Audiência pública debate a leishmaniose e a criação de hospital para animais em Foz do Iguaçu, PR

Audiência pública debate a leishmaniose e a criação de hospital para animais em Foz do Iguaçu, PR

O encaminhamento será um requerimento solicitando regulamentação imediata do conselho de proteção animal.

PR Foz audiencia publica

Construção de Hospital para abrigo de animais; Preocupação com a Leishmaniose e necessidade de criação do Conselho de Proteção e defesa animal. Esses foram os pontos pelos quais girou o debate na audiência pública na noite desta quarta-feira, 12 de agosto, na Câmara Municipal sobre controle e proteção animal.

A discussão, proposta pelo Vereador Luiz Queiroga (DEM) encheu o plenário da Casa de Leis com autoridades, Polícia Ambiental, ONGS e Gestores da saúde pública. O proponente da audiência explanou. “Há tempos temos debatido na Casa de Leis desde à gestão passada a questão da defesa e do controle da população animal. Eu propus a Lei que cria o Conselho de defesa animal (lei n° 4251/2014). É inadmissível deixar de criar esse Conselho tão importante. O assunto é de extrema relevância e não poderia ser tratado de forma tão irrelevante pelo município, é preciso ter o respeito, no mínimo”, argumentou o Vereador Luiz Queiroga (DEM).

Sob intensa discussão e divergência entre integrantes de entidades, autoridades e pesquisadores a respeito de alguns aspectos inerentes à castração e à eficácia do tratamento da leishmaniose, o Vereador Luiz Queiroga (DEM), propôs como encaminhamento a redação de um requerimento solicitando ao Executivo a regulamentação imediata da Lei que cria do Conselho de defesa e proteção animal e, posteriormente, a revisão da Lei Complementar n°196/2012 que criou o Estatuto animal, a qual é motivo de algumas divergências.

Luiz Otávio Roberto, da Associação dos Criadores de cães do Oeste do Paraná, foi enfático. “Tivemos cerca de 8 mil casos de Leishmaniose na cidade, mas isso não é um dado preocupante? O cão, que é o hospedeiro é a vítima. A preocupação é que temos de ter atitude no sentido da saúde pública e da saúde animal. A lei aprovada tem alguns equívocos quanto à limitação de espécies. Eu acho que a lei não pode ser regulamentada como está, ela precisa ser revista”.

Michele Rack defendeu a abertura de um Hospital Público para animais no município. “É uma questão de humanidade, cada cidade tira proveito com o que a natureza nos traz. O município deve e já passou da hora de ter um hospital público para animais. Eu acredito, sim, que devemos ter e obrigar que as pessoas implantem um hospital e as pessoas com menos condições financeiras possam levar seus bichos para ter atendimento. A prefeitura poderia criar um local de passagem para esses animais. Devemos exigir que os órgãos municipais criem um abrigo, para que os animais sejam castrados”.

O Vereador Gessani da Silva (PP) também marcou presença no evento e defendeu a melhora no processo de educação, tanto do Poder Público, quanto da sociedade. “A situação em Foz está em uma condição muito grave. O município precisa levar muito a sério a quantidade de cães que deve ser castrado. É um processo de educação do poder público e da sociedade”.

Sandra Aparecida, protetora de animais, explanou sobre a educação e preocupação com meio ambiente. “É preciso educar as pessoas. Sugerimos que no dia de proteção dos animais, 4 de outubro, façamos um evento, uma caminhada, para conscientização das pessoas. Estão construindo casas indiscriminadamente e não está sobrando terreno e gramado, precisamos preservar a natureza, o meio ambiente, que nos dá condição de termos melhor qualidade de vida”.

