Ativistas resgatam camelos maltratados que seriam abatidos para consumo na Índia

Ativistas resgatam camelos maltratados que seriam abatidos para consumo na Índia

Por Rakhee Roy Talukdar / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Camelos escapam da faca do açougueiro, mas ficam doentes e famintos.

A distância que este bando de viajantes andou soma mais de 30 maratonas.

O prêmio que os aguardava? O cutelo do açougueiro. Foi pura sorte que não chegou a isso.

Ao menos 85 camelos desidratados, forçados a andar cerca de 1.300 km de Rajasthan para Hyderabad, na Índia, no mês passado para serem abatidos pela carne, foram resgatados por ativistas dos direitos dos animais, mas traumatizados e quase morrendo de fome.

Agora Rajasthan não tem pressa nenhuma em recebê-los de volta. “Trazê-los de volta será difícil, especialmente dar espaço a eles”, o ministro de produção animal Prabhu Lal Saini disse ao The Telegraph na semana passada.

Então os camelos, interceptados no começo do mês passado no distrito de Ranga Reddy em Telangana, cerca de 150 km de Hyberabad, ainda estão sob custódia provisória do People for Animals (PFA – Pessoas pelos Animais), a ONG que os salvou do abatedouro.

“Cerca de 90 por cento desses camelos, alguns lactando, alguns prenhes e 10 filhotes estão fracos, feridos e traumatizados. Quase morreram de fome, seus pés com almofadinhas macias foram machucados durante a longa jornada”, disse Vasanthi Vadi, secretária do PFA.

Fontes na ONG disseram que os camelos foram contrabandeados para fora do distrito de Jhalawar, para passarem pelas estritas leis do Rajasthan sobre o abate de um animal do estado.

O Ato do Camelo de Rajasthan (Proibição do Abate e Regulação da Migração e Exportação Temporária) proíbe o abate, comércio e transporte não autorizado dos camelos. Matar camelos pode levar uma pessoa à cadeia por até cinco anos.

Esta não foi a primeira vez que camelos – domesticados no Rajasthan pelo leite e para carregar mercadorias e algumas vezes usados para preparar a terra – foram interceptados em outro estado.

“No ano passado nós transportamos 63 camelos daqui (Telangana) de volta para seu lar no Rajasthan. Isso nos custou 1.200.000 de rúpias”, disse Vadi, o oficial do PFA.

Rakesh Kumar, chefe veterinário do único Centro de Resgate de Camelos do Rajasthan em Bassi, disse que a polícia de Bangalore interceptou cinco camelos sendo contrabandeados para o abate alguns meses atrás. “Eles estavam tão doentes que quatro deles morreram”, Kumar disse.

A carne de camelo disponível fora do estado custa cerca de 280 rúpias o quilo.

Ativistas dizem que uma razão por trás dos recentes casos de contrabando de camelo pode ser o fato de que a geração mais jovem não estava interessada em reprodução. Os dados contam a história: o estado possui 400.000 camelos agora, comparados com os cerca de 1 milhão nos anos 90.

Uma proibição federal da Suprema Corte da pastagem nas áreas florestais também significa que os camelos permanecem cronicamente famintos.

Um camelo adulto precisa de 12-15 quilos de comida por dia, o que custa Rs 100, e um concentrado que custa cerca de Rs 150. Então o dono de um camelo tem que gastar ao menos Rs 250 por dia para mantê-lo saudável. Quando isso se torna difícil, ou o camelo fica doente, os donos não tem muita opção a não ser vendê-los aos contrabandistas.

O desenvolvimento também desempenhou seu papel, com estradas até mesmo nas áreas mais isoladas e transporte motorizado tomando o lugar dos animais lentos e pesados, utilizados pelos homens por séculos.

Mas mesmo para os seus padrões resistentes, 1.300 km – ou trinta maratonas de 42 km – não devem ser nada fáceis para eles. “Suas feridas continuam sem tratamento durante a viagem e se tornam severas, com larvas comendo os tecidos vivos”, Vadi disse.

Os contrabandistas quebraram outra regulamentação – as Normas para Transportes de Animais, de 1978 – que diz que os animais a serem transportados devem ser certificados por um veterinário.

Os tratadores dos camelos, que foram presos, não tinham nenhum papel com eles quando foram interceptados. A lei também diz que animais prenhes e jovens devem ser transportados em caminhões ou trens.

Vadi disse que a ONG precisaria de “pelo menos 23 caminhões” e “mais de Rs 1.400.00” para levar os camelos de volta para casa. “Nós não temos tudo isso de fundos”.

Fonte: Telegraph India

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