Ativistas fazem protesto em frente academia em BH por morte de cadela

Ativistas fazem protesto em frente academia em BH por morte de cadela

Manifestação foi realizada na porta da academia onde uma cadela foi encontrada morta; animal teria sido vítima de maus-tratos.

Por Lygia Calil

MG bh protesto academia

Ativistas do movimento de defesa dos direitos animais protestaram na manhã deste sábado (20) na porta da academia Alta Energia, na região da Pampulha, onde a cadela Anilha foi encontrada morta no dia 9 de dezembro coberta de sangue. Para as cerca de 50 pessoas que participaram do ato, o animal teria sido vítima de maus-tratos e negligência.

Com faixas e gritos pedindo justiça, a manifestação foi pacífica e não chegou a fechar a avenida Tancredo Neves, onde a academia está instalada. Os manifestantes levaram cartazes com fotos da cadela morta, as mesmas imagens que repercutiram no Facebook, compartilhadas milhares de vezes na rede, acompanhadas com a denúncia de maus-tratos. A responsável pela divulgação das imagens foi uma aluna da academia.

Pelos comentários que fez nas redes sociais, também acusando a empresa de negligência, a recepcionista da unidade, Thiene Melo, foi demitida. Indignada com o tratamento dado à cachorrinha da raça Akita, ela procurou a delegacia de Crimes Contra a Fauna de Minas Gerais e prestou queixa. Segundo ela, a partir do registro do bolem de ocorrência, feito em 15 de dezembro, a Polícia Civil tem três meses para investigar o caso. A pena pelo crime de maus-tratos animais varia de um a quatro anos de prisão.

“Tentaram me desanimar de todos os jeitos, mas eu quero que este caso seja um símbolo da luta pelos direitos animais. O que fizeram com a Anilha tem que ser punido. A cadela viveu nove anos presa em um cubículo e foi deixada para morrer à míngua, sem atendimento adequado. Quando os remédios chegaram para tratá-la, ela já estava morta”, disse a ex-recepcionista.

Em nota enviada pela assessoria de imprensa, a academia nega os maus-tratos e afirma que “repudia qualquer ato de violência contra os animais”. A empresa informou que a cadela passou por uma consulta veterinária no dia 4 de dezembro e foi diagnosticada com miíase (também conhecida como berne ou bicheira), causada por larvas de moscas em um ferimento aberto no cotovelo do animal.

Em entrevista à reportagem, a veterinária Cíntia Amaral confirmou que atendeu a cadela e que ela foi tratada conforme suas orientações. Na opinião da profissional, a causa da morte não foi o ferimento que ela tratou. “TA cachorra era um animal bem tratado e os donos sempre seguiram todas as minhas recomendações. Com meus 20 anos de experiência na área, posso assegurar que ela nunca sofreu maus-tratos. Infelizmente, ela morreu. Como os donos ficaram desesperados e a enterraram imediatamente, não posso dizer o que causou, mas atesto que não foi o ferimento no cotovelo que eu tratei, que era menor do que uma moeda de R$ 1”, disse.

Movimentação

Passando pela manifestação, o programador Marcos Vinícius Carvalho, 23, disse que iria se matricular na academia, mas desistiu da ideia por causa da cadela. “Eu tenho cachorro e sei que bicheira é muito simples de se tratar. Se deixaram chegar a esse ponto, foi uma irresponsabilidade. As fotos são chocantes”, afirmou ele.

Aluno da academia, o engenheiro químico Mateus Amorim, 29, disse que conhecia a cadela e que tomou um susto com as condições da morte de Anilha. “Ela sempre me pareceu ser bem cuidada, era muito dócil. Procurei saber com a direção o que houve, para ouvir a versão deles, e disseram que estão investigando”, conta. Também matriculada na empresa, a analista de sistemas Fabiana Ribeiro, 29, desistiu de frequentar a academia depois do caso. “Nunca mais quero por os pés nesse lugar. Já resgatei um gato que eles maltrataram, mas o que aconteceu com a Anilha foi chocante demais”, disse ela, que participou da manifestação.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DA ACADEMIA:

Há 23 anos, a academia Alta Energia conta, em algumas de suas unidades, com cachorros, que são considerados mascotes. O cuidado desses animais dentro das dependências da academia está de acordo com a cultura da empresa em incentivar a sociedade a ter animais de estimação, bem como cuidá-los e mantê-los, de modo a assegurá-los qualidade de vida. Infelizmente, no último dia 09, terça-feira, a cachorra Anilha, da raça Akita, foi encontrada morta, no canil onde residia, localizado na Unidade Pampulha. A causa da morte está sendo investigada e as medidas cabíveis serão tomadas pela empresa.

A Alta Energia esclarece que não houve qualquer tipo de maus tratos, por parte da empresa, ao animal, e que o mesmo recebia consultas e banhos regularmente em clínicas veterinárias.

A Alta Energia ainda informa que, na última consulta da Anilha, realizada no dia 04 de dezembro, quinta-feira passada, foi detectada uma miíase, conhecida como berne ou bicheira, no cotovelo direto. Imediatamente, foi realizada limpeza na região afetada e prescrita as medicações necessárias para o tratamento. Tais informações estão contidas em um laudo expedido por clínica veterinária especializada.

A Alta Energia lamenta profundamente o ocorrido e repudia qualquer ato de violência contra os animais.

Fonte: O Tempo

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.