A orangotanga Sandra tem 33 anos e continua no ex-zoológico de Buenos Aires.

Ativistas argentinos pedem a juíza que envie orangotango Sandra para o Brasil e não para os EUA

A Associação de Funcionários e Advogados dos Direitos dos Animais pediu à juíza Elena Liberatori “a modificação de seu critério” para que a primata não vá até os EUA por causa do tempo e dos custos da viagem, entre outros motivos.

Depois de vários meses de gestão e após a justiça argentina ter decidido trasladar a orangotango Sandra desde o Ecoparque portenho até o Center for Great Apes (Estados Unidos), a Associação de Funcionários e Advogados dos Direitos dos Animais (AFADA) deu entrada na manhã do último dia 15 no pedido para que essa decisão judicial seja revista.

O pedido foi dirigido para a juíza da causa, Elena Liberatori, e solicita “a modificação de seu critério para enviar a orangotango Sandra a qualquer dos Santuários de Grandes Primatas de São Paulo ou Curitiba no Brasil, e não ao santuário dos Estados Unidos”, disse o presidente da AFADA, Pablo Buompadre, ao site Infobae.

Sandra foi declarada “sujeito não humano” em 2014 e, desde então, espera abandonar sua jaula do ex-zoológico portenho.

Fundamentos para pedir que o lugar do traslado seja revisto

No dia 10 de julho de 2017, a justiça argentina rejeitou o pedido de libertação da primata solicitado pela AFADA argumentando que o Santuário de Sorocaba, no Brasil (onde vive há dois anos a orangotango Cecilia), “não possuía funcionários com experiência nem capacitação no manejo de orangotangos”.

Perante essa decisão, a AFADA apelou três dias depois: “A resolução de Liberatori era autocontraditória e carecia de uma fundamentação adequada”, garantem os letrados.

Santuário Anami do Brasil, para onde pedem que seja trasladada Sandra, a orangotanga que desde 1994 mora no ex-zoológico de Buenos Aires.
Santuário Anami do Brasil, para onde pedem que seja trasladada Sandra, a orangotango que desde 1994 mora no ex-zoológico de Buenos Aires.

Neste contexto, acrescentam: “Argumentar que o santuário de Sorocaba não possui especialistas em orangotangos não era razoável, já que no Ecoparque portenho, onde Sandra mora desde 1994, tampouco existe um especialista nem em orangotangos nem em grandes primatas, e sim um veterinário, assim como nos santuários brasileiros”.

Além disso, o documento da AFADA sustenta que o tribunal não considerou a experiência das médicas veterinárias dos santuários brasileiros onde cuidam de mais de 50 chimpanzés.

Também pediram que a juíza “se recorde dos maus antecedentes do ex-zoo de Buenos Aires” e da triste história dos três orangotangos alemães (Sarah, Timo e Connie) que em 1998 faleceram pouco tempo depois de terem ingressado no local.

“Essas mortes não ocorreram por causas naturais, mas sim pelo mau manejo e pelo habitat precário dos recintos destinados a esses exemplares no zoo”, sustenta a AFADA.

Santuário Anami do Brasil, para onde pedem que seja trasladada Sandra, a orangotango que desde 1994 mora no ex-zoológico de Buenos Aires.
Santuário Anami do Brasil, para onde pedem que seja trasladada Sandra, a orangotango que desde 1994 mora no ex-zoológico de Buenos Aires.

A esse respeito, Buompadre sinaliza que a investigação dessas mortes “está em pleno processo judicial perante a Unidade Fiscal Especializada em Matéria Ambiental (UFEMA) do Ministério Público Fiscal de CABA”.

A ONG também objetou à juíza a “pressa” de sua decisão, na qual não levou em conta o “acordo tático existente entre a AFADA, as autoridades do Ecoparque e o Santuário de Sorocaba para acessar o pedido de traslado” de Sandra.

Na mesma linha, a ONG considera que a magistrada tomou uma “decisão isolada e infundada sem levar em conta o último relatório técnico dos especialistas argentinos”, que sinalizava que “Sandra estava em condições de ser trasladada para um espaço maior e tridimensional” sem fazer menção “à falta de especialistas em orangotangos dentro do santuário brasileiro”.

A chimpanzé Cecilia vive em Sorocaba no primeiro santuário que esperou por Sandra (Projeto GAP).
A chimpanzé Cecilia vive em Sorocaba no primeiro santuário que esperou por Sandra (Projeto GAP).

Finalmente, Buompadre ressalta que, apesar de que o local escolhido (o Santuário da Flórida) seja “apropriado para Sandra”, há um grande contra para ela: “Demoraria muito mais tempo que o traslado ao Brasil”.

Deve-se, também, considerar as normas oficiais de ingresso a serem seguidas e os “meses de demora de uma quarentena em um zoológico” somados ao custo do transporte pelas grandes distâncias.

“Há alternativas mais simples, rápidas, sem custo e que oferecem a Sandra sair de seu isolamento, porque estará acompanhada especialmente por outra fêmea que vivia no zoológico de Brasília”.

O custo para a cidade de Buenos Aires a que se refere a AFADA superaria os $6 milhões, enquanto que o custo do traslado ao Brasil seria de alguns pesos porque “o Instituto Anami, propriedade do Santuário do Paraná de Grandes Símios, se responsabiliza por todo os gastos”, finalizou.

Por Fernanda Jara / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: infobae

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