Ativistas com seus pets exigem sanções mais severas para maus-tratos a animais na Bolívia

Ativistas com seus pets exigem sanções mais severas para maus-tratos a animais na Bolívia
Pessoas na marcha contra os maus-tratos. (EFE)

Centenas de ativistas e funcionários da Câmara Municipal de La Paz marcharam este domingo 02 de junho com os seus animais de estimação para pedir que as sanções por abuso de animais sejam endurecidas na Bolívia, onde o biocídio é atualmente punível com penas de dois a cinco anos de prisão.

Biocídio é qualquer ato que provoque a morte de um animal sem necessidade. A marcha, chamada Cada patita cuenta, percorreu as principais ruas do centro histórico de La Paz. Convocada pelo município e por organizações de defesa dos animais, a mobilização teve como principal lema o bem-estar animal e o repúdio aos abusos.

“Os animais têm direitos e os tutores têm obrigações”

A afirmação foi de Fernando Guzmán, chefe da Unidade Integral de Saúde Animal e Zoonoses da Prefeitura de La Paz. Guzmán indicou ainda que a Zoonose trata semanalmente entre sete e oito casos de maus-tratos a animais, além de incidentes em que animais de estimação atacam pessoas por falta de supervisão dos seus donos.

“Animais de estimação são para casa e não para a rua”

Ativistas pelos direitos dos animais marcharam neste domingo (02) para pedir que as sanções sejam endurecidas. (EFE)
Ativistas pelos direitos dos animais marcharam neste domingo (02) para pedir que as sanções sejam endurecidas. (EFE)

Entre os manifestantes estava Ronald Fierro, cujo cachorro Zeus foi atropelado e morto sem receber ajuda. Fierro defendeu que os animais de estimação são como crianças para muitas pessoas e lamentou a indiferença a situações como a de Zeus.

“Estamos realizando esta marcha para que possam vir apoiar porque são eles (os animais) que não têm voz”

Os manifestantes carregavam faixas com mensagens como “Não ao abuso de animais” e “Pedimos a modificação da Lei 700”. Entre os participantes estavam Huesos, um pequeno cão mestiço; Paco, um gato carregado nos braços; e Teddy, um golden retriever com um suéter cinza. Vários cachorros pequenos, conhecidos como chápis, também aderiram à marcha, como Balú, que estava em uma carroça com um slogan contra o abandono.

Modificação da Lei 700

Organizações de defesa dos animais procuram modificar a Lei 700, em vigor desde 2015, que pune o biocídio com penas de dois a cinco anos de prisão. Pretendem pedir ao Parlamento que estenda a pena “de cinco para dez anos” de prisão.

O laranja, cor que identifica o combate à crueldade e maus-tratos contra animais, predominou em banners, balões e roupas de tutores e animais de estimação. A Polícia Florestal e de Preservação Ambiental (Pofoma) atendeu cerca de 1,4 mil casos de maus-tratos a animais em 2023 e registrou cerca de 600 casos de janeiro ao início de maio deste ano.

Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: Ecuavisa