Ativistas tchecos dos direitos dos animais se acorrentaram ao matadouro de propriedade do 1º ministro

Ativistas tchecos dos direitos dos animais se acorrentaram ao matadouro de propriedade do 1º ministro
Imagem ilustrativa via Freepik

Na manhã do último dia 31, cerca de 20 ativistas tchecos dos direitos dos animais acorrentaram-se ao portão de entrada de um matadouro local a fim de impedir seu funcionamento.

Os ativistas responsáveis pelo protesto disseram que este foi o primeiro evento de protesto direto não-violento na República Tcheca. Eles bloquearam a fábrica, sentando-se na entrada e acorrentando-se uns aos outros.

A fábrica em Mirovice pertence à holding Agrofert, de propriedade do primeiro-ministro tcheco Andrej Babiš até 2017, e processa carne de galinhas e patos.

“Estamos aqui porque estamos desesperados. Os animais são seres sensíveis, tratados pelo homem com enorme crueldade”, disse um dos manifestantes.

“Como pessoas informadas, nos sentimos responsáveis por nos levantar e alertar sobre o sofrimento inútil e a violência cometida diariamente contra vítimas inocentes da chamada indústria de criação de animais”, acrescentou ele.

Os ativistas queriam ajudar a salvar 15 animais e garantir lares seguros para eles hoje. Disseram que queriam salvar as aves de uma morte violenta e “proporcionar-lhes segurança e liberdade por toda a vida”.

Outros participantes estavam posicionados ao redor dos ativistas acorrentados, e seguravam faixas que diziam “A vida pertence àquele que a vive” e “Nós viemos para salvar 15 deles”.

A porta-voz do protesto disse que os ativistas estavam se comunicando com o dono da usina, negociando o resgate de 15 animais. Eles também queriam chamar atenção para a forma como os animais são tratados.

“Temos locais seguros onde eles poderão passar o resto de suas vidas sem serem maltratados”, acrescentou ela.

Uma porta-voz da polícia de Písek disse à CTK que a polícia tinha aconselhado os ativistas a se comportarem com segurança e que estava verificando suas identidades. Ela também disse que, até aquele momento, não havia ocorrido nenhum conflito.

A Agrofert descartou a ideia de que maltrate os animais. O porta-voz Karel Hanzelka disse que a empresa insiste no bem-estar animal e que realiza verificações veterinárias permanentes. Ele prosseguiu dizendo que a ocorrência não afetou o funcionamento da fábrica.

“Nós negamos resolutamente a alegação de que maltratamos animais. Nosso matadouro é uma das instalações mais modernas, onde os animais são mortos de forma humana”, acrescentou ele.

A empresa já viu alguns protestos antes, mas os ativistas nunca tinham se acorrentado ao portão, afirmou Hanzelka.

“Estamos sob constante controle veterinário estatal e seguimos a legislação e todas as regras. Como todo tcheco (a julgar pelos dados estatísticos) consome dezenas de quilos de carne anualmente, alguém deve produzi-la em escala industrial ou ela deve ser importada do exterior”, acrescentou ele.

A instalação emprega 270 pessoas e, em um ano, processa quatro milhões de patos. O local foi inaugurado em 1948.

Em maio de 2014, ativistas dos direitos dos animais bloquearam uma fazenda de suínos em Lety, também no distrito de Písek, na Boêmia do Sul.

ATUALIZAÇÃO: A polícia soltou os ativistas dos direitos dos animais que se acorrentaram ao portão do matadouro a fim de impedir sua operação na manhã do último dia 31. A polícia o fez depois que os manifestantes se recusaram a obedecer às ordens de deixar a área. Policiais detiveram cerca de 20 manifestantes.

Tradução de Alda Lima

Fonte: expats cz

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