uma das mais famosas manobras dos tipos mais loucos da televisão.

Por Daniel Vidal

Fonte: NiT

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