Audiência pública discute defesa e proteção de cavalos em Sorocaba, SP

Audiência pública discute defesa e proteção de cavalos em Sorocaba, SP
Audiência pública discute defesa e proteção de cavalos em Sorocaba — Foto: TV TEM/Reprodução

Uma audiência pública foi realizada na Câmara Municipal de Sorocaba (SP) para discutir a defesa e a proteção de cavalos na cidade.

A sessão reuniu vereadores, secretários municipais, representantes de entidades de proteção animal, a Guarda Civil Municipal, o Setor de Bem-estar Animal, a Zoonoses e a Associação de Cavaleiros, além de moradores.

A presidente do Conselho Municipal de Proteção e Bem Estar Animal, Jussara Fernandes, disse que a fiscalização dos animais deve ser mais rígida.

“Nós vemos pela cidade um enorme numero de animais de grande porte abandonados, negligenciados, que são vítimas de maus-tratos. Nós precisamos da responsabilização destes proprietários e de uma fiscalização mais eficiente.”

Houve momentos de tensão na audiência, quando representantes de associações de cavaleiros se posicionaram diante das discussões.

“Existem os abandonos e maus-tratos, mas essas pessoas devem ser criminalizados, e não uma categoria que utilizam estes animais para lazer e para resgate da cultura”, afirma Edson Nogueira, presidente da Associação Cultural de Tradição Tropeira de Iperó (SP) e região.

A situação de maus-tratos contra animais de grande porte tem sido um problema frequente em Sorocaba.

Audiência pública discute defesa e proteção de cavalos em Sorocaba. — Foto: TV TEM/Reprodução

A reportagem da TV TEM já exibiu flagrantes de animais soltos em ruas e avenidas importantes da cidade. Este mês, por exemplo, um vídeo feito com celular mostrava três cavalos comendo lixo dentro de um contêiner, no bairro Bonsucesso.

Em 2019, a reportagem também mostrou outros animais em situação de abandono. Em um flagrante feito em dezembro, os carros precisavam desviar dos cavalos em uma avenida na zona norte. O canteiro central da via chagou a servir de pasto para os animais.

Muitas pessoas perderam parentes vítimas de acidentes envolvendo animais soltos. Só no ano passado, 175 animais foram apreendidos.

Na teoria, quando um morador flagra um cavalo, por exemplo, solto no meio da rua, ele deve ligar para o telefone 156 para que o Setor de Bem-estar Animal se responsabilize pela captura.

O cavalo é colocado em um espaço dentro do canil municipal até que o dono seja identificado e multado. Entretanto, representantes de entidades de proteção animal dizem que, na prática, isso não acontece, porque as ações do poder público são falhas.

Por isso, os ativistas acreditam que a audiência é o primeiro passo para a mudança, mas ainda há muito para ser feito. Segundo a presidente da ONG Abraço Animal, Karina Somaggio, a multa para quem realiza o abandono deveria ser maior.

“Essa audiência vem para chamarmos o poder público à responsabilidade. Eles são responsáveis por tirar estes animais das vias públicas. Hoje a multa é mil reais e ela deveria ser dez vezes maior. Uma das nossas propostas é a chipagem destes animais, para termos o mínimo de informações”, diz.

Vídeo: Audiência discute fiscalização de animais soltos pelas ruas em Sorocaba.

Os representantes da prefeitura não quiseram gravar entrevista durante a audiência. Thaís Butti, da Zoonoses, disse durante o debate que, por lei federal, o setor está vinculado à Secretaria da Saúde desde 2014. Por este motivo, pode agir somente em caso de problema de saúde pública.

O secretário do Meio Ambiente, Maurício Motta, propôs a criação de uma comissão para discutir medidas que penalizem quem comete maus-tratos contra animais e estudar a implantação de microchips nos animais.

Por Carina Rocco

Fonte: G1


Nota do Olhar Animal: Ações tidas como normais por quem explora cavalos já representam maus-tratos, naturalizados pelos “usos e costumes”. Por exemplo, o uso do bridão. E também a jornada de trabalho longa, sob todo tipo de situação climática, como por exemplo a permanente exposição ao sol. Lamentável que se pretenda regulamentar uma atividade em que os abusos são inerentes e os maus-tratos sejam indissociáveis.

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