Atração de animais do zoológico Dade City’s Wild Things é encerrada após ação judicial de ONG

Atração de animais do zoológico Dade City’s Wild Things é encerrada após ação judicial de ONG

Para evitar uma inspeção da PETA, o Wild Things de Dade City, Flórida, nos EUA, enviou tigres para o zoológico de Joe “Exotic” Maldonado, em Oklahoma, apresentado na série “Tiger King”.

Uma antiga atração de animais em Dade City fechou suas portas depois de perder uma ação movida pelo grupo nacional de defesa dos direitos dos animais People for the Ethical Treatment of Animals.

Em 23 de março, o Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Tampa ficou do lado da PETA, e proibiu o zoológico Dade City’s Wild Things de possuir ou manter tigres.

No dia seguinte, a PETA anunciou que a atração animal havia encerrado. O jornal Patch não conseguiu entrar em contato com os proprietários, Kathy, Kenneth e Randall Stearns, por telefone ou e-mail para confirmar. A atração Dade City’s Wild Things excluiu sua conta do Facebook. Uma mensagem no site do zoológico dizia: “Devido ao pedido do presidente, o Dade City’s Wild Things será fechado até novo aviso”.

O porta-voz da PETA, David Perle, disse que não espera que o zoológico seja reaberto e disse que seu fechamento é uma vitória para a PETA.

“O Dade City’s Wild Things está fechado para sempre agora que os últimos seis tigres mantidos lá foram enviados ao santuário The Wild Animal Sanctuary, no Colorado, apenas alguns dias depois que a PETA recebeu uma decisão à revelia e uma liminar permanente em seu processo pelo Ato de Espécies Ameaçadas…” disse a PETA em um comunicado de imprensa.

O processo da PETA argumentou que Dade City’s Wild Things, que adquiriu filhotes de tigre de Joseph Maldonado-Passage (também conhecido como Joe Exotic), o expositor de grandes felinos mostrado na recém-lançada série de documentários da Netflix “A Máfia dos Tigres”, violou o Ato de Espécies Ameaçadas por separar filhotes de tigre de suas mães prematuramente e usá-los em exibições públicas como “nade com os tigres”.

“Um dos filhotes adquiridos de Maldonado-Passage, Nikita, de 2 meses, foi usada como máquina de procriação”, disse Brittany Peet d PETA Foundation, diretora de segurança pública de direitos dos animais em cativeiro.

Uma investigação da PETA documentou outro filhote, Luna, de uma semana, que uivava e chorava durante uma exibição pública. As imagens em vídeo obtidas peloa PETA também mostraram quando um treinador do Dade City’s Wild Things batia repetidamente em Luna e empurrou-a para uma piscina.

“Os dias de exploração de filhotes de tigres vulneráveis e de criação de negócios desprezíveis, que alimenta a crise de superpopulação de tigres em cativeiro, acabaram”, disse Peet, que aparece no documentário da Netflix condenando a compra, o comércio e a criação de tigres. “A PETA  comemora a nova vida que aguarda esses seis sobreviventes que finalmente poderão percorrer vastos habitats, escolher nadar se e quando quiserem e ficar livres de maus-tratos pela primeira vez em suas vidas”.

A PETA resgatou um total de 27 tigres do Dade City’s Wild Things ao longo dos anos, inclusive 19 que foram enviados em uma viagem cansativa de 18 horas e 320 quilômetros ao zoológico de beira da estrada, em Oklahoma, de Maldonado, violando duas ordens judiciais que proíbem o Wild Things de mover qualquer um dos tigres. Durante a viagem, uma tigre fêmea deu à luz três filhotes que morreram.

Ironicamente, Maldonado testemunhou no processo contra o Dade City’s Wild Things, e disse que os tigres chegaram ao seu zoológico em más condições, com feridas abertas, fungos graves e unhas infectadas. Maldonado negou saber que havia uma liminar contra o Dade City’s Wild Things que proibia a remoção de qualquer tigre do zoológico até que funcionários da PETA pudessem realizar uma inspeção.

Em 22 de janeiro, Maldonado foi condenado a 22 anos de prisão por tentar contratar um matado de aluguel em 2017 para matar Carole Baskin, a fundadora do Big Cat Sanctuary em Citrus Park e ativista de direitos dos animais conhecida nacionalmente.

A PETA está atualmente processando outros dois envolvidos no setor de exibição de tigres que foram documentados na série da Netflix, Jeff Lowe e Tim Stark, da Wildlife in Need. A PETA também tem uma liminar que proibe Stark de retirar as garras de grandes felinos, separar filhotes de suas mães e exibi-los ao público.

Perle disse que a PETA trabalha para garantir que os outros animais selvagens do Dade City’s Wild Things encontrem lares permanentes em santuários credenciados pela Federação Global de Santuários de Animais.

“Quando a PETA começa a tentar acabar com os maus-tratos de animais por alguém, não paramos, então continuaremos tentando ajudar todos os animais ainda mantidos em cativeiro no Dade City’s Wild Things, assim como há muitos e muitos anos”, ele disse.

Outros animais no Dade City’s Wild Things incluem leões e outros felinos selvagens, lontras, preguiças, macacos, zebras, tamanduás e tartarugas.

O Departamento de Agricultura da Flórida entrou com uma ação contra os Stearnes, acusando-os de desviar dezenas de milhares de dólares de sua organização sem fins lucrativos para cobrir suas despesas pessoais. E Kathy Stearns enfrenta três acusações criminais neste esquema.

O Dade City’s Wild Things também enfrenta uma decisão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que processou a instalação por violações federais do bem-estar animal.

Enquanto isso, a PETA disse que os tigres resgatados vivem agora do jeito que foram destinados no The Wild Animal Sanctuary, em Keenesburg, Colorado, e no Turpentine Creek Wildlife Refuge em Eureka Springs, Arkansas, incluindo Luna e Remington, dois dos filhotes de tigre separados de suas mães e usados na exibição “nade com os tigres” do Dade City’s Wild Things.

Dois outros tigres, Rory e Rajah, não tiveram tanta sorte. Junto  com Luna e Remington, Rory e Rajah foram transferidos ilegalmente para outra instalação para reduzir a população de tigres do Dade City’s Wild Things antes da inspeção dao PETA. Eles foram baleados e mortos depois de fugirem do cativeiro no ano passado.

Por D’Ann Lawrence White / Tradução de Ana Carolina Figueiredo

Fonte: Patch

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