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Ativistas processam a Guarda Costeira dos EUA

Por Edward Stratton / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Showing Animals Respect and Kindness (SHARK – Mostrando Respeito e Bondade aos Animais), um grupo ativista pelos direitos dos animais, tentando documentar o abate de cormorões (corvos marinhos) na East Sand Island pelo Departamento de Agricultura dos EUA, entrou com uma ação judicial no último dia 29 contra a Guarda Costeira dos EUA sobre sua exclusão da área onde armas de fogo estão sendo usadas.

O grupo de direitos dos animais chegou no mês passado com o Bob e Nancy, um barco Kodiak cinza pago com uma doação do antigo apresentador do programa “Price is Right” e ativista dos direitos dos animais, Bob Barker, e sua parceira Nancy Burnet. O barco está equipado com um drone de oito hélices com uma câmera.

Ativistas estavam saindo do Porto West End Mooring Basin, em Astória, tentando documentar o matança de cormorões pelos barcos operados pelo Serviço de Vida Selvagem perto da East Sand Island, um depósito de dragagem ao sul da fronteira Oregon-Washington perto de Chinook. O Corpo do Exército dos EUA contratou a divisão do Serviço de Vida Selvagem do Departamento de Agricultura dos EUA para fazer os disparos. O serviço se especializa em matar animais que ameaçam o gado ou, no caso do Rio Columbia, salmões ameaçados de extinção.

Os cormorões comem milhões de salmões jovens e trutas arco-íris todos os anos. Apesar desta predação não ter mostrado causar um impacto direto na quantidade de salmões adultos que realmente retornam ao rio para a desova, as agências dizem que diminuir o número de aves irá auxiliar a alcançar os objetivos da recuperação de salmão em longo prazo.

Uma licença emitida pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA autoriza o Serviço de Vida Selvagem a matar 3.114 cormorões-de-orelhas, 93 cormorões-de-Brant e nove cormorões-pelágicos. Os agentes podem também destruir 5.247 ninhos de cormorões ao besuntar os ovos com óleo de milho para sufocar os embriões no interior. Até o dia 27 de abril, o Serviço de Vida Selvagem já tinha matado 1.025 corvos-marinhos-de-orelha, sem nenhum ninho afetado.

Segurança ou segredo?

Conforme solicitado pelo Serviço de Vida Selvagem, a Guarda Costeira criou uma zona segura de exclusão de 500 jardas ao redor dos barcos no dia 25 de abril.

“O espaço recomendado ao redor do uso de uma arma de fogo na água é de 300 jardas”, disse o Suboficial de 1ª Classe Levi Read, um porta-voz da Guarda Costeira. “Devido ao ambiente marítimo, nós adicionamos duas centenas de jardas”.

Read disse que a Guarda Costeira não tomou nenhuma posição a respeito do assunto dos cormorões, e está somente tentando manter as pessoas seguras. A zona de segurança se aplica a todos os navios, ele disse, que não podem demorar-se, mas que ainda podem passar com aviso antecipado.

“O único propósito da zona de segurança é prevenir que jornalistas usem a Primeira Emenda para documentar a atividade”, escreveu Bryan Pease, um advogado do grupo de direitos dos animais, na ação judicial. “Não houve absolutamente nenhuma ameaça de segurança levantada pelo autor ou outros ativistas, que somente vem documentando pacificamente o Nessy (barco do Serviço de Vida Selvagem), o qual teve o efeito de parar com a matança ao iluminar uma luz pública nele”.

Pease alega que o Serviço de Vida Selvagem está usando armas de chumbo e que 75 jardas seriam o suficiente para a zona de segurança.

A ação judicial pede indenização, honorários advocatícios e uma ordem de restrição temporária contra a Guarda Costeira para mudar a zona de exclusão de segurança.

Eles mentiram?

Steve Hindi, diretor executivo do grupo de direitos dos animais, enviou uma carta ao Secretário de Agricultura Tom Vilsack, que gerencia o Serviço de Vida Selvagem, alegando que agentes da agricultura mentiram para manter isso em segredo. Hindi disse que os agentes alegaram que Bob e Nancy estava fazendo manobras de curvas acentuadas para tentar enviar ondas para o barco do Serviço de Vida Selvagem. Hindi afirma que esta alegação é falsa.

“Secretário Vilsack, seu pessoal pode não querer que as pessoas dos EUA vejam o que o Serviço de Vida Selvagem está fazendo, mas eles não tem o direito de usar indevidamente a Guarda Costeira para seu benefício”, Hindi escreveu. “Mentir para uma autoridade policial é uma ofensa séria e alguém em seu departamento fez justamente isso. Nós estamos pedindo uma investigação completa sobre este incidente”.

O Departamento de Agricultura não estava prontamente disponível para comentar.

Abates de cormorões tem sido uma questão controversa em outras partes dos EUA. Em março, o jornal Associated Press reportou que um juiz federal julgou que o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA agiu inadequadamente quando permitiu que até 160.000 cormorões-de-orelhas fossem mortos a cada ano nos 24 estados ao leste do Rio Mississippi.

O grupo de defesa Public Employees for Environmental Responsibility (Funcionários Públicos pela Responsabilidade Ambiental) processou o governo para acabar com a prática, que é conhecida como uma “remoção letal”.

O juiz distrital John D. Bates disse que a agência deixou de considerar adequadamente as consequências não letais ou os efeitos ambientais de longo alcance de atirar nas aves. A decisão não se aplica ao noroeste do país.

Fonte: Chinook Observer

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