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Ativistas indonésios lutam contra uso de animais exóticos para “estimação”

 Por Arlina Arshad / Tradução de Alda Lima

Era domingo em uma praça descontraída na cidade de Jacarta. Dois jovens civetas em coletes vermelhos perseguiam um ao outro, enquanto um adulto de coleira bebia chá de jasmim em uma xícara.

Eles logo foram acompanhados por um civeta ágil numa camiseta do Super Homem e uma lontra num colete cor-de-rosa com capuz.

Os animais pertencem a membros do Komunitas Musang Lovers Indonésia, um grupo de amantes de gatos selvagens e lontras. O grupo tem se reunido regularmente para curtir a nova mania de animais de estimação exóticos que atingiu a Indonésia.

Cerca de 10.000 civetas estão sendo mantidos como animais de estimação em todo o país, diz o grupo. Havia apenas cerca de uma dúzia de tutores de civetas cinco anos atrás.

Indonesia jacarta animaisexoticos 2“Possuir cães e gatos é simplesmente normal demais. Civetas são únicos e tão adoráveis quanto eles. Alguns de nós também começaram a criar lontras”, disse o vendedor de café Fajar Sidiq, 25 anos, que possui um casal de civetas.

A Indonésia é conhecida como um viveiro do comércio de animais de estimação exóticos. Sabe-se de pessoas mantendo animais em perigo de extinção como lóris lentos, águias e pangolins, irritando conservacionistas e ativistas dos direitos dos animais. Embora não seja ilegal manter as espécies mais comuns de civetas como animais de estimação na Indonésia, ativistas dizem que estes mamíferos noturnos deviam viver na natureza selvagem.

Eles também temem que a crescente popularidade do hobby só vá incentivar caçadores ilegais a capturá-los das florestas ou criá-los para a venda.

“Quando a moda morrer, esses animais serão abandonados. Por que animais selvagens deveriam ser domesticados e, em seguida, deixados para sofrer só para alimentar um hobby?” indagou Benvika, porta-voz do grupo de resgate animal Jakarta Animal Aid Network ao The Straits Times.

Um bebê civeta asiático pode ser comprado por cerca de 250.000 rúpias (cerca de R$ 65), enquanto a espécie mascarada menos comum ou de dentes pequenos vale 10 vezes mais. Nos mercados de animais selvagens onde são vendidos, eles são muitas vezes submetidos a maus-tratos, comem pouco e ficam amontoados em pequenas gaiolas, dizem os ativistas.

O Sr. Ernovian Ismail, de 40 anos, que possui seis civetas, disse que o grupo Komunitas desencoraja seus membros de adotar as espécies mais raras, protegidas.

Mas a Srta. Irma Hermawati, coordenadora da unidade de crimes contra a fauna do programa da Indonésia baseada nos Estados Unidos, Wildlife Conservation Society, disse: “Alterar o seu comportamento natural também é abusar deles. Você não precisa possuir civetas ou lontras para amá-los. Amor de verdade é deixá-los em paz”.

Fonte: The Straits Times

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