Ativistas denunciam espancamento de porcos em fazenda do condado de Weber, EUA

Ativistas denunciam espancamento de porcos em fazenda do condado de Weber, EUA
Esta captura de tela de um vídeo mostra uma pessoa batendo em um porco com uma tábua. O incidente ocorreu em uma fazenda no leste do condado de Weber em 15 de março de 2021, disse a PETA. Imagem Fornecida pela PETA.

Um grupo de direitos dos animais pediu uma investigação sobre o espancamento de porcos em uma fazenda do condado de Weber, nos Estados Unidos.

A suposta agressão foi gravada em vídeo em 15 de março na fazenda Jensen-Fowers, localizada na rodovia estadual 39, na área de Huntsville, disse um porta-voz da organização não governamental People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) no dia seguinte.

O vídeo mostra homens a bater em porcos no rosto e no corpo com uma tábua, chutá-los, empurrá-los e erguê-los pelo rabo e pelas patas.

“Não é sempre que você vê agressões como esse acontecerem em plena luz do dia ao lado de uma estrada movimentada”, disse Colin Henstock, gerente adjunto de investigações da PETA em Norfolk, Virgínia.

O tenente Cortney Ryan, porta-voz do Weber County Sheriff’s Office, confirmou no dia 16 que uma investigação criminal está em andamento, mas mais detalhes ainda não foram divulgados.

A PETA solicitou uma investigação em uma carta de 17 de março ao xerife Ryan Arbon.

A PETA afirmou que os atos vistos no vídeo podem constituir “tortura” sob a lei de crueldade contra animais de Utah, que significa “intencional ou conscientemente causar ou infligir dor física extrema a um animal de maneira especialmente hedionda, atroz, cruel ou excepcionalmente depravada”.

Uma pessoa condenada por crueldade agravada contra animais pode ser sentenciada a até cinco anos na prisão estadual.

A lei de crueldade contra animais não se aplica à pecuária, incluindo suínos, “se a conduta em relação ao animal e os cuidados prestados a ele estiverem de acordo com as práticas de criação de animais aceitas ou com as práticas habituais da agropecuária”.

De acordo com a Divisão de Corporações de Utah, uma entidade com sede na cidade de Billings, Montana, opera a Jensen-Fowers Farm LLC.

Em uma entrevista por telefone, Marian Martin, de Billings, disse que ela e sua filha são donas da fazenda, e relatou ser administrada por um gerente local.

“Estou tentando descobrir o que está acontecendo”, disse Martin. “Eu não tolero e nem fui informada sobre esse tipo de comportamento”.

Martin disse que ela cresceu na fazenda do condado de Weber.

“Nós nunca teríamos feito ou tolerado isso”, disse ela.

Martin disse que ela foi contatada pela PETA sobre a agressão.

Allison Fiscus, da cidade de Roy, diretora executiva do grupo da indústria Utah Pork Producers, condenou as ações vistas no vídeo.

“Não há desculpa para isso”, disse ela. “Nós absolutamente não toleramos maus-tratos a animais”.

Fiscus disse que assistiu ao vídeo e viu as ações violentas.

“Dependendo da idade dos porcos, parece que eles deveriam ter sido movidos com painéis para condução de suínos”, disse Fiscus. Os homens no vídeo “aparentemente não foram educados no manejo e na criação de porcos de forma adequada”, disse ela. “Mas não há espaços para desculpas.”

Fiscus disse que não tinha ouvido falar da fazenda envolvida, e acrescentou que “há muitos pequenos criadores de suínos, especialmente desde a COVID-19”.

Ela disse que seu grupo relatou o incidente ao National Pork Board, o principal grupo da indústria.

Henstock disse que a PETA está grata pelo gabinete do xerife estar investigando.

“Esperamos que eles apresentem toda e qualquer acusação apropriada que seja justificada conforme indicado na filmagem”, disse Henstock. Os homens no vídeo, disse ele, “estavam com certeza espancando e chutando esses porcos repetidas vezes, aos olhos do público, com impunidade”.

Ele disse que a pessoa que filmou o vídeo informou que  agressão continuou por uma hora e 45 minutos.

A atividade “por certo não constitui nenhuma prática de criação de animais aceita que esteja isenta de processo sob a lei estadual”, disse Henstock.

“Não temos certeza da escala desta fazenda, mas (na indústria) a maioria dos porcos são mantidos confinados em galpões imundos e apertados e mortos em uma fração de sua expectativa de vida natural.”

Ele disse que os porcos são “mais espertos do que os cães”, são capazes de fazer amizade com outros porcos e podem sentir e sofrer com a dor infligida durante os maus-tratos.

Fiscus disse que os membros do Utah Pork Producers seguem práticas éticas sobre como conduzir, tratar e cuidar dos animais.

“Quando algo chama nossa atenção, investigamos imediatamente”, disse ela.

Existem mais de 1,3 milhão de porcos em fazendas em Utah, disse ela.

Por Mark Shenefelt / Tradução de Ana Carolina Figueiredo

Fonte: Standard-Examiner

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