Saúde Pública

O Diretor da 9ª Regional de saúde, Ademir Ferreira, se posicionou com relação ao tema no que confere à saúde pública. “Eu trabalho na área da saúde humana e ressalto que o Estado do Paraná vem realizando em parceria com a UFPR um levantamento em Foz do Iguaçu da Leishmaniose visceral canina. Em torno de 18% a 28% dos cães pesquisados estão com a doença. Cerca de 8 a 12 mil cães estão infectados com Leishmaniose visceral canina. Isso fez com que a Secretaria de saúde e os médicos passassem em Leishmaniose. Infelizmente tivemos a confirmação de um caso de Leishmaniose visceral humana aqui no município. E, a principal ação necessária é a proteção do ambiente”.

Márcio Rosa da Silva defendeu a preocupação com a saúde. “Saúde pública é prioridade e ela deve ser tratada como tal. E que seja encaminhada ao ministério público o caos que nós vivemos e precisamos que a saúde seja feita de forma plena. É preciso investimento”. Andreia de Paulo Vieira, Representante do Conselho de Medicina Veterinária do Paraná, afirmou. “Estou à disposição para que a gente possa contribuir para atuarmos de forma mais eficaz no controle animal. Temos de saber diferenciar a questão das zoonoses, precisamos ter mais dados para sociedade brasileira”.

Paulo Roberto, dirigente da AIPA, destacou. “A função da Aipa é atender os animais em estados emergenciais e depois de tratados fazer a vacinação e colocar para adoção. A gente procura sempre o bem estar do animal”.

Tribuna Livre

Dentre os temas levantados pela população que se pronunciou na tribuna livre estão: Eutanásia, castração, alguns equívocos na lei do estatuto animal e preocupação com a leishmaniose. “Aproveitando o gancho da Leishmaniose, o que está acontecendo é que se chegou à conclusão que o tratamento é eficaz sim. Mas, é preciso que seja feito por especialista de fato. Foz não pode caminhar aprovando lei de eutanásia para leishmaniose, quando todo o país está caminhando para o tratamento. Eutanásia nunca foi solução. O que é necessário é um meio ambiente equilibrado e a Prefeitura não está trabalhando para isso”, enfatizou Marcele Barrocas, integrante da Marcha da Defesa Animal.

Roberta Bouchardet, integrante da AIPA também falou sobre a eutanásia. “Já se chegou à conclusão que eutanásia não resolve. É preciso informar de uma maneira que ajude a população. Por isso acho que é preciso ir pelo lado científico. Eu fui uma das pessoas que ajudou a fazer a lei na época. Um dos objetivos era proibir a venda de cães. Não faz sentido a pessoa viver da venda de animais sem regulamentação”.

Ronaldo Barallle, que atua nos laboratórios da Cesufoz/UNIP marcou postura sobre tratamento gratuito dos animais. “Concordo com o que foi dito por algumas pessoas de que a população deve ter acesso ao tratamento dos animais de forma gratuita. Tem de ser levado em conta o incentivo à ciência também para avançarmos em algumas discussões”.

Amábile Dallabrida, membro da AIPA, destacou.“Percebi que a maioria tem problemas em fazer denúncias, não temos uma direção certa. Tenho a sugestão de se criar uma delegacia especializada para o tema em Foz do Iguaçu”.

Castração

Carla Marcela Vieira, estudante de medicina veterinária, falou sobre a necessidade de apoio aos protetores independentes de animais. “O CCZ só aparece na minha porta para dizer que eu tenho de diminuir o número de animais que tenho em casa. A gente não consegue nenhuma castração para os animais, ninguém apoia o protetor independente. Proponho à sociedade de Foz que abrace a causa dos animais”.

Jorge Soares também se falou na tribuna sobre a castração. “O animal foi vítima, está agonizando. Tenho feito um trabalho de protetor, de castração. Gostaria que a Prefeitura trouxesse para si a responsabilidade de castração”. “O custo da castração é muito alto, poderia ser feita a castração em massa. O Município deveria arcar com as despesas e fazer a castração por bairro ou regiões. Isso vai diminuir proliferação de animais e de doenças”, defendeu Perterson Marins. 

PR Foz audiencia publica2

PR Foz audiencia publica3

PR Foz audiencia pblica4

Fonte: Câmara de Foz do Iguaçu

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.